Alimentação de caprinos

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Nutrir significa fornecer todos os nutrientes necessários, em quantidade e proporção adequados, ao bom desenvolvimento do animal, através de alimentos livres de fatores tóxicos e ao menor custo possível.

Cada espécie animal possui características próprias que a torna impar, a nutrição deve estar em sintonia com elas para promover o máximo rendimento do animal.

Na criação de caprinos o engano mais comum é alimentar a cabra como se ela fosse uma pequena vaca. Como os ovinos e bovinos a cabra é um animal ruminante, entretanto aspectos como hábito alimentar, prolificidade, composição da carcaça, composição do leite entre outros, fazem da cabra um animal com necessidades especificas.

Os caprinos nascem praticamente como animais monogástricos, apenas o abomaso funcionando, com o desenvolvimento do animal as outras cavidades (omaso, retículo e rúmen) vão mudando suas proporções e se desenvolvendo até que por volta da 5a semana o caprino já pode ser considerado um animal ruminante.

Podemos dividir as diversas fases de alimentação dos caprinos:

Aleitamento

Esta é uma fase fundamental para o futuro do animal, dela depende a capacidade de expressão máxima do potencial genético. Os objetivos desta fase podem ser: desenvolver de forma adequada os estômagos do animal, fazer desmame com peso programado no menor tempo possível, prevenir diarréias, transferir o máximo de imunidade para o filhote.

Fornecer o colostro logo após o nascimento bem como iniciar cedo um programa de alimentação sólida para os cabritos são duas atitudes que em conjunto com atenção máxima aos casos de diarréia, controle do ganho de peso do animal, um bom programa de desmame e água de boa qualidade e limpa contribuem de forma decisiva para se atingir os objetivos desta fase de criação. O leite a ser fornecido pode ser escolhido de acordo com os preços pagos pelo mercado no momento do aleitamento. Assim pode-se utilizar leite de cabra, vaca ou sucedaneos lacteos comerciais. Em qualquer um dos casos deve-se ter cuidado com alguns pontos críticos do aleitamento: higiene e limpeza, número de refeições, possibilidade de transmissão de doenças, qualidade e quantidade.

A dieta sólida deverá ser constituída de ração específica para fase de criação e folhagens verdes.

Puberdade

O objetivo nesta fase é desenvolver toda a parte fisiológica e esquelética no menor tempo possível e desta maneira possibilitar a entrada do animal em produção. Um bom objetivo é aos 8 meses de idade 35kg de peso vivo. Os custos de alimentação nesta fase são menores e pode-se usar fenos, silagens e pastagens verdes, a suplementação com concentrados protéicos e minerais deve ser fornecida de forma controlada e água em quantidade e qualidade deve sempre estar a disposição. Novamente o peso, das fêmeas principalmente, deve ser controlado para evitar que engordem. O excesso de gordura nesta fase pode se acumular na glândula mamaria e ocupar o lugar do tecido secretor e consequentemente afetar a produção de leite no futuro. Para os machos vale o mesmo raciocínio já que os excessos de gordura podem atrapalhar o inicio de serviço ou causar cálculos urinários.

Cobertura ao 1o parto

Cuidado com a cabrita para que a gestação transcorra da forma mais tranqüila possível nos 3 primeiros meses, não se deve permitir que o animal passe para um status corporal enxuto pois o terço final da gestação é mais delicado, senão vejamos: 85% do desenvolvimento do feto se dá neste período, cabrita ainda pequena e com baixa capacidade de consumo de alimento, o feto toma espaço importante dentro do abdome e com isto reduz mais ainda o consumo e por último a cabrita continua crescendo. Todos estes fatores juntos aumentam em muito as exigências de nutrientes. Suplementar com ração e oferecer volumoso de boa qualidade é o caminho mais curto para evitar problemas de tamanho de feto, toxemia ou morte dos animais.

Animais adultos

Os caprinos devem permanecer a totalidade do tempo em produção, no caso de cabras adultas devem permanecer em lactação e/ou gestação. A alimentação deve seguir o ciclo produtivo do animal assim se uma cabra está em inicio de lactação deve-se ter cuidado com o balanço energético negativo. Este fato é mais grave em animais muito produtivos onde a produção de leite atinge o pico entre a 3a e 4a semana, e a capacidade de consumo do animal só é máxima entre a 5a e 8a semana, a conseqüência é a perda de massa corporal, . Nestes animais o cuidado antes do parto deve ser dobrado para que o balanço negativo aconteça pelo menor tempo possível e não venha afetar de forma irreversível a produção. Durante o balanço negativo pode-se fazer uso de rações em quantidades maiores até 0,8kg/dia/animal e obrigatoriamente oferecer volumoso de boa qualidade, água de boa qualidade e em quantidade.

Animais que já passaram desta fase tendem a refazer as reservas corporais e se prepararem para a próxima gestação, em caso de cabras muito produtivas com boa persistência deve-se analisar se é mais econômico atrasar a próxima cobertura. No caso de animais intermediários, dependendo das condições de mercado e do manejo de cada fazenda pode-se conduzir a cabra para ser coberta novamente e iniciar um novo ciclo de gestação. A alimentação deve ser a de rotina para cabras em lactação com volumosos de boa qualidade, suplementação mineral e dependendo da produtividade do animal 0.4 a 0,6kg/animal/dia de concentrado e água a vontade.

A terceira fase do ciclo é a “cabra seca” 45 a 60 dias antes do parto a lactação deve ser interrompida, principalmente em animais muito produtivos, este período coincide com o máximo de mobilização dos nutrientes para o feto e mínimo de produção de leite. A alimentação deve ser específica para esta fase com volumoso de boa qualidade, suplementação mineral e 0,5 a 0,8kg/dia/animal de concentrado. Valem aqui as recomendações da primeira gestação pois apesar de o crescimento da cabra já não ser um fator preocupante a ocorrência de partos múltiplos e fetos maiores mantêm as exigências de nutrientes em alta.

Bodes jovens e adultos Volumoso de boa qualidade cortado grande, folhagens verdes, exercícios físicos, água em abundância, controle sobre o peso dos animais e 0,3 a 0,5 kg/dia de concentrado são atitudes que na maioria das vezes bastam para manter um reprodutor em serviço sem problemas. Cuidado maior na relação Ca:P para evitar a formação de cálculos.

Fonte: http://www.portaleducacao.com.br/veterinaria/artigos/2507/alimentacao-de-caprinos

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