Alimentação das diversas categorias

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Ovelhas

Ovelhas solteiras e até o terço final da gestação podem ser alimentadas exclusivamente com volumosos de media qualidade (ao redor de 9% de proteína bruta, 55% de NDT e 0,2% de cálcio e 0,2% de fósforo) e sal mineral. Neste período apresentam consumo voluntário ao redor de 2 a 2,5% de matéria seca. No período das águas podem ser alimentadas com pastagens, capins cortados, leguminosas, etc. Na seca devem alimentadas com pastagens diferidas e suplementadas com volumosos conservados (silagens ou feno) ou cana-de-açúcar, com adequação do teor protéico da dieta, o que permite mantê-las em bom estado corporal. Pode-se utilizar volumosos mais pobres, com palhadas ou bagaço de cana hidrolisado, com pequena quantidade de ração concentrada.

No terço final da gestação o crescimento fetal é acentuado, principalmente no caso de gestação de gêmeos. Neste período o requerimento energético fica aumentado devido ao crescimento fetal e sua exigência nutricional é por volta de 11% de proteína bruta e 60% de NDT, 0,35% de Ca e 0,23% de P. Consomem ao redor de 3-3,5% do peso vivo em matéria seca. Devem receber pastagens de boa qualidade ou serem suplementadas com ração concentrada com 14 -16 % de PB (300-600 g/dia). Nesta fase a ingestão de energia deve ser aumentada para promover adequado crescimento fetal e preparação para a lactação. Consumo baixo de energia em ovelhas excessivamente magras leva a baixo peso ao nascer das crias, diminuição da produção de leite, redução da habilidade materna e a diminuição da viabilidade dos cordeiros recém nascidos e conseqüente aumento de mortalidade das crias. Também os problemas parasitários são aumentados. Deve-se manter a ovelha em bom estado corporal e evitar animais excessivamente gordos. Fêmeas jovens ou em gestando fetos múltiplos, podem apresentar sintomas de deficiência de energia, denominada toxemia da gestação, dessa maneira, na fase final da gestação, os cuidados com a alimentação devem ser redobrados.

Após a parição as exigências energética e protéica são aumentadas devido a produção de leite. Logo após o parto, o consumo de alimento é menor e aumenta progressivamente. Ovelhas de grande produção de leite perdem peso durante as primeiras 4 semanas de lactação, assim sendo, devem ingerir quantidade  mais elevada de energia e proteína. Necessitam dietas com aproximadamente 64-68% de NDT, 12-14% de proteína bruta, 0,33% de Ca e 0,27% de P e consomem entre 3,5 e 4% do seu peso vivo em matéria seca. Da parição até o desmame, as ovelhas devem ser alimentadas com volumosos de boa qualidade e ração com 14-16% de proteína (400-800g/dia), dependendo do tamanho da ovelha, número de crias e estado corporal.

A ovelha atinge seu pico máximo de produção de leite entre a terceira e quarta semana após o parto, diminuindo progressivamente nas semanas seguintes, sendo que já na oitava semana a produção de leite é muito pequena. O período inicial da lactação concentra-se nas 8 primeiras semanas pós parto, representando 75% da produção. Deve-se ter especial atenção na alimentação dos animais até 30-45 dias pós parto, diminuindo, gradativamente, o fornecimento de ração concentrada até o desmame, para facilitar o processo de secagem da glândula mamaria, evitando mastite, bem como estimular o cordeiro a procurar alimento sólido no “creep-feeding”.

A raça Santa Inês, em seu processo de formação, teve a participação de animais de elevada aptidão leiteira, como da raça Bergamacia, em razão do que apresenta curva de lactação mais longa que as raças de corte, tornando o desmame precoce mais difícil. Aconselha-se nesse caso, diminuição acentuada da alimentação 20-30 dias antes do desmame e, após o desmame, jejum de alimento sólido por 48 horas e hídrico por 24 horas.

As ovelhas, na cobertura, devem ser alimentadas com pastagens ou volumoso de boa qualidade ou ração concentrada. O aumento da ingestão de energia imediatamente antes (10 dias) e durante a cobertura (flushing), garantindo ganho de peso nesse período, pode estimular ovulações múltiplas e ocasionar nascimento de maior número de gêmeos.

Quando o sistema de manejo reprodutivo adotado procura a obtenção de intervalos entre partos de 8 meses, ou menos, a alimentação deve ser acompanhada com maior cuidado, devendo se trabalhar com alimentos de melhor qualidade e valor nutritivo.

O nível nutricional dos animais também influi na sua capacidade imunológica. Ovelhas melhor nutridas, recebendo dietas com teores mais elevados de proteína, tendem a apresentar maior capacidade de resistir à ação da verminose, seja por dificultar a fixação das larvas de helmintos no trato intestinal, seja por apresentar uma reação fisiológica mais forte, dificultando ou mesmo impedindo o seu desenvolvimento, ou seja ainda por uma maior capacidade orgânica frente à ação espoliativa dos parasitas.

Cordeiros em acabamento (confinamento)

A correta alimentação de cordeiros em acabamento deve prever o estimulo, ainda no período de amamentação, à máxima ingestão de alimentos de elevado valor nutritivo, visto que nesse período os animais apresentam ótima conversão alimentar. A maneira mais fácil é através do fornecimento de ração concentrada através do creep-feeding, que se constituem em cochos separados e inacessíveis às ovelhas e aos quais só os cordeiros tem acesso. Nesses cochos pode-se utilizar rações a base de milho, farelos de soja, algodão, trigo e outros, com 18-22% de proteína bruta, com alta palatabilidade, e que passa a ser fornecida para os cordeiros a partir de 10-15 dias de idade. Estes aumentam gradativamente seu consumo à medida que a disponibilidade de leite da ovelha diminui, atingindo um consumo de 150 a 200 g/cordeiro/dia ao desmame. Esse consumo deve ser estimulado, pois resulta em aumento acentuado de peso dos cordeiros ao desmame, que nesta fase tem conversão ao redor de 2:1, ou seja, cada 2 kg de ração ingerida promove um ganho de peso de 1kg, o que pode ser muito vantajoso do ponto de vista econômico.

Cordeiros desmamados precocemente (50-60 dias) são muito exigentes em nutrientes, principalmente em energia e proteína. O acabamento é feito por um período ao redor de 60 dias, com peso inicial de 14-16 kg, até um peso final de 30 a 35 kg. Ganhos diários de peso acima de 250g são adequados, todavia, esse ganho pode alcançar mais de 400g/dia, em animais especializados e de elevado potencial para ganho de peso, provenientes de reprodutores de elevado peso adulto. A conversão alimentar gira ao redor de 3-3,5:1, sendo, portanto, excelentes transformadores de alimento de origem vegetal, em carne nobre. A exigência nutricional nessa fase situa-se ao redor 14-16% de PB; 70-78% de NDT; 0,45% de Ca e 0,25% de P na matéria seca total, consumindo ao redor de 4,5-5 % do peso vivo em matéria seca, sendo aconselhável o fornecimento, no mínimo, de 60% de ração concentrada, a base de milho e farelos de oleaginosas, na dieta total.

Cordeiros recém desmamados possuem menor capacidade fermentativa ruminal que cordeiros desmamados tardiamente, portanto com menor capacidade de digestão de fibras. Dietas com elevadas concentrações em energia e proteína são necessárias para se conseguir elevados ganhos de peso. Cordeiros devem ganhar 200-300g/dia para atingirem o peso de abate (28-30kg) antecipadamente. Devem ser alimentados com volumosos de alta qualidade (silagem de milho ou sorgo, capim elefante picado e fenos de boa qualidade), a vontade e ração concentrada, com 16-18% de proteína, na quantidade de 2-4% do peso vivo. Essa alimentação perdura até os 30 kg de peso vivo ou até 4 meses de idade (peso ou idade de abate).

A ração concentrada deve ser composta de cereais (milho, aveia, arroz, trigo) e farelos de oleaginosas (soja, algodão, girassol, etc…) e subprodutos de bom valor nutritivo (polpa cítrica, levedura de cana, resíduo de cervejaria, subprodutos da industria de sucos e de milho etc).

Borregas para reposição (dos 4 meses até a cobertura)

Nesta fase as fêmeas são preparadas para serem futuras reprodutoras e fazer parte do plantel de fêmeas adultas. Quanto mais cedo forem cobertas maiores serão os índices produtivos da propriedade.

Nesta fase as fêmeas apresentam exigência nutricional de 11% de proteína bruta, 65% de NDT e 0,4%de cálcio e 0,2% de fósforo na matéria seca total ingerida e consomem entre 3,5 e 4% do peso vivo em matéria seca.  Devem ser alimentadas com volumosos de boa qualidade, à vontade, e quantidade moderada de ração (aproximadamente 1,5-2% do peso vivo) com 14-16% de proteína. A partir dos cinco meses podem ser adaptadas às pastagens e devem atingir o peso de cobertura (70% do peso adulto) entre 8-14 meses.

Fêmeas de primeira cria

Atenção especial deve ser dada no terço final da gestação, pois a cobertura antecipada (8-12 meses), leva à somatória das necessidades nutricionais de crescimento, com as da gestação. Deve-se mantê-las separadas das adultas e fornecer alimentação de melhor qualidade, acompanhando seu o estado corporal, aumentando a suplementação em caso de condição corporal inferior a 2-2,5.

Reprodutores

Carneiros adultos devem ser alimentados preferencialmente à base de volumosos de boa qualidade e pequena quantidade de ração concentrada, com 14-16% de proteína bruta, na quantidade máxima de 0,5 a 0,7 kg/dia dependendo da  idade e do peso dos animais. Dietas com excesso de ração concentrada e pouco alimento volumoso levam ao aparecimento de urolitíase obstrutiva (cálculos na uretra) em razão da formação de cristais de fosfato no sistema urinário, levando a sua obstrução. Caracteriza-se por dificuldade para urinar ou obstrução total da urina, inviabilizando o reprodutor.

Excesso de peso é também um problema com reprodutores adultos, normalmente nas raças de maior peso adulto, devendo ser evitado através do fornecimento de quantidade restrita  de ração concentrada além de exercícios.

Fonte: BUENO, M. S.; SANTOS, L. E. dos; CUNHA, E. A. Alimentação de ovinos criados intensivamente. 2007. Artigo em Hypertexto. Disponível em: <http://www.infobibos.com/Artigos/2007_2/alimentovinos/index.htm>. Acesso em: 6/11/2010

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