Café Robusta e suas Principais Cultivares

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Cultivo do Café Robusta em Rondônia

“Café Robusta” é uma denominação generalizada que agrupa as variedades da espécie Coffea canephora Pierre ex Froehner. A espécie é nativa das florestas baixas da África equatorial. Atualmente, é cultivada em alguns países da África Central e Ocidental, no sudeste da Ásia e na América do Sul. Sua utilização é mais comum no preparo de “ligas” ou misturas, nas quais é adicionado ao café arábica, podendo compor até 50 % do produto final. Por possuir maior teor de sólidos solúveis que o café arábica e apresentar maior rendimento após o processo de torração, o café robusta é componente essencial dos cafés solúveis.

A seguir são apresentadas as principais cultivares de café robusta:

Conilon ou Kouillou

Esta variedade originou-se na região do rio Kouillou, no Gabão (África) e foi introduzida no Sudeste brasileiro, nas primeiras décadas do século XX, onde ficou conhecida como Conilon. As plantas de conilon são rústicas e se adaptam bem às condições climáticas predominantes na região amazônica. Embora os cafeeiros desta cultivar possam manifestar diferentes níveis de resistência à ferrugem, geralmente são bastante suscetíveis, tornando necessário o controle da doença pelo o uso de fungicidas.

As progênies de conilon avaliadas em Rondônia apresentaram, aos cinco anos, altura de planta variando de 2,86 a 2,99 m e diâmetro de copa variando de 2,09 a 2,38 m. A produção média de café beneficiado, em oito anos, foi de 1.655,0 kg/ha, com pico de 3.250,0 kg/ha aos nove anos. O rendimento variou de 53,0 a 61,5%. A percentagem de sementes do tipo chato variou de 65,86 a 86,49% e a peneira média variou de 13,38 a 15,78. O peso de 100 sementes variou de 9,04 a 15,24g. A qualidade da bebida variou de neutra a encorpada, o teor de sólidos solúveis variou de 27,9 a 29,9%c e a cafeína variou de 1,76 a 2,37% (Veneziano, 1993).

Guarini

Essa variedade foi selecionada a partir de um grupo de plantas do banco de germoplasma do IAC que apresentavam alta resistência à ferrugem, elevada produção e frutos grandes.

A variedade guarini adapta-se bem a condições de clima quente e úmido. Além disso, apresenta resistência genética a todas as raças de ferrugem conhecidas e ao nematóide Melodoygine exigua, sendo também bastante tolerante ao nematóide Melodoygine incognita. Tais características fazem do Guarini uma importante alternativa para a região amazônica, sobretudo para as áreas de solos férteis e bem drenados (Fazuoli, 1986).

Em Rondônia, as plantas apresentaram, aos cinco anos, altura média de 2,88 m e diâmetro da copa de 1,82 m. A produtividade média, em oito anos de avaliação, foi de 1.659,0 kg/ha, com pico de 3.866,0 kg/ha, aos seis anos. O rendimento médio foi de 52 %. Provavelmente, o baixo rendimento deve-se a grande espessura da casca (epicarpo + pericarpo) dos frutos. O peso médio de 100 sementes foi de 14,72g e a peneira média foi de 16,55. O teor médio de sólidos solúveis foi de 27,5%, o teor de cafeína foi de 1,66% e a qualidade de bebida foi neutra (Veneziano, 1993). Essas informações demonstram a superioridade da variedade guarini em relação aos conilons e sua equivalência à variedade robusta, em termos de tamanho de fruto.

Robusta

A variedade Robusta é constituída de plantas de porte bastante alto, vigorosas, produtivas e altamente resistentes à ferrugem. As folhas são maiores que as de conilon e apresentam coloração levemente mais clara. Os frutos e sementes também são maiores, o que faz dessa variedade uma alternativa interessante para formação de lavouras mais produtivas e de elevada qualidade.

As progênies da variedade Robusta avaliadas em Rondônia apresentaram, aos cinco anos, altura média variando de 2,99 a 8,06m e diâmetro de copa variando de 1,73 a 2,09 m. A produtividade média variou de 1.548,0 a 1.859,0 kg/ha, com pico de 3.732,0 kg/ha, aos nove anos. A renda média variou de 49,8 a 61,0% e o peso médio de 100 sementes variou de 11,53 a 14,56g. Foram observadas, em média 93,5% de sementes do tipo chato e peneira média 15,36. A qualidade da bebida variou de neutra a encorpada, o teor de sólidos solúveis variou de 26,3 a 31,4 % e a cafeína variou de 1,43 a 1,81 % (Veneziano, 1993).

Apoatã

A variedade Apoatã originou-se da linhagem IAC 2258 e foi inicialmente utilizada como porta-enxerto para cultivo de variedades do grupo arábica. Inclusive a palavra apoatã, em tupi significa “raiz forte”. Essa variedade associa produção elevada, resistência à ferrugem e aos nematóides Meloidogyne exigua e Meloidogyne incognita (Fazuoli, 1986)

Em Rondônia, as plantas da variedade Apoatã apresentaram, aos cinco anos, altura média de 2,99m e diâmetro da copa de 1,98m. A produtividade média, em oito anos foi de 1.761,0 kg/ha, com pico de produção de 5.290,0 kg/ha aos nove anos. Foram observados renda média de 54,5 %, peso médio de 100 sementes de 14,08g e 89,52% de sementes do tipo chato. Apresentou bebida neutra, com 31,2 % de sólidos solúveis totais e 1,69% de cafeína (Veneziano, 1993).

Laurenti

Essa variedade se originou no Congo Belga e foi resultado de um intenso trabalho de seleção realizado por pesquisadores europeus. As plantas são arbustos vigorosos de folhas e frutos grandes, bastante semelhantes às plantas da variedade robusta.

As plantas da variedade Laurenti, em Rondônia apresentaram, aos cinco anos, altura média de 2,98m e diâmetro médio de copa de 1,88m. A produtividade média de oito anos foi de 1.298,0 kg/ha, com pico de 3.796,0 kg/ha, aos nove anos. A renda média foi de 56 % e o peso médio de 100 sementes foi de 12,34g. Foram verificadas 92,6% de sementes do tipo chato e a peneira média foi 15,09. Apresentou bebida neutra, com 31,8 % de sólidos solúveis totais e 1,81% de cafeína (Veneziano, 1993).

Fonte: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Cafe/CultivodoCafeRobustaRO/autores.htm

Autores:

Ângela Maria Leite Nunes
Eng.ª Agrônoma – D.Sc. Fitopatologia
angela@cpafro.embrapa.br

Flávio de França Souza
Eng. Agrônomo – M.Sc. Botânica

flaviofs@cpafro.embrapa.br

José Nilton Medeiros Costa
Eng.º Agrônomo – M.Sc. Fitotecnia
jnilton@cpafro.embrapa.br

Julio César Freitas Santos

Eng.º Agrônomo – M.Sc. Fitotecnia

Petrus Luiz de Luna Pequeno

Eng.º Agrônomo – Bolsista CNPq

Rogério Sebastião C. da Costa
Eng.º Agrônomo – M.Sc. Ciência do Solo
rogerio@cpafro.embrapa.br

Wilson Veneziano
Eng.º Agrônomo – D.Sc. Fitotecnia
embrapa@netview.com.br

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