Adubação de Formação

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 A recomendação de doses de fertilizantes depende basicamente do estágio da lavoura, das exigências do cafeeiro em função da carga pendente, do tipo e da fertilidade do solo, avaliada por análise dos adubos a serem usados.

Os resultados de estudos e pesquisas, em condições de campo são muito úteis para orientar as recomendações do uso das adubações.

Para maiores informações, procure um engenheiro-agrônomo, levando consigo a análise de solo.

Como recomendação genérica, o Boletim Técnico 193 da Cati, recomenda que:

     
  • No 2ª ano agrícola (primeiro após o plantio), aplicar 4 vezes 8 g/cova de N, com intervalos de cerca de 45 dias, no período de setembro a março.
    Repetir a adubação potássica de plantio, parcelando juntamente com o nitrogênio.
    O adubo deve ser aplicado, em cobertura, ao redor das plantas. 
  • Adubação de produção

    Para adubação do cafeeiro em produção deve-se levar em consideração o estado vegetativo, o potencial de produção, as características do solo e os adubos a serem utilizados.
    A recomendação usual leva um conta a extração dos nutrientes (em função da expectativa de carga pendente) e as características do solo (fertilidade) constantes na análise. A adubação a ser recomendada é resultante da seguinte fórmula:

    AQ = AV + AP
    onde:
    AQ = adubação química a utilizar
    AV = adubação necessária à variação
    AP = adubação necessária à produção

    Uma aproximação desta estimativa de produção pode ser alcançada considerando os teores exigidos para cada saca beneficiada a ser produzida. Assim as recomendações de adubação abaixo foram calculadas da seguinte forma:

    N = 50 + (4,0 x PE)
    P2O5 = 8 + (0,80 x PE)
    K2O = 35,5 + (4,57 x PE)

    onde:

    PE: Produção esperada por mil covas em sacas beneficiadas.

    Sugestões de adubação para lavouras em produção, em gramas de nutrientes por cova, considerando a carga pendente (litros de café cereja/planta) e os teores de nutrientes no solo.

    PRODUTIVIDADE N P2O5 K2O
      % Mat. org. P (ppm) % K em Relação CTC
    Litros de cereja/planta <3 >3 <10 11-20 >20 <3 3-5 5-7 >7
    <2 70 56 12 8 0 58 46 34 0
    2-4 90 72 16 11 0 81 64 48 0
    4-6 110 88 20 14 0 104 83 62 0
    6-8 130 104 24 16 0 127 101 76 0
    8-10 150 120 28 19 0 149 120 90 0
    10-12 170 136 32 22 0 172 138 130 0
    12-14 190 152 36 25 0 195 156 117 0
    14-16 210 168 40 28 0 218 175 131 0
    16-18 230 184 44 30 0 241 193 145 0
    18-20 250 200 48 33 0 264 212 159 0

    Enxofre = colocar de 1/8 a 1/10 da dose N
    Boro = colocar 1,0 a 2,0 gramas de B por planta
    Calagem = saturação de bases a 60-70%
    Zinco = via foliar em 4 pulverizações a 0,3% de sulfato de zinco; via solo, em solos arenosos, colocar 2,0 a 4,0 gramas de Zn por planta.

    Adubação foliar

    Apesar de muito valorizada, principalmente por firmas comerciais, folhetos e propagandas, a adubação foliar quando realizada de forma indiscriminada pode induzir a prejuízos, tanto por gastos desnecessários como por desequilíbrios e carências.
    A adubação foliar para o cafeeiro, em condições normais, só se justifica para o fornecimento dos microelementos zinco, boro e cobre.
    Normalmente este último não apresenta problemas, uma vez que pulverizações com fungicidas cúpricos, feitas para controle de ferrugem, corrigem ao mesmo tempo a deficiência.
    Uma situação muito comum de erro por excesso, encontrada no campo, é a adoção de um número exagerado de pulverizações com zinco, quando a pesquisa demonstra que esse nutriente, em teores elevados, provoca redução na produção.
    Outro fator de erro é a mistura de cloreto de potássio, que aumenta e acelera a absorção sem que a dosagem de sulfato de zinco seja diminuída.

    A adubação foliar com macronutrientes, em substituição ou suplementação à adubação NPK no solo é ineficiente e representa um gasto desnecessário.

    Zinco: a adubação foliar com zinco em solos argiloso é obrigatória. O número de aplicações varia de 3 a 4 por ano, devendo ser efetuadas no período de setembro a março. Necessariamente deve-se fazer uma aplicação em pré-florada. O acompanhamento através de análises foliares periódicas é indicado para evitar teores elevados, prejudiciais à produção.

    A dosagem a ser utilizada é de 0,6% de sulfato de zinco. Quando na calda for adicionado cloreto de potássio a dosagem deve ser de 0,3% para o sulfato de zinco e 0,3% para o cloreto de potássio.

    Boro: a dosagem deve ser de 0,3% de ácido bórico, 3 a 4 vezes por ano. A aplicação pré-florada é essencial para o vingamento floral. A ação de tratamento foliar com boro não é duradoura (cerca de 60 dias) e, nos casos de deficiências graves, é necessário suprir boro via solo, que mantém os teores adequados por mais tempo.

    Cobre: normalmente as pulverizações normais com fungicidas cúpricos, usados contra a ferrugem ou outras doenças, controlam também as carências de cobre. No caso de haver necessidade de pulverização, utilizar fungicidas cúpricos (0,5 a 1%) ou sulfato de cobre (0,3 a 0,5%)

    Calagem

    Outro aspecto importante é a calagem, que tem principalmente as funções de corrigir o pH, neutralizar o alumínio e fornecer cálcio e magnésio para as plantas. Esta prática tem sido negligenciada por muitos cafeicultores, que não usam calcário ou o usam inadequadamente. Aplicam, às vezes, altas doses de fertilizantes, que podem não ter eficiência em um solo muito ácido (baixo pH).

    A calagem deve ser realizada antes da implantação da lavoura, sendo o calcário incorporado através das práticas de preparo do solo (aração e gradagem). Aplicações feitas sem a devida incorporação poderão causar excesso na superfície do solo, que pode ocasionar desequilíbrios, além de não haver eficiência nas camadas inferiores do solo.

    A quantidade deve ser recomendada tendo como base a análise de solo. Não se deve aplicar a quantidade de calcário recomendada para área total apenas no sulco ou cova de plantio. Embora isto também possa ser feito, mas em menores quantidades e com a função de fornecer cálcio e magnésio e não corrigir pH. Em lavouras já implantadas, a calagem deve ser feita após a colheita e antes da esparramação (se houver). Como não é possível fazer a incorporação, divide-se a quantidade recomendada em três parcelas anuais, devendo ser cada parcela inferior a 1,5 ton/ha. O calcário poderá ser calcítico ou dolomítico, dependendo da análise de solo (relação Ca/Mg).

    Gessagem

    Aplicar gesso, com base na análise de solo da camada de 20 a 40 cm, se for constatado teor de Ca2+ inferior a 4 mmolc/dm3 e/ou saturação de alumínio acima de 40%.
    O gesso deve ser distribuído sobre o terreno, não havendo necessidade de incorporação profunda, já que o material é solúvel em água.
    As quantidades podem ser dimensionadas de acordo com a textura do solo:

       

    • solos arenosos (até 15% de argila) = 1 t/h
    • solos de textura média (15 a 35% de argila) = 2 t/h
    • solos argilosos (35 a 60% de argila) = 3 t/ha
    • solos muito argilosos (>;60% de argila) = 4 t/ha 

    O efeito do gesso perdura por vários anos, não havendo necessidade de aplicações freqüentes.
    O gesso pode ser aplicado como fonte de enxofre, podendo suprir o nutriente por vários anos.

    Fonte: Tulha agroinformações – www.tulha.com.br

    www.revistacafeicultura.com.br

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