Benefícios da Adubação Verde na plantação de Café

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A convite da COOXUPÉ, o pesquisador Ademir Calegari, do Instituto Agronômico do Paraná, transmitiu ensinamentos ao corpo técnico da Cooperativa sobre Rotação de Culturas e Plantas de Cobertura no Plantio Direto. Com base nessas informações, o engº-agrº João Marcelo de Carvalho (núcleo de Serra do Salitre) fez algumas considerações sobre a adubação verde na cultura do café. Confira:

A lavoura cafeeira caracteriza-se como uma das mais exigentes em termos nutricionais. Dependendo da produção, pode extrair anualmente quantidades muito elevadas de macronutrientes, particularmente de nitrogênio e potássio; os demais, como cálcio, magnésio, fósforo, enxofre e os micronutrientes são absorvidos em quantidades menores. Para se ter uma idéia, uma tonelada de café em coco extrai do solo 22 kg de nitrogênio e 30 kg de potássio aproximadamente. Isso para atender apenas a demanda dos frutos, sem contar a necessidade de absorção para o crescimento de folhas, ramos etc.

O nitrogênio é o elemento mais caro para o café. Pode, no entanto, ser fornecido à lavoura por meio de fontes mais baratas que o fertilizante mineral, como no caso pela adubação verde. É o único nutriente que é acrescentado ao solo por intermédio da fixação simbiótica entre as plantas (leguminosa) de adubo verde e as bactérias do gênero rizobium encontradas no solo.

Já o potássio é absorvido do solo pelas raízes do adubo verde e aplicado na superfície quando a leguminosa é cortada (manejada), deixando-o à disposição das raízes do cafeeiro. Neste caso, ocorre apenas a mobilização do nutriente das camadas mais profundas para a camada superficial do solo.

De qualquer maneira, fica entendido que adubação verde pode ajudar o produtor a suprir parte da necessidade de nitrogênio exigida pelas lavouras cafeeiras com economia.

APROVEITAMENTO – A prática da adubação verde consiste no aproveitamento de plantas cultivadas ou crescidas espontaneamente no próprio local. No caso do cafeeiro, localizadas na entrelinha ou importadas de outras áreas e deixadas preferencialmente na superfície do solo. Essas plantas têm a finalidade de preservar e/ou melhorar a fertilidade do solo.

BENEFÍCIOS DA ADUBAÇÃO VERDE

  • Cobertura do solo: a cobertura do solo com plantas em fase vegetativa e/ou com resíduos desta é o fator isolado de maior importância no controle da erosão. Quando o adubo verde se desenvolve e cobre o solo, as características químicas, físicas e biológicas do solo ficam protegidas dos agentes climáticos nocivos à vida do solo.
    Em solos descobertos, a agregação das partículas superficiais é afetada pela energia de impacto das gotas de chuva. As precipitações (chuvas) de alta intensidade desagregam o solo e as partículas menores selam os poros da superfície. Isto contribui para a redução da infiltração da água e, conseqüentemente, favorece o escorrimento superficial. A cobertura diminui a velocidade do escoamento, a concentração e o tamanho dos sedimentos transportados, diminuindo as taxas de perdas deste solo.
  • Fertilidade do solo: ao se empregar a adubação verde, o principal beneficio obtido será a melhoria da fertilidade do solo pelo seu enriquecimento em matéria orgânica. Vai haver um aumento da CTC ( capacidade de troca de cátion) efetiva do solo, devido à disponibilização de cargas negativas. A adição de massa vegetal, em geral, diminui a acidez do solo. Este efeito depende, naturalmente, da quantidade de biomassa adicionada ao solo. As leguminosas causam maior diminuição da acidez em relação às gramíneas.

PLANTAS FIXADORAS – A adubação verde com plantas fixadoras de nitrogênio atmosférico é uma das formas mais eficientes de utilização deste processo para fins agrícolas. Esta prática deveria ter seu uso incrementado nos diversos sistemas de produção.

De um modo geral, cerca de 2/3 do conteúdo de nitrogênio dessas espécies são obtidos por intermédio da fixação biológica. Essas plantas, ao serem incorporadas ao solo, além de reciclarem o nutriente mobilizado do próprio solo, fornecem uma quantidade adicional de nitrogênio.

DE OLHO NOS NEMATÓIDES – Algumas espécies de plantas indicadas para adubação verde podem evitar a multiplicação de nematóides, responsáveis por sérios danos às culturas. A mucuna cinza, mucuna anã, crotalaria spectábilis, leucena e amendoim cavalo são espécies de verão muito eficientes na redução da população de nematóides.
Podemos afirmar, portanto, que os adubos verdes proporcionam pelo menos duas vantagens à lavoura de café:

  • cobertura do solo;
  • e fornecimento de nutrientes.

No entanto, não existe uma espécie que, sozinha, cumpra com eficiência os dois objetivos, ou seja, que proteja o solo durante todo o período chuvoso e consiga liberar os nutrientes na época que o cafeeiro mais necessita ou vice-versa. Para equacionar o problema, propõe-se o cultivo simultâneo de espécies de ciclo longo e ciclo curto em ruas alternadas da lavoura cafeeira.

QUANDO E COMO ADUBAR

Os adubos verdes são semeados de setembro a dezembro, época de maior incidência de chuvas. O número de linhas vai depender do espaço livre na entrelinha do cafeeiro e do hábito de crescimento do adubo verde. Em geral utiliza-se 50% do espaço livre. Por exemplo: admitindo-se 1,6 m de espaço livre, pode-se semear 2 linhas de crotalaria spectábilis espaçadas de 0,4 m. As espécies de crescimento rasteiras são semeadas com apenas 1 linha.

Bibliografia consultada:

CHAVES, J.C.D.; VIEIRA, M.J.; RUFINO, R.L. Adubação verde em lavoura cafeeira. Londrina; IAPAR, 1980. 6 p. (IAPAR. Informe de pesquisa, 24).

Apostila do curso de Rotação de Culturas e Plantas de Cobertura no Plantio Direto. Ademir Galegari (IAPAR)

Fonte: www.cooxupe.com.br

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