Adubação

0
20

Nitrogênio

As doses de nitrogênio recomendadas para a cultura de trigo, visando ao máximo retorno econômico, são apresentadas na Tabela 13.

Tabela 13. Recomendações de adubação nitrogenada para a cultura de trigo, RS/SC

Teor de matéria orgânica do solo Expectativa de rendimento de grãos
A1 B2
— % — ———— kg N/ha ————-
< 2,5 60 -100 90 -130
2,6 – 3,5 40 – 60 60 – 90
3,6 – 4,5 30 – 40 40 – 60
4,6 – 5,5 20 – 30 25 – 40
> 5,5 £ 15 £ 20

1 < 2 t/ha;

2 > 2 t/ha.

As quantidades de nitrogênio a aplicar variam, basicamente, em função do teor de matéria orgânica do solo e da expectativa de rendimento de grãos da cultura, a qual é função do grau de utilização dos fatores de produção e das condições climáticas, que, em conjunto, estabelecerão o potencial de produção da lavoura. A dose de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 e 20 kg/ha, dependendo da faixa de rendimento esperado. O restante deve ser aplicado em cobertura, completando o total indicado na Tabela 13.

A aplicação de nitrogênio em cobertura deve ser realizada, preferentemente, no início do perfilhamento, correspondendo, em geral, ao período entre 30 e 45 dias após a emergência. Na indicação da dose de N em cobertura, ainda devem ser considerados, além do teor de matéria orgânica do solo e do rendimento esperado, a cultivar, o tipo de solo (pH, textura), as condições climáticas ocorridas (temperatura, precipitação pluvial), a cultura anterior (gramínea, leguminosa), o comportamento da cultura na área em anos anteriores, o desenvolvimento da lavoura, o histórico da lavoura (rotação, pousio), o sistema de manejo de solo (convencional, plantio direto), a erosão, o controle das doenças da parte aérea, etc. A opção para rendimento de grãos superiores a 2 t/ha implica, em geral, na utilização de doses mais elevadas de N, sendo, nesse caso, muito importante utilizar cultivares de porte baixo e que apresentem menor suscetibilidade ao acamamento. Nos solos ou nas regiões onde a incidência de acamamento é comum, sugere-se utilizar, como precaução, as doses de N da coluna A da Tabela 13.

No sistema plantio direto, na opção de se cultivar trigo nas restevas de soja, ou de milho, sugere-se que aquele cereal seja cultivado após a cultura da soja, pois tem-se observado que, para as mesmas doses de N aplicadas, o rendimento de trigo é superior quando este é cultivado após a soja.

A época de semeadura pode interferir no grau de acamamento das cultivares. Semeaduras precoces, estendendo o período vegetativo da cultura, podem refletir-se em aumentos na estatura da planta, ampliando os riscos de acamamento.

Para as doses mais elevadas, pode-se optar pelo fracionamento em duas aplicações: no início do perfilhamento e, o restante, no início do alongamento. Aplicações tardias de N em cobertura, após a fase de emborrachamento, são ineficientes.

Além da observância do estádio da planta (perfilhamento/alongamento) e da época da aplicação de nitrogênio em cobertura, é importante levar em conta ainda os seguintes fatores: umidade do solo, temperatura do ar e ocorrência de vento.

  • Umidade do solo – como na aplicação em cobertura o fertilizante é colocado na superfície do solo, há necessidade de que ele seja dissolvido e transportado pela água para o interior do solo. Dessa forma, a aplicação só deverá ser feita quando o solo apresentar umidade suficiente para que esses processos (dissolução e transporte no solo) possam ocorrer. Em qualquer circunstância, o melhor momento de aplicação seria antes de uma precipitação pluvial de média intensidade, pois a dissolução e o transporte de N para as raízes serão rápidos, evitando-se, assim, perdas por volatilização de amônia. Outrossim, precipitações pluviais prolongadas ou de alta intensidade podem propiciar perdas por lixiviação ou por escoamento superficial.

Se, durante o perfilhamento até o final do alongamento, o solo não apresentar umidade suficiente, sugere-se suspender a aplicação, pois os efeitos do nitrogênio serão insignificantes.

  • Temperatura do ar e vento – em função das reações que ocorrem com o fertilizante nitrogenado ao ser dissolvido pela água e das possíveis perdas de N por volatilização, sugere-se aplicar o fertilizante nas horas menos quentes do dia. Para propiciar distribuição uniforme a lanço, períodos com ventos fortes devem ser evitados.

As principais fontes de nitrogênio são a uréia e o sulfato de amônio. A eficiência agronômica desses fertilizantes para trigo é idêntica. Por essa razão, recomenda-se utilizar a fonte que apresentar o menor custo por unidade de N.

Fósforo

Na Tabela 14, são apresentados os valores de fósforo extraível do solo pelo método de Mehlich-I e as respectivas faixas de interpretação do teor de P do solo, em função de classes texturais. O limite superior da classe “médio” é considerado o nível crítico de fósforo no solo. Abaixo desse valor, aumenta a probabilidade de ocorrência de limitações no desenvolvimento da cultura. Os valores de fósforo no solo considerados “altos” correspondem aos níveis para o máximo desenvolvimento da cultura.

Tabela 14. Interpretação dos teores de fósforo do solo (método de Mehlich-I) para as principais culturas, RS/SC

Interpretação do teor de P no solo Classe de solo1
1 2 3 4 5
  ——————— mg P/L ———————
Limitante £ 1,0 £ 1,5 £ 2,0 £ 3,0 £ 4,0
Muito Baixo 1,1-2,0 1,6-3,0 2,1-4,0 3,1-6,0 4,1-8,0
Baixo 2,1-4,0 3,1-6,0 4,1-9,0 6,1-12,0 8,1-16,0
Médio 4,1-6,0 6,1-9,0 9,1-14,0 12,1-18,0 16,1-24,0
Suficiente > 6,0 > 9,0 >14,0 >18,0 >24,0
Alto > 8,0 >12,0 >18,0 >24,0 >30,0

1 Classe 1:  > 55 % de argila e/ou solos Erexim, Durox, Vacaria, Santo Ângelo, Aceguá, Pouso Redondo, Boa Vista etc 

Classe 2:  41 a 55 % de argila e/ou solos Passo Fundo franco-argiloso e argiloso, Estação, Ciríaco, Associação Ciríaco-Charrua, São Borja, Oásis, Vila, Farroupilha, Rancho Grande, Içara etc. 

Classe 3:  26 a 40 % de argila e/ou solos Passo Fundo franco-arenoso e arenoso, Júlio de Castilhos, São Jerônimo, Alto das Canas, São Gabriel, Canoinhas, Jacinto Machado, Lages etc. 

Classe 4:  11 a 25 % de argila e/ou solos Cruz Alta, Tupanciretã, Rio Pardo, Camaquã, Bagé, Bexigoso, Pelotas, São Pedro, Santa Maria, Pinheiro Machado etc. 

Classe 5:  ≤ 10 % de argila e/ou solos Bom Retiro, Tuia, Vacacaí etc. 

Para o enquadramento dos solos nas classes 1 a 5, considera-se, além do teor de argila, a Unidade de Mapeamento a que pertencem. Os solos Ciríaco, Associação Ciríaco-Charrua, Vila, São Borja, Farroupilha e Oásis enquadram-se na classe 2, em função das relações entre o teor de P no solo e o desenvolvimento das culturas. Esses solos apresentam elevado teor de silte e, se fossem classificados unicamente pelo teor de argila, deveriam ser enquadrados na classe 3, o que não corresponderia ao seu real comportamento com relação à disponibilidade de P do solo.

As doses de fósforo para a obtenção do máximo retorno econômico, por cultivo, para a cultura de trigo, são apresentadas na Tabela 15.

Tabela 15. Recomendação de adubação fosfatada para a cultura de trigo, RS/SC

Interpretação
do teor de
P no solo
Classe de solo
1 2 3 4 5
Cultivo
  ————————- kg P2O5/ha1 ———————–
Limitante 150 95 65 140 80 50 130 70 40 130 70 40 140 80 50
Muito baixo 120 90 60 110 70 40 100 60 R 100 60 R 110 70 40
Baixo 90 65 R 80 50 R 70 40 R 70 40 R 80 50 R
Médio 70 R R 60 R R 50 R R 50 R R 60 R R
Suficiente 50 R R 40 R R 30 R R 30 R R 40 R R
Alto £30 £R R £30 £R R £20 £R R £20 £R R £30 £R R

1 As quantidades referem-se a P solúvel em citrato neutro de amônio + P solúvel em água ou em ácido cítrico a 2 % (relação 1:100), dependendo do tipo de fertilizante.

Valor R (reposição): expectativa de rendimento < 2 t/ha, 30 kg P2O5/ha; expectativa de rendimento > 2 t/ha, 50 kg P2O5/ha.

Um dos componentes do cálculo que pode exercer influência direta nas doses, visando a máximos retornos econômicos, é a relação de preços entre o fertilizante fosfatado e o produto (trigo). Na Tabela 15, considerou-se a relação de preços (kg P2O5/kg de trigo) correspondente a 2,5. Essa relação de preços é considerada favorável, com base nos preços praticados nos últimos 20 anos. Estudos têm indicado que podem ser adotados coeficientes de ajuste nas doses, correspondentes a 0,85, 0,7 e 0,6, se as relações de preços forem, respectivamente, 3,0, 3,5 e 4,0. Nesse caso, as doses de P da Tabela 15 devem ser multiplicadas pelo coeficiente de ajuste.

Potássio

As doses de potássio indicadas para a obtenção do máximo retorno econômico para a cultura de trigo, bem como a interpretação dos valores de K trocável do solo (método de Mehlich-I), são apresentadas na Tabela 16.

Tabela 16. Recomendação de adubação potássica para a cultura de trigo, RS/SC

Teor de
K no solo
Interpretação
do teor
Adubação potássica / cultivo
— mg/L — ————- kg K2O/ha ————-
£20 Limitante 130 80 60
21-40 Muito baixo 100 60 R
41-60 Baixo 70 R R
61- 80 Médio 40 R R
81-120 Suficiente 20 R R
>120 Alto £ 20 £ R R

Valor R (reposição): expectativa de rendimento < 2 t/ha, 35 kg K2O/ha; expectativa de rendimento > 2 t/ha, 60 kg K2O/ha.

Com referência às classes de interpretação dos valores de potássio no solo, considera-se o teor de 80 mg/L como o valor abaixo do qual aumentam as possibilidades de redução no desenvolvimento das culturas, sendo, portanto, esse o nível crítico de potássio no solo.

Manuseio das tabelas de recomendação de fósforo e de potássio

No uso das tabelas de recomendação de fósforo e de potássio, é importante identificar a cultura de trigo na seqüência de utilização da lavoura. Há necessidade, em primeiro lugar, de se estabelecer o programa de uso do solo, ou seja, a sucessão de culturas desejada para três cultivos seqüenciais. Admitindo-se, por exemplo, uma sucessão trigo-soja-milho, o trigo corresponderia, nesse caso, à primeira cultura do sistema, e a recomendação deverá ser referente ao primeiro cultivo, nas Tabelas 15 e 16. As doses de P e de K para os demais cultivos integrantes do sistema, da mesma maneira que para o trigo, serão extraídas das recomendações específicas para cada cultura (soja – 2º cultivo, e milho – 3º cultivo). Os valores de reposição (R) indicados foram calculados levando-se em consideração as reações do nutriente no solo e as quantidades de nutrientes removidas pelas colheitas. No 2º e 3º cultivos (ou anos), recomenda-se utilizar o valor R quando este for superior ao valor indicado nas tabelas.

Para permitir o ajuste nas recomendações de fertilizantes em função de diferentes formulações existentes nas regiões produtoras, admite-se uma variação de ± 10 % das quantidades recomendadas nas Tabelas 15 e 16.

Adubação orgânica

As recomendações de adubação prevêem a utilização, isolada ou conjugada, das adubações orgânica e mineral como fontes de suprimento de nutrientes às plantas. Informações sobre a utilização de adubos orgânicos constam no boletim “Recomendações de Adubação e de Calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina”, 3ª edição, 1995, Tabela 9, 10, 11 e 12.

Adubação com fertilizantes organominerais

Na utilização de fertilizantes organominerais, a dose a aplicar deve ser calculada com base nos teores de N, de P2O5 e de K2O, determinados pelos métodos de análise constantes da legislação que regulamenta o comércio desses produtos. A opção por esse tipo de fertilizante, em relação aos demais existentes no mercado, deve ser feita levando em consideração o custo da unidade de NPK do fertilizante entregue na propriedade. Para a cultura de trigo, os dados existentes têm demonstrado que esses produtos não têm sido economicamente vantajosos.

Adubação foliar

Os resultados de pesquisa obtidos até agora, com vários tipos de fertilizantes foliares, indicam não haver vantagem econômica da sua utilização na cultura de trigo.

Enxofre e gesso agrícola

Com referência ao uso de gesso agrícola, os resultados de pesquisa indicam não haver resposta de trigo a esse produto.

No caso de comprovação de deficiência de enxofre, através da análise de solo, utilizar cerca de 20 a 30 kg de enxofre por hectare. Resultados de análises de solo indicam que, em solos arenosos e com baixo teor de matéria orgânica, há maior probabilidade de ocorrência de deficiências de enxofre.

O gesso representa uma fonte para o suprimento de enxofre e de cálcio às plantas. A decisão quanto à utilização desse produto deve levar em conta o custo dos demais fertilizantes que contêm enxofre. Entre as alternativas, diversas fontes de fósforo, incluindo o superfosfato simples, apresentam cálcio e enxofre na sua composição.

Micronutrientes

Os solos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina são, em geral, bem supridos de micronutrientes, zinco, cobre e boro, sendo incomum a constatação de deficiências.

Devido à diversidade de fatores que influenciam a disponibilidade de micronutrientes para as plantas, sua utilização deve ser cautelosa e acompanhada de assessoramento técnico.

Fonte: http://www.cnpt.embrapa.br/culturas/trigo/rcsbpt00/calagem.htm

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