Adubação de Café

0
784

Produtividade esperada: 30 sacas de café beneficiado/ha

Espaçamento: 3,0 a 4,0 m x 0,5 a 1,5 m (variável em função da variedade, topografia, fertilidade do solo, n° de plantas/cova etc).

Amostragem do solo: antes da implantação da lavoura, efetuar uma amostragem de 0 a 20 cm e outra de 20 a 50 cm, na mesma perfuração, que orientará sobre um manejo diferenciado de correção. Em lavouras já implantadas, efetuar amostragens separadas, aproximadamente no meio da faixa adubada e no meio da rua, à profundidade de 0 a 20 cm, antes da arruação (com intervalos superiores a 20 dias após a última adubação) ou após a esparramação do cisco. A intervalos maiores, de aproximadamente 3 anos, podem-se colher, também, amostras de 20 a 50 cm, na faixa adubada, que permitirão verificar a movimentação dos nutrientes e seu efeito no sistema radicular.

Calagem: a quantidade de calcário dolomítico a ser aplicada na implantação da lavoura pode ser obtida pelo critério do Al e Ca + Mg trocáveis, aplicando-se a fórmula NC = Al x Y + [3 – (Ca + Mg) ], incorporando-se o calcário o mais profundamente possível por meio da aração e gradagem, corrigindo-se a quantidade em função da profundidade e o PRNT a 100%. Na cova de plantio, com dimensões de 0,40 x 0,40 x 0,40 m, utilizar 32 g/cova de calcário para cada tonelada recomendada, ou corrigir esta quantidade para o tamanho do sulco, quando se fizer a aplicação por metro linear. Em lavouras já implantadas, o calcário poderá ser aplicado em área total, se necessário, observando-se o resultado da análise do meio da rua, ou especialmente aplicado de forma localizada, na área das adubações ou projeção da copa e, neste caso, a dose recomendada deverá ser proporcional à área e profundidade de incorporação. Quando se pretende uma resposta mais rápida em lavouras implantadas, pode-se usar um calcário calcinado, em aplicação localizada, na área da adubação. Deve-se utilizar um calcário com relação Ca:Mg em torno de 4:1.

Uso do gesso agrícola: na melhoria do ambiente radicular, sempre com base no conhecimento das características químicas e na textura, não apenas da camada arável, mas, também, das camadas sub-superficiais. Uma sugestão, como base para essa tomada de decisão, recomenda-se que as camadas sub-superficiais do solo apresentem as seguintes características: £ 0,3 meq/100 cm3 ou cmolc/dm3 de Ca e/ou ³ 0,5 meq/100cm3 ou cmolc/dm3 de Al e/ou ³ 30 % de saturação de Al da CTC efetiva. Constatada a justificativa do uso do gesso agrícola, as doses sugeridas são: para solos arenosos = 0,5 t/ha; para solos de textura média = 1,0 t/ha, e para solos argilosos = 1,5t/ha. É essencial o acompanhamento das alterações químicas por meio de análises nas camadas de 0 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm, principalmente para se avaliarem os possíveis desbalanços nutricionais para magnésio e potássio em relação ao teor de cálcio. O uso do gesso agrícola com calcário magnesiano ou dolomítico minimiza possíveis desbalanços nutricionais, em termos de magnésio trocável. A aplicação do gesso agrícola deve ser feita a lanço, na mesma época em que se proceder à calagem, seguindo-se a incorporação com aração e gradagem.

Adubação orgânica: Os adubos orgânicos disponíveis podem ser usados, considerando-se os nutrientes neles contidos, conforme as opções:

Fonte kg/cova L/cova
Esterco de curral 3-5 10-20
Esterco de galinha 1-2 2-4
Torta de mamona 0,5-1,0 1-2
Palha de café 1-2 4-8

Observação:

  • uso de matéria orgânica na cova de plantio, excluindo-se o esterco de curral curtido, exige, para o uso de outras fontes, um intervalo de 30 a 60 dias entre o preparo da cova e o plantio do cafeeiro.

Adubação para a produção de mudas: cada m3 de substrato deve conter:

  • 700 L de terra peneirada;
  • 300 L de esterco de curral curtido e peneirado, ou 80 L de esterco de galinha, ou 10 a 15 L de torta de mamona. As duas últimas fontes são utilizadas quando os solos forem de textura média, devendo a semeadura, neste caso, ser efetuada 30 a 40 dias após o preparo da mistura;
  • 1,0 kg de P2O5 (de preferência na forma de superfosfato simples);
  • 0,3 kg de K2O.

Adubação mineral:

A – Adubação para a formação do cafezal:

a) Adubação de plantio: Doses de fósforo e potássio por cova ou metro de sulco, em função dos teores existentes no solo:

N (g em cobertura, por aplicação) Quantidade (g/cova)
Teor de P no solo    Teor de K no solo
Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto Muito Alto
(<5) (6-10) (>10) (<60) (60-120) (120-200) (>200)
P2O5 K2O
2 60 40 20 30 20 10 0

Observações:

  • Aplicar o nitrogênio em cobertura, a intervalos de 45 dias, a partir do plantio até o final das chuvas, evitando-se atingir a planta.
  • A adubação potássica pode ser feita em cobertura, dividindo-se a dose em 2-3 aplicações.
  • Sugere-se o uso de 300-400 g/cova de fosfato natural (15-20 g/cova de P2O5 solúvel), completando-se a dose recomendada com uma fonte solúvel em água. Incorporá-los à terra de enchimento da cova juntamente com os adubos orgânicos e minerais, o calcário adicional da cova e o gesso agrícola, na quantidade de 200 a 300 g/cova, nos solos que apresentarem, na camada subsuperficial, teores baixos em cálcio e/ou altos em alumínio.
  • Quando as fontes de P e N não contiverem enxofre, deve-se adicioná-lo, através de outra fonte que o contenha, na quantidade de 12 g de S por cova.
  • suprimento de Zn e B pode ser feito por via foliar após o plantio ou adicionado à terra de enchimento da cova, nas quantidades de 5g de borax de 5 ou 10 g/cova de óxido ou sulfato de zinco, respectivamente.

b) Adubações 1° a 2° anos pós-plantio:

Idade N (g em cobertura, p/aplicação) Quantidade (g de K2O/aplicação)
Teor de K no solo (ppm)
Baixo Médio Alto Muito Alto
(<60) (60-120) (120-200) (> 200)
1° ano pós-plantio 4-8 8 4 2 0
2° ano pó-plantio 8-16 16 8 4 0

Observações:

  • Fazer quatro aplicações dos fertilizantes, de outubro a março, a intervalos de 45 dias.
  • Se a lavoura apresentar perspectiva de produção já no 2° ano pós-plantio, adotar as recomendações a seguir, para lavouras em produção.

B – Adubação para lavouras em produção: com a lavoura já em produção a partir do 3° ano pós-plantio, sugere-se:

Produtivida de, em sacas beneficiadas p/100 covas Quantidade (g/cova)
N P2O5

Teor de P no solo

   K2O

Teor de K no solo

Baixo Médio Alto Baixo Médio Alto Muito Alto
<5 6-10 >10 <60 60-120 120-200 >200
<5 75 20 10 70 50 35 15
5-10 90 25 12 80 60 40 20
10-15 105 30 15 100 75 50 25
15-20 120 40 20 110 100 65 30
20-25 130 45 25 130 110 75 40
30-40 160 50 25 170 130 85 45

Observações:

  • Para espaçamentos inferiores a 1,0 m entre plantas, na mesma linha, reduzir a adubação proposta em 20%; para espaçamentos entre-linhas inferiores a 2,0 m, reduzir a adubação, também, em 20 % e, quando ocorrerem os dois casos simultaneamente, reduzí-la em 30%.
  • enxofre deverá ser fornecido através dos adubos utilizados; caso contrário, deverá ser adicionado na quantidade de 1/8 da dose de N utilizada.
  • Parcelar os nutrientes: o P poderá ser aplicado, totalmente, na primeira cobertura; o K, em 2 ou 3 aplicações, e o N, em 3 ou 4 parcelas, no período de outubro a março.
  • Os adubos devem ser aplicados na superfície do solo, da extremidade do ramo para o interior do cafeeiro, com o solo úmido.
  • Os adubos orgânicos podem ser usados, considerando-se os nutrientes neles contidos, com complementação através de adubos minerais; devem ser aplicados em cobertura, sob a saia do cafeeiro, ou enterrados em covas ou sulcos na projeção da saia. A palha de café não deve ser enterrada.
  • Em solos deficientes em B, aplicar, na superfície do solo, 15 a 20 g de borax, ou 10 a 15 g de ácido bórico por cova/ano, no início do período chuvoso. Para novas aplicações, efetuar a análise foliar, evitando-se, assim, o efeito fitotóxico. Em solos com teores intermediários, o suprimento pode ser feito por via foliar, em 2 a 4 aplicações, com solução contendo 0,3 a 0,5% de ácido bórico.
  • Em solos com textura arenosa a média, e pobres em Zn, deve-se aplicar 20 a 30 g de sulfato de zinco, ou 10 a 14 g de óxido de zinco em cobertura, no início da chuva. Em solos argilosos, o suprimento deve ser feito por via foliar, através de 2 a 4 aplicações anuais e espaçadas, com solução de sulfato de zinco na concentração de 0,3 a 0,5%. A adição de KCl 0,5% à calda de sulfato de zinco, melhora a absorção de Zn.
  • A pulverização com fungicidas cúpricos fornece cobre satisfatoriamente, devendo ser usada em cafeeiros implantados em solos deficientes.

Adubação para cafeeiros podados:

  • Lavoura recepada ou esqueletada: no ano agrícola após a poda (geralmente efetuada no fim do inverno e início da primavera) observar a qualidade das brotações. Se foram fracas, utilizar a mesma adubação recomendada para o 2° ano pós-plantio.
  • No 2° ano agrícola após a poda, por já se apresentarem perspectivas de produção, seguir as sugestões de adubação para lavouras em produção.
  • Lavouras decotadas: por não haver interrupção na produção, seguir as sugestões de adubação para lavouras em produção.

 Fonte: http://www.cientec.net/cientec/InformacoesTecnicas_Irriga/Solo_Adubacao_Cafe.asp

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here