A Raça Assaf: Melhoramento Sem Preconceitos

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A raça Assaf é uma raça sintética, assim como a Dorper. A Assaf é o resultado do cruzamento das raças Awassi, originária do Oriente Médio e da alemã/holandesa Ostfriesisches Milchschaf, ou East Friesian ou “aportuguesando” Frísia do Leste.

A raça Awassi tem origem controversa, mas aparentemente é iraquiana e espalhou-se para os países vizinhos. Os israelenses fizeram um intenso trabalho de seleção para conformação de úbere e produção de leite nessa raça, até que ela se tornasse uma das principais raças leiteiras no mundo. Há quem afirme que a Awassi Melhorada (Improved Awassi) já é a raça ovina que mais produz leite. Por outro lado, as ovelhas East Friesian já eram conhecidas há séculos por sua alta produção leiteira e sua incrível prolificidade.

Pesquisador da EPAMIGPois bem, as ovelhas Awassi, adaptadas ao clima e vegetação do deserto, com suas caudas gordas (um macho adulto pode ter mais de 10 quilos de gordura na cauda) são criadas extensivamente, na tradição dos povos do Oriente Médio. As East Friesian são consideradas ovelhas de quintal, de criações pequenas e cuidados individualizados. Com o intuito de produzir leite em sistemas mais intensivos e de melhorar a prolificidade das Awassi, pesquisadores Israelenses iniciaram, na década de 1950, cruzamentos entre as duas raças.

Ninguém estava preocupado com o tamanho da orelha, com a cor da lã, com a cor dos cascos ou presença de chifres, o objetivo era produzir leite e bons cordeiros para abate.

O resultado disso é que as ovelhas Assaf são bem feias, boas leiteiras e boas parideiras. Uma ovelha Assaf produz de 400 a 600 litros por lactação (padronizada em 210 dias), uma média diária de 2,7 litros nos sistemas intensivos. A raça se adapta bem aos sistemas semi intensivos e tem muito baixa estacionalidade. A média de cordeiros é de 1,6 por parto, parecida com a da nossa Morada Nova. Isto fez com as Assaf fossem cobiçadas por todos os interessados em produzir leite de ovelha no mundo e a raça foi exportada para diversos países (dizem que até para o Peru e o Chile), mas especialmente para Portugal e Espanha.

Recentemente os israelenses introduziram o gene FecB (o gene da prolificidade dos Merinos Booroola) nas Awassi Melhoradas e nas Assaf, gerando as linhagens Afec Awassi e a Afec Assaf. Isto elevou a prolificidade em ambas as raças para 2 cordeiros por parto, em média. Pois é isso mesmo, cruzaram Merino Booroola com os dois xodós da ovinocultura israelense e ninguém deu chilique. Aliás só se aplaudem as atitudes desses pesquisadores e cada vez mais os produtores de leite ovino cobiçam as duas raças trabalhadas em Israel. Isto tudo é fruto de objetividade e trabalho árduo.

Tanto em Israel como na Espanha, onde há pouco tempo a raça Assaf foi reconhecida, o trabalho continua. As lactações são controladas e a seleção é feita de acordo com a produção e a lucratividade desses animais. Ninguém duvide que, se alguma outra característica importante tiver que ser incorporada ou melhorada nas Assaf e nas Awassi, os israelenses lançarão mão de novos cruzamentos e mais seleção.

Enquanto isso, no reino dos brasucas, certamente há interessados em importar “Assafs” e “Awassis” de algum lugar, mas quando esses animais chegarem aqui vão inventar regras e padrões que nada têm a ver com a produtividade e a lucratividade dos animais, e acima de tudo irão “proteger” a pureza da raça, para depois de muitos anos se vangloriarem, como fazem alguns criadores de raças bovinas, de terem o rebanho mais puro que no próprio país de origem, mesmo que isso não sirva para nada.

Octávio R. Morais
Pesquisador da EPAMIG

Fonte: http://www.farmpoint.com.br

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