A comunicação do setor cafeeiro na onda da Internet

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Portal DBO

Sérgio Parreiras Pereira

A comunicação, com o advento da Internet, vem sofrendo alterações em seus padrões que não eram observadas desde o surgimento da imprensa a partir dos inventos de Gutenberg na Alemanha do século XV, quando se introduziu a forma moderna de impressão que possibilitou a divulgação muito mais rápida de livros e jornais.
A Internet é considerada o mais completo meio de comunicação já concebido pela tecnologia humana, pois une ferramentas de comunicação em massa com interatividade. A grande diferença está na interatividade que possibilita ao receptor tornar-se editor de conteúdo, incorporando ao cidadão comum oportunidade de efetivamente participar do jogo. São estabelecidas conexões de vias duplas, onde todos podem construir, dizer, escrever, falar e serem ouvidos, vistos, lidos. Passamos a viver a democratização da edição e da difusão do conhecimento por meio da desobstrução dos canais de comunicação.
Mas e o café, onde entra? O setor cafeeiro vem experimentando a comunicação dialógica proporcionada pela Internet por meio da Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira, na plataforma de redes sociais Peabirus. Esta é uma ferramenta de mídia social que possibilita a integração daqueles que possuem interesses comuns, no caso, o café.
Criada em 2006, muito antes da explosão do Twitter, Facebook e Orkut, a “comunidade do café” vem desenvolvendo efetivamente a construção coletiva do conhecimento, por meio da ação colaborativa de seus mais de 1.300 integrantes. O usuário passa da posição de mero leitor para uma posição construtivista, participando da elaboração do conteúdo que fica acessível via Internet. Informações e conhecimento do setor cafeeiro que trafegavam em caminhos unidirecionais, hoje debatidas e enriquecidas participativamente, tornam-se a inteligência coletiva cafeeira.
Temas como manejo de lavoura, póscolheita, gestão de propriedades, nutrição mineral, pragas e doenças, economia, mercado, dentre outros, são pautas que vem sendo trabalhadas via rede. Facilita-se a troca de informações e do conhecimento a partir do debate e da crítica, aprendendo e ensinando simultaneamente. Essa nova dinâmica amplia os fluxos de informação, de diálogo e de influência recíproca entre os distintos setores e, principalmente, entre seus atores sociais.
Recentemente, a “comunidade” completou a marca de um milhão de acessos, consolidando-se como uma das mais importantes dentre àquelas voltadas ao setor agropecuário. Desde sua criação, seu fórum recebeu mais de três mil postagens, dos mais diferentes temas cafeeiros, sendo que vários destes chegam a receber em torno de quarenta comentários dos integrantes.
A comunidade se contrapõe ao sistema tradicional de difusão do conhecimento, em que a academia é incentivada apenas à produção científica via revistas indexadas e os pesquisadores focam mais em seus currículos Lattes do que na geração de tecnologias para o setor agropecuário. De forma espontânea e colaborativa, temos unido conhecimento científico gerado em universidades e centros de pesquisa aos saberes populares de quem vive o dia a dia da produção cafeeira. Articulamos o diálogo entre renomados pesquisadores e cafeicultores das mais distantes regiões cafeeiras, uma vez que a comunidade rompe barreiras geográficas, temporais, financeiras e culturais.
Acreditamos na construção e disseminação de saberes globais, baseados no acesso à informação democratizada e sua constante atualização. Devemos ampliar o relacionamento com o público de referência, pois de nada adianta os investimentos em ciência e tecnologia que não chegam aos campos. Em nossa “comunidade” ocorre uma troca dinâmica de informações que visam incentivar a incorporação das tecnologias geradas pela pesquisa e colocar a cadeia produtiva do café dentro do moderno contexto da sociedade da informação. Construímos praças publicas onde antes só haviam jardins murados. Emerge o capital social baseado na confiança, cooperação e inovação que são desenvolvidas pelos indivíduos, facilitando o acesso à informação e ao conhecimento. Vivemos a era da inteligência coletiva cafeeira. Resta saber o quanto essa revolução poderá influenciar o nosso futuro, o futuro do setor cafeeiro.
Saudações cafeeiras!
* O autor é Pesquisador Científico do Centro de Café ‘Alcides Carvalho’ / Instituto Agronômico (IAC) e mediador da comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira no PEABIRUS.
Fonte: http://www.cncafe.com.br/artigos_ler.asp?id=9728&t=5&counter=2

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