A cadeia produtiva do trigo no Brasil: um breve relato

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No primeiro nível da cadeia temos as indústrias de insumos agrícolas. São elas: sementes, corretivos, máquinas e implementos, defensivos agrícolas e fertilizantes. Em 2002, conforme quantificação realizada por meio do levantamento do faturamento dessas indústrias com as vendas para a cadeia do trigo, esse segmento representou um faturamento de R$1,081 bilhão (sementes – R$ 77 milhões; corretivos R$ 3 milhões; defensivos R$ 212 milhões; máquinas e implementos R$ 492 milhões; fertilizantes R$ 297 milhões). No mesmo ano, a produção rural foi quantificada por meio da multiplicação da produção de trigo da safra 2001/2002 (2.913.900 toneladas e seu preço médio). Assim, o montante obtido com a comercialização daquela safra foi de R$ 1,152 bilhão. A diferença (R$ 71 milhões) entre o valor movimentado pelo segmento de insumos agrícolas (R$ 1,081 bilhão) e a produção rural (1,152 bilhão) é resultado da agregação de serviços, mão-de-obra e margem de lucro de um nível para outro. No mesmo nível da produção de trigo encontram-se as importações de trigogrão.

A produção nacional não é suficiente para suprir as necessidades internas. Portanto, grande parte do trigo utilizado pelos moinhos é proveniente de outros países. No ano de 2002, as importações de trigo somaram R$ 2,634 bilhões. O nível seguinte, dos moinhos, representa o primeiro processo de industrialização (produção de farinha de trigo) e foi quantificado por meio do levantamento do faturamento dos moinhos em 2002 (R$ 5,850 bilhões) e a produção rural juntamente com as importações de trigo grão (R$ 3,786 bilhões), correspondendo ao valor agregado pelos serviços, mão-de-obra, energia e margem de lucro realizado pelo setor moageiro. Por sua vez, no abastecimento da indústria alimentícia, além da farinha de trigo produzida pelos moinhos, também ocorre a importação de uma pequena quantidade de farinha, farelo e misturas, representando um montante de R$ 120 milhões em 2002. Ressalta-se que, até esse ponto de cadeia, os valores obtidos para quantificação do sistema são referentes aos montantes movimentados diretamente com o produto trigo . A partir desse ponto da cadeia, a quantificação foi realizada por meio do levantamento do faturamento dos diferentes setores presentes no sistema. No entanto, esse faturamento não é limitado ao produto trigo , pois existem outros componentes agregados aos produtos (açúcar, sal, fermento, aditivos, embalagens, entre outros). Também é importante salientar que a partir desse ponto não é mais possível inferir o valor agregado com serviços, mão-de-obra e margem de lucro, por meio da diferença de faturamento de um nível para outro. Isso ocorre devido ao fato de a distribuição dos produtos não se dar linearmente de um nível para outro, e sim de diversas formas. Em 2002, a indústria de alimentos faturou R$ 7,896 bilhões (massas R$ 2,361 bilhões; panificação R$ 2,055 bilhões; biscoitos R$ 3,480 bilhões). O faturamento do setor atacadista foi de R$ 2,1 bilhões e o do setor varejista, R$ 16,34 bilhões (auto-serviço R$ 5,42 bilhões; padarias R$ 6,6 bilhões, refeições coletivas R$ 4,32 bilhões). Assim, com o intuito de quantificar o valor movimentado internamente pelo eixocentral da cadeia, somou-se o faturamento dos seus níveis principais: insumos agrícolas (1,086 bilhão), produção rural e importações (R$ 3,786 bilhões), moagem (R$ 5,97 bilhões), indústria de alimentos (R$ 7,896 bilhões), atacado (R$ 2,1 bilhão), e varejo (R$ 16,34 bilhões). O resultado final indicou que, em 2002, o eixo-central da cadeia do trigo no Brasil movimentou aproximadamente R$ 37 bilhões.

Paralelamente, em 2002, o governo federal recolheu um montante de aproximadamente R$ 1,8 bilhão com a tributação dos agentes participantes da cadeia do trigo.

Esses tributos (PIS/Pasep; Cofins e CPMF em cascata), recolhidos em 2002, estão distribuídos na seguinte forma entre os elos produtivos da cadeia (não estão inclusos aqui os setores de distribuição): insumos Agrícolas: US$ 30,6 milhões (setor de sementes US$ 2,5 milhões; corretivos – US$ 70 mil; defensivos US$ 6 milhões; máquinas e implementos US$13,5 milhões; fertilizantes 8,5 milhões); insumos para moinhos: US$ 47,2 milhões (setor de plásticos flexíveis US$ 21 milhões; papelão ondulado US$ 640 mil; açúcar US$ 17 milhões; sal US$ 790 mil; fermento US$ 5,5 milhões; oxidantes US$ 740 mil; Enzimas US$ 1,5 milhão); produção rural: US$ 11 milhões; moinhos: US$ 181 milhões; indústria de Alimentos e Rações: US$ 1,5 bilhão: (setor de massas USS 76 milhões; panificação US$ 66,5 milhões; padarias US$ 665 milhões; biscoitos US$ 113 milhões; ração animal US$ 553 milhões).

Para a produção rural o trigo apresenta significativa importância. Como cultura de inverno, fica evidente que o cereal reduz a ociosidade do investimento terra, podendo propiciar duas culturas aos produtores, e, mais do que isto, dar melhor uso para sua mão-deobra, máquinas, infra-estrutura de armazenagem e outros investimentos. Só como exemplo, a utilização do trigo em rotação de culturas, pode reduzir em 15% o custo de produção da soja, isso devido ao aumento da fertilidade do solo, diminuição de invasoras, entre outros fatores.

Outro ponto importante a ser destacado é a oportunidade de emprego no ramo da agricultura. Entre 2001 e 2002 a oportunidade de emprego no trigo cresceu 14,8%, contra uma média de 4,7% nas culturas do agronegócio brasileiro. Estimava-se que a agricultura empregava 108.000 famílias de produtores e mais de 200.000 empregos indiretos foram gerados em 83.000 propriedades rurais.

Fonte: http://www.fee.tche.br/3eeg/Artigos/m06t02.pdf

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