A cadeia de produção de ovinos

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A carne ovina no mundo assume uma função social relevante, pois é fonte de proteína de origem animal para diversas regiões do globo. A raça de ovinos de corte inserida em regiões produtora de grãos, de frutas e de erva-mate tende a diminuir os custos da produção, pois os ovinos reciclam os nutrientes através dos seus dejetos e transformam os resíduos da lavoura em carne (ROCHA et. al., 2004).

De uma forma geral, a criação de ovinos se desenvolve de forma extensiva, com baixos níveis de tecnologia, produtividade e rentabilidade. Para competir no mercado mundial à atividade produtiva necessita de padrão racial, difusão tecnológica, assistência técnica e gerencial, estudos de mercados, capacitação dos produtores e sua articulação com os demais atores da cadeia produtiva. O alto custo do material genético, abates clandestinos, carência de laboratórios especializados e a baixa qualidade das peles fazem com que os produtores releguem a criação de ovinos a um segundo plano, pois os resultados são de difícil obtenção. (PILAR et. al, 2004)

A produção de carne ovina apresenta como maiores produtores mundiais: China, no entanto seu volume de consumo interno absorve toda a oferta abatida; seguida da Austrália e Nova Zelândia, que representam juntas 74% das exportações mundiais. Logo após encontram se a Turquia, Irã e Reino Unido. Vale observar que a França e o Reino Unido importam um quarto do total da produção de ovinos no mundo. Observando-se a atividade de produção de lã, verifica-se que a mesma está distribuída em cinco grandes grupos: o primeiro formado pela China (20% de toda a produção ovina); o segundo, formado pela Austrália e Nova Zelândia (8%); o terceiro composto por Irã (4,5%), Reino Unido (3,9%), Turquia (3,7%) e Espanha (3%); em quarto lugar, África do Sul, França, Estados Unidos, Mongólia e Grécia (acima de 1%); e o último grupo é formado pelo Brasil, Itália e Irlanda (com menos de 1%) (ROCHA et. al., 2004).

Outro aspecto importante a destacar refere-se ao fato de que todos os produtos derivados de lã, de excelente qualidade no mundo, devem possuir um selo de garantia de qualidade da Woolmark Company. Esta marca está registrada em mais de 140 países, sendo que a mesma encontra-se licenciada em 65 países produtores. O símbolo chama-se Woolmark sendo um selo de garantia de qualidade atribuído a todos os produtos que são feitos exclusivamente com lã nova e estão em conformidade com as rígidas normas de qualidade estabelecidas pela empresa. Os tecidos e confecções só poderão ostentar o selo de qualidade após passar por testes realizados pelo Secretariado Internacional da Lã. Tendo passado pelos mais rigorosos testes e adquirido o selo, os clientes podem ter a segurança de que estão levando um produto da mais alta qualidade (WOOLMARK COMPANY, 2005).

A exportação de lã pode ser realizada de duas formas: estado bruto ou produtos manufaturados (tops, fios e tecidos); abastecendo indústrias da Inglaterra, Alemanha e Itália principalmente, gerando uma média de US$ 80 milhões por ano e uma produção de 35 milhões de quilos. No entanto esta demanda não vem crescendo, pois com a expansão das fibras sintéticas ocorreu uma retração do consumo mundial de lã, pois se formaram amplos excedentes da fibra o que fez com que houvesse queda dos preços e drástica redução do efetivo ovino mundial (COIMBRA FILHO, 2005).

No caso específico brasileiro, no entanto, percebe-se que vem ocorrendo uma evolução na produção, abate e peso das carcaças (o país é considerado o 15º produtor mundial). Os responsáveis por esse crescimento destacam-se entre outros, a melhoria de pastagens, a alimentação e os investimentos na genética dos rebanhos. Todavia ainda há alguns limitantes para a ampliação produtiva deste setor, destacando-se à dificuldade em aquisição de crédito e o custo financeiro dos financiamentos.

No que tange a distribuição geográfica de ovinos no Brasil constata-se que, no ano de 2002, o nordeste é região maior produtora, com uma média de 48,14% da produção nacional; seguida, pela região sul com 41,98%. As regiões sudeste, norte e centro oeste possuem respectivamente 3,10%, 2,31% e 4,44% (EMBRAPA, 2002). A ovinocultura de corte do Brasil ainda é pouco desenvolvida devido a sua exploração extensiva no qual são utilizadas raças não especializadas; a dependência da vegetação nativa; práticas ainda rudimentares de manejo; pouca assistência técnica, gestão e organização da unidade produtiva. O mercado tradicionalmente tem sido abastecido com animais de peso vivo entre 28 e 30 kg aos 150 e 180 dias de idade (VERISSIMO, 2005).

O consumo do povo brasileiro ainda encontra restrições devido a sazonalidade do produto (concentrando a safra de cordeiros ao final do ano) e a baixa qualidade do produto, pois são abatidos rebanhos produtores de lã ou lã/carne. O Brasil é um dos importadores de cordeiro (carne) do Uruguai, podendo comprometer o emergente mercado de carne ovina brasileiro. O consumo per capita de carne de ovinos no Brasil gira em torno de 0,7kg, na Argentina em torno de 1,7kg e no Uruguai 12kg. Vale lembrar que no Rio Grande do Sul consome-se aproximadamente 2,5kg, porém, em Uruguaiana, Livramento e Alegrete passa de 31kg, enquanto que na Patagônia (Argentina) outra zona produtora, o consumo fica em torno de 11kg (ROCHA et. al., 2004).

Outro ponto importante seria a variação dos sistemas de produção viável para cada tipo de região, clima e solo brasileiro. Os rebanhos ovinos do Brasil representam apenas 1,7% do efetivo mundial. Levando-se em conta a extensão territorial brasileira, bem como as condições edafoclimáticas adequadas ao desenvolvimento da ovinocaprinocultura, os rebanhos são numericamente inexpressivos, especialmente quando relacionados com a criação de bovinos, cujo efetivo nacional é da ordem de 160 milhões de cabeças (NOGUEIRA FILHO et. al., 2004).

Apesar disso, para que o desenvolvimento ocorra com maior brevidade, ações conjuntas envolvendo o poder público, a iniciativa privada e os demais parceiros devem ser implementadas buscando a integração de todos os segmentos da cadeia produtiva. Para que se consiga imperar neste mercado globalizado, necessita-se desenvolver projetos cooperativos (NOGUEIRA FILHO et. al., 2004). Logo, as disputas entre produtores e abatedouros não podem chegar a ponto de gerar desabastecimento dos pontos de venda ou descuido na qualidade, sob pena de o consumidor desistir de adquirir este produto e procurar um produto alternativo (carne de frango, por exemplo).

Na última década, a indústria de carne de ovinos deixou de se caracterizar como mercado de subsistência e passou, em âmbito nacional, a ser considerado mercado de carnes exóticas, tendo como clientes em potenciais: grandes redes de supermercados, restaurantes e hotéis, lojas de conveniências, etc. A questão promocional assume grande importância, o marketing inicialmente deve se concentrar conforme as classes sociais (CARVALHO, 2004).

A maciez, suculência e o sabor determinam a qualidade da carne. Estas características estão relacionadas com o diâmetro médio das fibras musculares. Diâmetros elevados indicam maior proporção de massa muscular branda e relação ao tecido conjuntivo (ROCHA et. al., 2004, pg.10).

Particularmente no Rio Grande do Sul, de acordo com Coimbra Filho (2005), devido a crescente demanda por produtos ovinos, o número de empresários dispostos a investir na ovinocultura vem aumentando novamente. Esta atividade apresenta uma larga história no estado. No início do século 20 a ovinocultura era inexpressiva, desprotegida, incipiente e desorganizada, sendo sua carne utilizada para consumo das próprias estâncias e os pelegos como arreios, cama e cobertor. Com a 1ª Guerra Mundial, houve aumento do preço da carne e lã devido os conflitos que os países estavam passando. A partir de 1915, houve melhoria da qualidade dos ovinos e sua exploração tornou-se mais lucrativa e apreciável. Neste mesmo ano, surgiram as “Barracas” que nada mais eram do que locais depósitos e transação de lã. A disseminação no Rio Grande do Sul da ovinocultura foi realizada pelos barraqueiros. (BOFILL, 1996)

Após as três ultimas décadas: anos 70, 80 e 90; em que a ovinocultura teve respectivamente sua glória/ascensão, torna-se necessário pensar a respeito de mudar o foco no intuito de recuperar sua importância no cenário econômico regional. Para ser economicamente sustentável a ovinocultura necessita gerar excedente de produção. Aspectos antes pouco valorizados, como; segurança, higiene, qualidade e confiabilidade, especialmente no setor de alimentos, são cada vez mais importantes na decisão de compra. Sendo assim, deve-se identificar melhor o perfil do potencial consumidor.O conceito de competitividade em cadeias produtivas agropecuárias deve considerar o conceito estabelecido por Porter (1990), no qual compete-se por diferenciação, baixo custo e/ou foco. Para produtos com maior valor agregado, a competitividade é estabelecida a partir da crença em relação a sua diferenciação.

Para cadeias baseadas em commodities, a competitividade é estabelecida principalmente por baixos custos, permitindo lucro mesmo com preços baixos (CASTRO, 2000).

Para se estudar as cadeias produtivas, necessita-se de compreensão do todo, seguindo um enfoque sistêmico, os quais participam todos os segmentos da cadeia formando elos desse processo.

 Fonte: http://www.sober.org.br/palestra/6/642.pdf

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