Preço de insumos alimentares altos! Quais as estratégias nestas situações?

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Em 2008, estamos passando por situações de preços de insumos utilizados na alimentação muito altos. Uma maior utilização de cereais para produção de combustíveis, maior consumo de alimentos pela população de países asiáticos, baixos estoques mundiais, problemas nas jazidas de fontes minerais e aumento geral da demanda de produtos de origem animal no mundo são algumas das causas dos altos preços dos insumos.

O gráfico 1 mostra a evolução dos preços do milho nos últimos três anos na região de campinas (fonte:  CEPEA), o gráfico 2, os preços de farelo de soja de janeiro de 2005 a Abril de 2008 e o gráfico 3 demonstra o aumento de preço de vitaminas e fontes de fósforo para alimentação animal no ano de 2007.  Todos eles apontam aumentos bastante significativos nos preços dos insumos.

Gráfico 1 – Histórico de preços do milho nos último 3 anos.

Gráfico 2 – Histórico de cotação do farelo de soja em Uberlândia – MG (FOB).
Fonte: Centro de inteligência da soja.

Fonte: Sindirações

Sabemos que alimentação representa 45% a 55% dos custos de produção do leite, sendo, portanto, o componente mais importante no custo de produção de leite nas fazendas brasileiras. É por isso que o produtor deve conhecer estratégias e posicionamentos para lidar com uma situação tão adversa como a atual. Não existe mágica para contornar o problema, no entanto podemos fazer o básico de uma maneira mais eficiente.É neste aspecto que está, muitas vezes, a diferença entre fazendas de leite de alta rentabilidade  e aquelas que estão no prejuízo.

Apesar de os preços dos insumos, de maneira geral, estarem altos, existe sempre uma variação de preços de fornecedores. Procure, portanto, fazer uma boa cotação de produtos, buscando, ao mesmo tempo, preços bons, boa qualidade de produtos e fornecedores confiáveis. Aumente a sua capacidade de barganha com o seu fornecedor elevando o seu volume de compras. Participe ou monte o seu clube de compras.Com isso, a sua capacidade de barganha com os fornecedores aumenta e os preços diminuem. Procure negociar contratos de fornecimento de insumos. Alguns fornecedores de insumos oferecem esse tipo de contrato durante alguns períodos do ano, nos quais os preços dos insumos são mantidos constantes (ex. polpa cítrica, farelo de soja, caroço de algodão e outros).

Avalie o uso de subprodutos. Muitas vezes temos disponíveis na região alguns subprodutos que podem substituir parcialmente o milho ou farelo de soja, sem diminuição de desempenho. Avalie junto a um técnico capacitado a viabilidade econômica do uso de determinado subproduto. Seja cauteloso na substituição, levando em consideração a composição nutricional do subproduto, preço, risco de contaminação, padronização e a exigência nutricional da categoria a ser suplementada. Lembre-se de que dietas de custo mínimo nem sempre determinam lucros máximos.

Uma importante meta na alimentação animal é não fornecer nutrientes em excesso e nem promover uma limitação de desempenho por uma deficiência de nutrientes. Portanto, principalmente durante períodos como esse, devemos ser mais exatos nas formulações de dietas para nossos animais.

Quando o fornecimento de nutrientes é o mais próximo possível das necessidades do animal, damos o nome de dieta balanceada. Balanceamento de dietas não é um detalhe dentro de uma fazenda de leite, já que envolve os componentes que participam em 45 a 55% do custo de produção e é o fator que mais afeta o desempenho animal. O ponto de partida para o balanceamento de dietas é o exato conhecimento das exigências nutricionais da categoria em questão. Por exemplo: Se for para um grupo de vacas em lactação, qual o peso médio das vacas, produção e composição de leite, ordem de lactação, fase de lactação?  Todas essas características são importantes para determinarmos as exigências nutricionais desse grupo de animais e é o primeiro passo para uma dieta bem balanceada.

Outro passo importante é conhecermos a composição nutricional dos alimentos. Para isso, é importante acompanhar a composição nutricional dos alimentos ou do grupo de alimentos que estamos fornecendo, para que não haja falta ou excessos na dieta desses animais. O conhecimento adequado das exigências dos animais e a composição nutricional dos alimentos que estamos fornecendo é o ponto de partida para dietas balanceadas. Nutrientes em excesso podem, além de comprometer a produção, ser desperdício de dinheiro em uma fazenda. Por outro lado, deficiências nutricionais comprometem a produtividade animal e a eficiência de utilização de outros nutrientes. Ambas as situações levam a uma menor eficiência econômica por menor desempenho ou pior eficiência de utilização de nutrientes.

Outra estratégia frente aos preços altos dos insumos é fazer com que o alimento seja utilizado com mais eficiência. Ser utilizado com mais eficiência significa fazer com que cada quilo de alimento consumido seja transformado em mais quilos de leite, ganho de peso ou outro parâmetro de desempenho, ou que o animal tenha o mesmo desempenho comendo menos. Isso é o que se chama de eficiência alimentar, que geralmente é expressa por kg de leite produzido/kg de matéria seca da dieta consumida.

É importante atuarmos em fatores que afetam essa eficiência, aonde os alimentos são transformados em leite. Ou seja, como podemos produzir mais leite por unidade de matéria seca consumida? Geralmente animais mais produtivos possuem uma eficiência alimentar maior, isso porque os seus custos fixos de mantença são diluídos pela produção de leite. Aumentar a produção de leite dos animais do rebanho é um caminho para melhoria da eficiência alimentar. O custo marginal do litro de leite produzido a mais é em torno de R$0,18 a R$0,22/litro de leite, ou seja, um excelente negócio.  Isso  porque todos os “custos fixos” da vaca já foram pagos e basicamente o custo do litro produzido envolve somente os custos do alimento consumido a mais.  Portanto, é sempre uma boa medida de manejo estimular o consumo de vacas que tenham a possibilidade de transformar aquele alimento consumido em leite. A oportunidade de estimular o consumo e as vacas produzirem mais leite está presente na maioria das nossas fazendas.

Outro ponto que podemos atuar para melhorar a eficiência alimentar, e de grande importância, é na qualidade da forragem fornecida aos animais. Quanto melhor a forragem, geralmente, melhor é a eficiência alimentar. Forragens são os componentes de dieta que mais afetam o consumo total de alimentos e, conseqüentemente, o desempenho. Forragens alta de qualidade são aquelas com teores de fibra baixos, fibra de alta digestibilidade e com alta palatabilidade. O volumoso é, geralmente, a fonte de nutrientes mais barata na dieta, portanto, melhorar a qualidade das forragens é um grande passo e um dos mais efetivos para se melhorar a eficiência alimentar e a produção de leite.

Conforto animal é outro ponto que afeta a eficiência alimentar. Acredito que ainda subestimamos a importância do conforto em novos sistemas de produção. Vacas submetidas a estresse térmico possuem uma eficiência alimentar menor, já que as exigências de mantença aumentam, diminue o consumo, a produção de leite e a eficiência com que os nutrientes são transformados em leite. Piquetes com baixa capacidade de drenagem, barro e pedras são também fatores estressantes para os animais. A quantidade de exercícios que vacas fazem durante dia também afeta muito a eficiência alimentar. Quanto maior a distância percorrida pela vaca do pasto para a ordenha e de volta para o primeiro, maior é o gasto de energia que poderia ser transformada em leite, ou seja , ocasiona uma queda na eficiência alimentar do animal. A cada 250 metros que uma vaca anda, ela pode perder energia referente a 0,6 a 0,8 quilos de leite/dia.(Clique aqui e saiba mais sobre conforto animal)

A eficiência reprodutiva na fazenda afeta diretamente a eficiência alimentar. Quanto melhor a eficiência reprodutiva, maior a eficiência alimentar, já que em uma fazenda com uma boa eficiência reprodutiva haverá uma maior proporção de vacas na fase mais produtiva da lactação, ou seja, no primeiro terço.

Promover um bom manejo alimentar também é uma boa maneira de se aumentar a eficiência alimentar. Alimento disponível para as vacas por pelo menos 20 horas por dia é uma maneira de maximizar o consumo e fornecê-lo mais vezes ao dia também é uma forma de estímulo. Oferecer um alimento de boa qualidade, evitando contaminações, um bom manejo da face do silo, limpeza adequada dos comedouros e boa disponibilidade de comedouros também são medidas que melhoram a eficiência alimentar.

O uso de alguns aditivos ajuda na melhoria da eficiência alimentar. Os ionóforos, como por exemplo, a Monensina, são aditivos que modificam a fermentação ruminal, melhorando a eficiência alimentar. Essa melhoria depende da dose utilizada e da dieta consumida pelo animal. Seu uso deve ser orientado por um técnico capacitado.

Controlar a sanidade do rebanho, principalmente visando à diminuição de problemas sanitários que ocorrem durante o periparto, como retenção de placenta, metrite, mastite, cetoses e deslocamentos de abomaso, e medidas que visem à diminuição da prevalência de mastite subclínica no rebanho (contagem de células somáticas) também afetam positivamente a maneira como os alimenyos são aproveitados pelo organismo do animal.

Fonte: http://www.rehagro.com.br/siterehagro/publicacao.do?cdnoticia=1727

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