Rochas carbonáticas – calcários

0
29
Rochas carbonatadas ou calcários são rochas constituídas por calcita (carbonato de cálcio) e/ou dolomita (carbonato de cálcio e magnésio). Podem ainda conter impurezas como matéria orgânica, silicatos, fosfatos, sulfetos, sulfatos, óxidos e outros.O termo “calcário” é empregado para caracterizar um grupo de rochas com mais de 50% de carbonatos.
 
Classificação
 

A mais utilizada foi estabelecida por Pettijohn, relacionada com a porcentagem de óxido de magnésio, MgO, contido na rocha.
 

 
Classificação das rochas calcárias
 
Denominação
% de MgO
calcário
0 a 1,1
calcário magnesiano
1,1 a 2,1
calcário dolomítico
2,1 a 10,8
dolomito calcítico
10,8 a 19,5
dolomito
19,5 a 21,7

 

 
Usos e aplicações
 
O emprego das rochas calcárias depende da composição química e/ou características físicas.
 
Calcários para a indústria de cimento – cimentos hidráulicos
 

A denominação cimento hidráulico se refere à capacidade de endurecimento pela ação da água sem intervenção do ar.O tipo de cimento mais importante e de maior aplicação é o cimento “Portland”. As matérias-primas para a sua fabricação são o calcário, a argila e a gipsita. O calcário fornece o óxido de cálcio, a argila fornece sílica, óxido de alumínio e óxido de ferro. A gipsita é adicionada ao clínquer (calcário+argila), para regular o tempo de endurecimento da mistura após a adição de água.

 

Calcários para a indústria da cal – cimentos não-hidráulicos
 

A cal é o resultado da calcinação de rochas calcárias quando aquecidas em fornos a temperaturas superiores a 725ºC. A qualidade comercial de uma cal depende sobretudo das propriedades químicas do calcário e da qualidade da queima.Basicamente compreendem quatro tipos, definidos pela sua composição:
• cales de calcários puros (cales calcíticas)
• cales dolomíticas ou magnesianas
• cales silicosas
• cales argilosasAs cales são constituídas basicamente de óxidos de cálcio ou de uma mistura de óxidos de cálcio e magnésio e podem ser apresentadas sob a forma de pedras ou moídas e ensacadas, recebendo a denominação de cal virgem ou cal viva.A adição de água à cal virgem provoca a formação de hidróxido de cálcio e de outros compostos, dependendo da composição da cal, recebendo então a denominação de cal hidratada.

Têm seu maior emprego na construção civil como aglomerante, dando-se preferência às cales magnesianas ou dolomíticas. As cales cálcicas destinam-se preferencialmente às indústrias químicas. 

 
Principais usos das cales
 
construção civil siderurgia metalurgia
indústria química indústria de produtos alimentícios indústria petrolífera
indústria cerâmica saneamento indústria do papel
indústria do vidro tintas e vernizes explosivos
plásticos perfumaria  
 
Calcários aplicados “in natura”
 
blocos ornamentais: estatuária, revestimentos de interiores e exteriores, arte fúnebre, lajes, etc.britado: usado na preparação de argamassas e agregados, em pavimentos rodoviários, lastros de ferrovias, pedras para enrocamento, pedriscos para cobertura, alvenaria e pedras para áreas rurais. Quando a brita apresenta um bom aspecto, possibilitando o polimento, é utilizada na confecção de blocos ornamentais (pedras para terraços, tampos de mesa, pias e banheiros), em mistura com cimento branco, constituindo as pedras chamadas “marmorites”.moído: utilizado principalmente como corretivo de solo para a agricultura. Para a utilização e comercialização as especificações legais exigidas estabelecem que os calcários devem ter as seguintes características físicas:
100% das partículas menores que 2,00mm (peneira ABNT – 10)
70% das partículas menores que 0,84mm (peneira ABNT – 20)
50% das partículas menores que 0,30mm (peneira ABNT – 50)
Os limites mínimos para as características químicas estabelecidas são: 67% para o PN (poder de neutralização) , equivalente em carbonato de cálcio; 45% para o PRNT (poder relativo de neutralização total) e 38% para a soma de CaO mais MgO. É utilizado na correção de solos ácidos sendo empregados calcários, calcários dolomíticos e dolomitos.

 

Existem três faixas de ocorrência distintas em terrenos metamórficos, Noroeste, Central e Sudeste.
As ocorrências da faixa Noroeste – Formação Itaiacoca – e Sudeste – Formação Capiru – são constituídas exclusivamente por dolomitos, ocorrendo pequenas lentes de calcários. Estas faixas apresentam teores de MgCO3 entre 3,6 a 4,1% e CaCO3 entre 55 a 61%.As ocorrências da faixa Central – Formação Votuverava – são constituídas por calcários puros e calcários dolomíticos, englobando as localidades de Bateias, norte de Rio Branco do Sul e Cerro Azul. Os teores variam entre 20,5 a 52,8% de CaO e 0,5 a 14,1% de MgO.Outra faixa calcária, de origem sedimentar, é a Formação Irati na Bacia do Paraná, cujo calcário dolomítico é utilizado como corretivo de solos.
 
O Perfil da indústria no Paraná
 
O calcário se destaca entre os recursos minerais explorados no Paraná pela importância econômica e diversidade de aplicações na indústria do cimento, cal e corretivo de solo. Responde por cerca de 50% de toda quantidade e valor da produção mineral paranaense. O Paraná é o terceiro maior produtor nacional.Além do mercado tradicional existem possibilidades de aumento da participação do calcário em outros segmentos da indústria – siderurgia, química, cerâmica, tintas, vidros, rações, areia artificial, brita – tornando-se fundamental reordenar a indústria produtiva para suprir novas demandas, com investimentos em pesquisa mineral, análise mercadológica e capacitação tecnológica.
Os dados a seguir são provenientes do relatório técnico Perfil da indústria de rochas calcárias.

Produção e uso de rochas calcárias por município – ano 1997
 
Cimento
Município
toneladas
Rio Branco do Sul
4.990.990
Campo Largo
1.197.932 
Almirante Tamandaré
7.403
Total
6.196.225

 

Corretivo de solo
Município
toneladas
Almirante Tamandaré
1.159.345
Castro
1.113.430
Rio Branco do Sul
798.946
Colombo
586.833
Campo Largo
208.032 
Ponta Grossa
21.088
Total
3.887.674

 

Cal
Município
toneladas
Colombo
1.085.702
Almirante Tamandaré
747.553 
Castro
213.581
Rio Branco do Sul
142.581
Campo Largo
71.193
Total
2.260.590

 

 
Estrutura produtiva da indústria – ano 1998
 
  Indústria cimenteira Indústria de corretivo de solo Indústria da cal
Número de empresas 2 64 60
Produção em toneladas 3.992.108 3.887. 674 1.255.776
Capacidade instalada 5.000.000 9.000.000 1.600.000
Número de fornos     160
Destino da produção de corretivo de solo do Paraná
 
Ano PR SC SP RS MT MS Outros Total
1990
1.522.879
542.097
285.509
235.796
71.232
133.375
 
2.790.887
1991
1.832.008
432.295
276.687
195.650
33.701
184.403
 
2.954.744
1992
2.073.497
844.906
292.117
432.113
190.186
212.576
 
3.964.395
1993
2.812.442
633.904
342.227
526.243
78.143
326.182
 
4.719.141
1994
3.481.415
617.303
371.552
353.728
84.452
293.976
94.055
5.296.481
1995
1.840.307
603.658
341.967
234.710
28.904
189.213
 
3.238.759
1996
2.422.240
454.859
476.671
211.985
77.906
271.984
60.826
3.976.381
1997
2.895.100
610.938
413.811
446.844
41.726
381.228
98.121
4.887.768
1998
2.405.872
460.425
292.218
260.135
33.308
299.640
136.076
3.887.674
 
Estima-se que mais de 90% da produção de calcário dolomítico destinado à indústria da cal, seja utilizada na construção civil. Pequena parcela se destina à indústria química, cerâmica, tintas, rações, pedras para calçamento, brita, areia artificial e outros.40 a 60% da produção da cal é exportada para outras unidades da federação, com destaque para São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A exportação inclui também minério bruto (calcário dolomítico) para a produção de cal, principalmente para São Paulo.

Fonte:

http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=31

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here