Catálogos técnicos e de produtos

Vetiver como alternativa contra erosão do solo

Em agosto de 1996, a tecnologia do capim vetiver chegou ao Brasil por intermédio dos CIERs – Centros Integrados de Educação Rural, com a implantação de pequenos viveiros para a multiplicação das plantas e, em 1999, na região de Camamu – Bahia, foram conseguidas as primeiras mudas de vetiver. A variedade de vetiver com raízes aromáticas (matéria-prima do perfume Patchuli) foi disseminada por partes do Brasil.

Este tipo de vetiver só cresce onde for plantado, não se espalha por outras áreas e não se torna uma praga. É muito importante que o vetiver plantado seja só do tipo originário do Sul da Índia. Esse é o tipo atualmente mais disseminado ao redor do mundo.

O capim vetiver é de grande utilidade em regiões de clima tropical quente com predominância de solo areno/argiloso com uma rápida decomposição de matéria orgânica e longo período de estiagem, onde o solo está empobrecido por: erosões, lixiviações, compactação, perda microbiana, e dificuldade de retenção de água.

O vetiver, cujo óleo essencial é conhecido na indústria de fragrâncias, tem outra utilidade que vem sendo difundida em áreas rurais e urbanas. A planta tem se mostrado eficiente na recuperação de solos degradados e no combate à erosão. Principalmente nesta época, marcada pela ocorrência de chuvas torrenciais, os impactos da água no solo causam danos ambientais e econômicos. “A erosão hídrica é um grave problema ambiental e decorre do mau uso do solo”, diz o agrônomo André César Henriques, do escritório local de Caxambu, da Emater-MG.

Entre os atributos da planta que servem no controle da erosão, destaca-se direcionamento vertical das raízes. Estas, profundas e extensas – atingem até 6 metros -, funcionam como “pregos” e retêm dos mais finos aos mais grosseiros sedimentos, criando uma barreira natural ao escoamento da água. Como a raiz cresce para baixo, há redução da velocidade de enxurradas e aumento da capacidade de infiltração da água no solo. Além disso, o extenso alcance das raízes confere à planta capacidade de resistência à seca prolongada e de recuperação após situações de stress, como queimadas, pastoreio intensivo e alagamentos. Também é comprovada a tolerância ao ataque de pragas e doenças.

O uso de vetiver em intervenções ambientais é uma tecnologia simples e barata. Simples porque a fixação biológica de nitrogênio e fósforo permite à planta vegetar em solos de baixa fertilidade. Sua rusticidade também a torna tolerante a temperaturas menores que 9 graus e superiores a 50 graus. “E é uma opção econômica porque uma barreira de contenção de vetiver custa cerca de R$ 60/hectare, enquanto o custo de métodos convencionais pode chegar a R$ 1.000/hectare.”

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DA CULTURA TRADICIONAL

Época de plantio: outubro a dezembro.

Espaçamento: 90 a 120 cm entre linhas por 30 a 50 cm entre plantas.

Mudas necessárias: 18.000 a 39.000 por hectare, feitas por subdivisão das touceiras.

Quando para Controle da Erosão: cultura em nível.

Calagem e adubação: corrigir a acidez, quando o índice de saturação em bases for inferior a 50%. Aplicar, no plantio, 40 a 60kg/ha de P2O5 e 30 a 40kg/ha de K2O, e 30kg/ha de N, em cobertura. Devolver as raízes destiladas e decompostas e incorporar as falhas picadas ao solo.

Outros tratos culturais: capinas.

Observação: preferir terras arenosas e profundas, para facilitar a colheita.

Controle de pragas e moléstias: normalmente dispensável.

Colheita/Destilação: 10 a 20 meses após o plantio no campo. Cortar a parte aérea e arrancar as raízes para destilação. As raízes devem ser retiradas do solo com um garfo e as raízes devem ser lavadas cuidadosamente. Para extração do óleo as raízes devem ser cortadas de 4 a 5 cm de comprimento.

Produtividade normal: cerca de 3 a 5t / ha de raízes secas, o que representa aproximadamente 60-100kg de óleo essencial por ciclo.

Rotação: leguminosas ou outras espécies não gramíneas.

Variedades: De uma maneira geral, são cultivadas duas variedades: a South Indian e a North Indian (khus). O tipo South Indian produz mais raízes e tem um maior rendimento de óleo. O tipo North Indian, entretanto, apresenta uma qualidade superior de óleo. Entre os tipos South Indian, o tipo Nilambur (ODV-3) tem uma produção média de 5 t/ha de raízes, das quais obtém-se de 20 a 30 kg de óleo/ha.

Fonte: http://www.portalruralsoft.com/manejo/manejoExibe.asp?id=253