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Veja Como é Feita Uma Transferência de Embriões

A Transferência de embriões veio revolucionar o mundo da pecuária, simplesmente porque a multiplicação de filhos superiores é feita numa velocidade surpreendente.

Antes de tudo é preciso lembrar que somente matrizes de alto valor genético devem ser utilizadas como doadoras de embriões.

Esta matéria pretende ilustrar a técnica que vem ganhando adeptos, todos os dias, e que é muito importante para espalhar produtos de alta qualidade. Siga a rotina de um programa de Transferência de Embriões.

1 – A preparação

Existe o dia da cirurgia, da transferência de embriões propriamente dita, mas as operações começam muito antes. Sem os preparativos, aquele dia de cirurgia poderá ser um fracasso.

A preparação consiste em dois distintos trabalhos:

a) preparação das doadoras – São fêmeas rigorosamente escolhidas, em estado nutricional perfeito, que recebem doses calculadas de hormônios para provocar uma superovulação. Essa superovulação irá garantir que os ovários produzam muito mais óvulos que o normal. Normalmente, cada sessão (Programa) prepara entre 2 a 4 doadoras, ao mesmo tempo.

b) preparação das receptoras – Supondo que serão realizadas cerca de 35-50 transferências, é necessário preparar as fêmeas para estarem aptas no dia da cirurgia. Calculando 35 transferências, o lote preparado deverá ser de 40-45 animais. São fêmeas de bom porte, bom desempenho leiteiro, saudáveis, bem nutridas. Todas recebem dosagem adequada de hormônio-sincronizador de cio para estarem prontas para o recebimento do embrião.

2 – A colheita de embriões

Afinal, é coleta ou colheita de embriões? O certo é colheita, pois o operador colhe os embriões que plantou. Colhe frutos. Já “coleta” significa também recolher o que não foi plantado (exemplo: coleta de lixo). Geralmente os textos técnicos escrevem “coleta” mas estão errados!

Uma fêmea pode produzir entre 10 até 50 filhos num único ano. Isso porque uma boa matriz pode passar por quatro colheitas no ano, rendendo entre 10-15 produtos viáveis por colheita. O normal, no entanto, em operações de rotina, é obter entre 4-10 produtos por colheita. As fotos mostram uma colheita por via transcervical que permite operações durante a vida inteira.

2.1 – A fêmea doadora é colocada no brete. A cauda é recolhida, deixando a vulva à disposição do operador. Existem fêmeas mansas e outras que exigem uma pequena dosagem de anestesia para acalmar. Ela, no entanto, fica em pé, alerta, o tempo todo. No término da operação, deverá sair caminhando normalmente.

2.2 – O operador introduz um espéculo (tubo) na vagina da doadora e, com o auxílio de uma fonte luminosa (uma lanterna), consegue enxergar a cérvix (parte que separa a vagina do útero).

2.3 – Através da cérvix é introduzido um cateter (uma sonda) até as extremidades do útero, pois é neste local onde os embriões estão localizados.

2.4 – Com um líquido especial o operador lava todo o útero.

2.5 – O líquido que é introduzido no útero é recolhido em um copo coletor.

2.6 – É assim, com esta lavagem, que os embriões que estavam no útero são colhidos.

2.7 – Fase final da colheita: o líquido está no copo. A fêmea está liberada.

3 – Análise dos embriões

3.8 – O líquido é submetido à análise de laboratório, para verificar a quantidade de embriões. E também para verificar se são viáveis.

3.9 – Depois de análise minuciosa, tudo é anotado: embriões válidos, embriões não-válidos, os que serão congelados, os que serão transferidos para receptoras, etc.

4 – A cirurgia de transferência de embriões, a fresco.

Normalmente, são transferidos – a fresco – todos os embriões colhidos mas, sobrando fêmeas receptoras preparadas, então o operador aproveita e faz a transferência de embriões congelados em outras operações anteriores. O trabalho só termina quando a última receptora estiver sido utilizada.

4.10 – As fêmeas receptoras recebem uma anestesia para serem submetidas à cirurgia de TE. É uma anestesia fraca, que dura cerca de 45 minutos. Esse é o espaço de tempo em que o animal deverá ser preparado e passar pela cirurgia. Uma equipe de vaqueiros vai preparando os animais para a cirurgia, no ritmo do trabalho. Primeira operação pós-anestesia: lavar a região da cirurgia e raspar os pêlos logo adiante das tetas.

4.11 – A fêmea já preparada é colocada na cama operatória especial. As pernas ficam levemente presas. Como ela ficará de cabeça para baixo, não precisará prender a parte anterior.

4.12 – Enquanto uma receptora é operada, a outra já é colocada no lugar, para não perder tempo. Observar a cama em pé.

4.13 – Vai começar a cirurgia. O corte é de cerca de 4 dedos ou perto de 8 centímetros, no ventre, logo adiante do centro das tetas.

4.14 – Através da pequena incisão, o operador enfia os dedos para localizar o útero e os ovários. É preciso experiência nessa fase, para não prolongar a operação nem causar danos aos órgãos genitais.

4.15 – Já com os órgãos localizados e seguros entre os dedos, o operador os traz para fora para análise visual.

4.16 – Cuidadosamente, o operador segura o útero, observando se está tudo em ordem para realizar a transferência. As fêmeas que não apresentam condições são imediatamente descartadas da operação, passando-se para a seguinte.

4.17 – Localizado o local para a transferência de embrião, o operador passa o comando para o auxiliar, enquanto trata de preparar a pipeta contendo o embrião.

4.18 – O auxiliar mantém os órgãos a receberem embriões, bem à vista, aguardando o operador.

4.19 – O operador chega com um estilete para fazer um pequeno furo na extremidade do útero (mãe do corpo). Observar o estilete e a pipeta na foto.

4.20 – O estilete perfura a pele e, a seguir, a pipeta introduz o embrião (ou embriões). Normalmente é transferido 1, 2 ou 3 embriões por receptora.

4.21 – Começa a fase de fechamento da cirurgia, conhecida pela maioria dos veterinários.

4.22 – Com rápidas costuradas, a incisão vai sendo fechada. Primeiro, fecha-se os músculos internos. Depois, fecha-se o couro.

4.23 – Estando fechada a parte interna, tem início o fechamento do couro.

4.24 – Quase pronto o fechamento da incisão. Observar o tamanho do corte. Observar, também, que já é noite lá fora.

4.25 – Ponto final. A incisão está fechada. Total da operação: entre 8 a 10 minutos por animal.

4.26 – Um auxiliar joga o spray anti-infectante na incisão. O animal está liberado.

4.27 – Os auxiliares retiram o animal já operado, colocando-o jeitosamente no chão, até a completa recuperação da anestesia – que se dará dentro de 20 minutos.

5 – Confirmação dos resultados

5. 28 – Entre 20 e 25 dias, o operador retornará ao local para verificar as Transferências de Embriões que deram certo. O exame é feito com aparelho de ultra-sonografia.

5.29 – A tela mostra o útero e a presença de um, dois ou mais fetos. O normal é uma taxa de prenhez entre 55-75% no mundo. Uma equipe brasileira (Embriocom), como exemplo, tem obtido resultados entre 70-80%, conforme observado pela equipe de O BERRO e relatado na edição n. 42.


Fonte: Revista O Berro nº 44 e Site Accoba.

http://www.cabanhainvernada.com.br/index.php?option=content&task=view&id=194&Itemid=60