Pecuária

Valores pagos por bovinos de MS devem ser mantidos no próximo ano

30/09/2015

Preços estáveis e um aumento relativo do rebanho são algumas das perspectivas citadas por Guilherme Alves, analista de pecuária de corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), em um panorama da pecuária sul-mato-grossense traçado durante o primeiro Simpósio Repronutri de Reprodução, Produção e Nutrição de bovinos. Entre os tópicos discutidos durante a palestra de Guilherme estavam a situação das pastagens no estado, a relação entre macho e fêmea nos rebanhos e o abate de matrizes.

“Hoje, no estado, a média de abates é de 43% de matrizes e o restante,  (…). Em um passado recente, nós tivemos uma grande valorização do preço dos bezerros. Isso fez com que o produtor rural, principalmente o criador, retivesse um pouco mais essas matrizes. Já que o bezerro estava valendo bem, não era necessário vendê-las para compensar a renda. Represando as matrizes, consequentemente, no ano que vem, a gente tem uma oferta maior de bezerros”, diz Guilherme sobre o aumento dos rebanhos em MS.

O analista de pecuária de corte também abordou o valor dos animais no mercado em meio a esse cenário. “Nós tivemos, nos últimos dois anos, o preço saindo de R$ 800 (valor do bezerro macho), chegando a comercializações de até R$ 1.400. Isso é um salto de valorização. Em compensação, a arroba também deu um salto. Nós tivemos o boi gordo sendo comercializado a R$ 110, R$ 120, e esse preço foi para R$ 140, R$ 145”, afirma.

Para Guilherme, esses valores devem ser mantidos em 2016 sem grandes quedas – considerando tanto a situação das finanças brasileiras quanto o impacto do aumento do dólar para quem vende os produtos ao exterior. “Eu acredito nos preços mais estáveis justamente pelas dificuldades que o país vai passar no próximo ano. Mas nós também temos as exportações, que podem contribuir para que esse preço não caia”.

De acordo com o analista, é preciso planejamento para que o produtor possa se estabilizar em meio às possíveis variações do mercado. “É muito importante que ele tenha uma tabulação dos animais que ele está vendendo – anotando preços e quantidade – para ter uma série histórica. Para prever um futuro, ele tem que olhar para o que aconteceu no passado. Então, nada melhor que a gente escrever no caderno ou no computador essas informações. É primordial”.

Guilherme cita ainda a diversificação de atividades como uma forma de complementar a renda, assegurando a estabilidade financeira da fazenda. Ele menciona alternativas como o plantio de lavouras de milho, soja, mandioca, a criação de galinhas poedeiras ou a produção de touros certificados. “Nós temos uma demanda de touros certificados no estado de cerca de 38 mil touros por ano. A gente não consegue atender isso. É um mercado que pode ser conquistado. Dessa forma, os touros serão comercializados com valores maiores, ajudando a contribuir na balança do agronegócio”, diz. “Consequentemente, aquele que comprou esse touro certificado terá uma genética melhor, melhorando a produtividade”.

O primeiro Simpósio Repronutri é uma realização do Grupo Repronutri, formado por técnicos, produtores rurais, veterinários e pesquisadores da Embrapa Pantanal, Embrapa Gado de Corte, Universidades Federal e Estadual de Mato Grosso do Sul (UFMS e UEMS), Universidade Anhanguera-Uniderp, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Gênesis Reprodução Animal e Cia Pecuária.

Fonte: Correio do Estado