Rações

Utilização de enzimas nas rações melhora o desempenho nutricional

25/06/2014

*Por João Carlos de Angelo

O brasileiro está cada vez mais consumindo carne de frango. Em 2013, de acordo com a União Brasileira de Avicultura (UBABEF), foram produzidas 12,3 milhões de toneladas. Como dois terços da produção (cerca de 8,4 milhões) foram destinados ao mercado interno, o consumo desta carne foi de quase 42 quilos/habitante – é a proteína animal mais consumida no país.

“Infelizmente, para uma parte dos consumidores brasileiros, permanece a crença de que o frango no Brasil recebe adição de hormônios. Na verdade o fantástico progresso da avicultura brasileira se deve a uma combinação de fatores que incluem melhoramento genético, excelentes condições sanitárias e alimentação balanceada a base de milho e soja. A utilização de hormônios é proibida e fiscalizada pelo Ministério da Agricultura.

E entre os maiores compradores internacionais estão mercados dos mais exigentes do mundo na importação de alimentos, como União Europeia e Japão, e que promovem inspeções frequentes em granjas e frigoríficos, além de realizarem testes ainda na chegada do produto ao porto de destino. A crença nos hormônios nada mais é do que um mito”, explicou o presidente da UBABEF, Francisco Turra.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a previsão que os países produtores exportem em torno de 10,743 milhões de toneladas de carne de frango, apenas dois décimos a menos que o previsto no final de 2013. Há expectativa que o Brasil aumente sua expansão em 3,39%, o que significa um adicional de 118 mil toneladas em comparação a 2013.

A necessidade de melhorar o desempenho nas criações impulsiona os produtores a buscarem alternativas, como adição de enzimas nas rações. Não se trata de adicionar hormônios, mas aditivos como a enzima.

Hoje, na criação de aves comerciais, a alimentação representa cerca de 70% dos custos de produção. Os produtores necessitam de frangos com rápido crescimento e redução no tempo de corte, portanto, as exigências nutricionais das aves se tornam maiores, sendo necessários alimentos com mais qualidade. O uso de enzimas nas rações possibilita um melhor aproveitamento dos nutrientes no programa nutricional, pois aumenta a digestibilidade dos alimentos e minimiza os custos para o produtor. É possível utilizar uma quantidade maior de alimentos energéticos e protéicos nas rações, além de reduzir as excretas.

As enzimas têm como principal função facilitar a digestão. São substâncias naturais envolvidas em todos os processos bioquímicos que ocorrem nas células vivas, de maneira resumida, são proteínas que atuam como catalisadoras de processos biológicos, isto é, aumentam a velocidade da reação bioquímica sem se deixarem consumir.

As aves produzem esta substância, mas a quantidade de enzima endógena não é suficiente para atuar sobre todo o substrato, sendo necessária a suplementação de enzimas exógenas, para que o organismo consiga maximizar o aproveitamento dos nutrientes contidos nos ingredientes. Na nutrição animal a suplementação de enzimas tem se tornado comum nas últimas décadas, por proporcionar benefícios para o animal e ao meio ambiente.

As enzimas utilizadas na alimentação animal são produzidas industrialmente por laboratórios especializados, por meio de culturas de microorganismos, sendo derivadas da fermentação fúngica, bacteriana e de leveduras. As principais são: fitase, xilanase, protease, amilase, lípase, glucanases, celulase e β Mananases, que atuam no aumento da digestibilidade dos nutrientes dos alimentos e dos polissacarídeos não amiláceos, além da redução dos efeitos antinutricionais, maximizando o aproveitamento da proteína, energia e fósforo que são os nutrientes de maior valor dentro do custo de formulação.

A suplementação enzimática melhora a digestão/absorção de ingredientes convencionais e não convencionais; remoção ou destruição dos fatores antinutricionais presentes nos grãos; aumento da digestibilidade total da ração; melhoria da digestibilidade dos chamados polissacarídeos não amiláceos. Estes PNA’s – polissacarídeos não-amiláceos – são essencialmente fibras não digestíveis, que pouco adicionam ao valor nutritivo do ingrediente, e podem, na verdade reduzir a disponibilidade geral dos nutrientes ao criarem um ambiente de difícil atuação das enzimas endógenas. Desta forma, potencializam a ação de enzimas endógenas, o que reflete em melhores índices zootécnicos e fezes mais secas e sem resíduo de alimento.

A fitase em termos práticos proporciona a redução da inclusão de fontes de fósforo inorgânico e/ou orgânico, como o fosfato bicálcico e farinha de carne. Evita que o fósforo, cálcio, zinco, magnésio e aminoácidos tenham o aproveitamento reduzido pela presença excessiva de fitato no trato gastrointestinal, permitindo que os dois objetivos sejam alcançados: atender as necessidades de fósforo e reduzir a excreção de fósforo e nitrogênio no meio ambiente. Esta ação reduz o impacto ambiental, impedindo que o fósforo vegetal (oriundo dos alimentos) seja eliminado nas fezes sem ser aproveitado pelo organismo.

Este processo acontece porque no sistema gastrointestinal o ácido fítico se liga com minerais, proteínas e enzimas, formando o fitato. Este, por sua vez, impede que componentes importantes para o desenvolvimento dos animais sejam aproveitados pelo animal, sendo excretados através das fezes. Além de reduzir a disponibilidade do fósforo, o fitato aumenta a secreção de muco no intestino, o que interfere nos sistemas de absorção de nutrientes.

Considerando que o custo com a alimentação representa aproximadamente 70% dos custos de produção, as enzimas são uma das principais ferramentas nutricionais para a redução nos custos da produção de proteína animal de aves e suínos, além de contribuir com uma produção mais sustentável pela maximização do aproveitamento dos nutrientes presentes nos ingredientes convencionais e não convencionais. Conhecer a ação das enzimas sobre seu substrato, aliado aos aspectos econômicos serão as formas mais coerentes de utilização deste aditivo na nutrição animal.

A empresa de nutrição animal Guabi também adiciona em suas rações enzimas com objetivo de maximizar o potencial dos animais. Além das enzimas, a empresa busca em sua linha de produtos utilizar matérias-primas nobres, de alta digestibilidade e com balanceamento ideal de aminoácidos (lisina, metionina, treonina, triptofano, dentre outros), fundamental para o melhor desempenho dos animais.

*João Carlos de Angelo é zootecnista e gerente do Departamento Técnico e Avicultura do Grupo Guabi.

Fonte: Agrolink