Pecuária

Uso de aditivos no processo de conservação de forragens

A pecuária brasileira é caracterizada pelo sistema extensivo baseada na utilização das pastagens, as quais representam à fonte mais abundante e econômica na alimentação de ruminantes, mas apesar de deter o maior rebanho comercial do mundo, a taxa de lotação no Brasil é baixa, o que resulta em menor produtividade. Um dos fatores que contribuem para essa baixa produtividade é a estacionalidade na oferta de alimento proveniente de pastagens.

Entretanto a demanda por alimento se mantém constante o ano inteiro e resta ao produtor utilizar outros recursos para suprir a escassez de forragem. Dentre os recursos disponíveis se tem a conservação de forragens na forma de feno e, ou, silagem.

O processo de conservação é o conjunto de métodos que evitam deterioração dos alimentos durante um período mais ou menos longo. E existem duas razões para se conservar alimentos: a primeira e, mais importante, é tornar independentes os processos de produção e utilização de forragens; e a segunda é o melhor uso do solo.

Os processos de ensilagem e fenação são muito utilizados para conservar a forragem, porém segundo Pereira et al. (2006), alguns critérios devem ser levados em consideração na escolha do método de conservação, dentre eles estão: preservação eficiente dos nutrientes da cultura; espécie forrageira adequada às condições climáticas locais; instalações, equipamentos e custos de mão-de-obra e; espécie animal ou comercialização de forragem.

Alguns produtos denominados aditivos podem ser aplicados à forrageira no momento da ensilagem ou fenação, visando reduzir perdas de nutrientes, estimular ou inibir fermentações (ensilagem), controlar o crescimento de microrganismos (feno), ou ainda interagir no valor nutritivo da planta original.

Segundo Reis et al. (2001), a fenação é um sistema versátil de conservação de forragem, e permite, desde que protegido adequadamente, ser armazenado por longos períodos com pequenas alterações no valor nutritivo; várias espécies forrageiras podem ser usadas no processo; pode ser produzido e utilizado em grande e pequena escala; pode ser colhido, armazenado e fornecido aos animais manualmente ou num processo inteiramente mecanizado; pode atender o requerimento nutricional de diferentes categorias animal. Porém, quando o processo de conservação for mal feito e o produto deste tiver que ser armazenado com alta umidade, recomenda-se o uso de aditivos para evitar perdas maiores de nutrientes e controlar o crescimento de microrganismos. Dentre os aditivos que são utilizados pode-se citar o diacetato de sódio, ácido propiônico, propionato de amônio, uréia e amônia anidra, etc.

Já a ensilagem é uma técnica que consiste em preservar a forragem por meio de fermentação anaeróbica, após o seu corte, picagem, compactação e vedação em silos.

Existem várias forrageiras que são utilizadas no processo de ensilagem. As mais comumente utilizadas são o milho, os capins do grupo elefante e gramíneas do gênero PanicumBrachiariaCynodon. Entretanto, alguns fatores como teor de matéria seca, teor de carboidratos solúveis, poder tampão dessas plantas forrageiras, entre outros, podem afetar a qualidade da silagem.
Como a ensilagem é um processo de fermentação, alguns aditivos podem ser adicionados a este processo visando controlar a fermentação para propiciar condições que favoreçam a atividade de microorganismos desejáveis, elevar o conteúdo de nutrientes da silagem e promover o efeito associativo destas funções.

No caso da silagem, são vários os aditivos que podem ser usados, mas os mais comumente são:

• uréia – que melhora o valor nutritivo, estabiliza a massa ensilada, reduz as perdas;
•  melaço – como é rico em carboidratos solúveis fornece a fermentação lática;
• polpa cítrica – é fonte de nutrientes, fornece carboidratos solúveis e apresenta capacidade absorvente;
• ácido fórmico – tem efeito bactericida e reduz os níveis de ácidos orgânicos;
• formol – diminui a fermentação e torna as proteínas insolúveis;
• inoculantes bacterianos – aceleram o processo fermentativo, reduzem perdas de nutriente;
• entre outros.

Deve-se ressaltar que para se obter uma silagem ou feno de boa qualidade, seja de milho, sorgo ou capim, é mais importante o manejo que se aplicará à planta do que propriamente a escolha de aditivos que possam melhorar a silagem ou o feno. E que não existe tecnologia de conservação que impeça mudanças na qualidade dos alimentos ou perdas durante a estocagem, ou seja, nenhum aditivo oferece bom resultado quando o manejo da planta na qual será ensilada ou que passará pelo processo de fenação for inadequado.

Autora:  Sueli Freitas dos Santos

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