Laranja

Unidos pela Laranja

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP -São Paulo e Flórida são concorrentes diretos no mercado de laranja, mas isso não inibe parcerias entre os dois Estados no campo da pesquisa tecnológica. Pesquisadores da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa) e da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, desenvolverão juntos um sistema para estimar a produtividade das atividades de citros.

Segundo o Instituto de Economia Agrícola, a produção anual de laranja em São Paulo é estimada em cerca de 360 milhões de caixas, enquanto a Flórida produz aproximadamente 160 milhões. Juntos, os dois são responsáveis por 40% da produção mundial de laranja.

De acordo com João Camargo Neto, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária em Campinas (SP), o levantamento de produtividade era feito até agora com base em um método estatístico. As duas instituições desenvolviam, separadamente, sistemas que melhoravam a metodologia com o uso de imagens de satélite para contar pés de laranja.

“Os projetos tinham objetivos comuns. Percebemos que, trabalhando juntos, poderíamos unir as vantagens dos dois e usá-los tanto na Flórida quanto aqui. A previsão é que a primeira versão do novo sistema esteja pronta para testes no meio de 2007”, disse Camargo à Agência FAPESP.

O sistema brasileiro, de acordo com o pesquisador, foi desenvolvido em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“As tecnologias de geoprocessamento que estamos desenvolvendo fazem um levantamento do número de pés de laranja com o auxílio de imagens de satélite. A metodologia também fornece dados climáticos e identifica a espécie da planta e a produtividade do último ano”, disse Camargo. O protótipo, feito em 2006, estima o número de pés e o diâmetro da copa das árvores, disponibilizando um parâmetro para medir a produtividade.

Segundo o pesquisador, o sistema tem excelente resolução: cada ponto na tela corresponde a uma medida entre 60 centímetros e um metro. “O custo da aquisição da imagem ainda é alto, mas está em queda”, afirmou.

Benefício mútuo

O sistema dos Estados Unidos foi desenvolvido no Centro de Educação e Pesquisa em Citros da Universidade da Flórida, em parceria com a Nasa, a agência espacial norte-americana. A diferença é que a metodologia que faz a contagem dos pés de laranja é baseada em um sistema proprietário de geoprocessamento, que não é adaptado para a utilização específica em laranjais.

“Nosso sistema é dedicado a isso, então conseguimos mais parâmetros de avaliação da produtividade. Eles não conseguiam avaliar o diâmetro da copa das árvores. Por outro lado, estavam mais adiantados em relação aos modelos matemáticos usados para transformar dados em estimativa de produtividade”, disse Camargo.

A parceria começou quando o pesquisador da Embrapa visitou a Universidade da Flórida, em outubro, para conhecer o software norte-americano e compará-lo ao sistema brasileiro. Depois disso, Gene Albrigo, responsável pelo sistema norte-americano, esteve em Campinas duas vezes com a mesma finalidade.

Fonte: Agência FAPESP

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