Trigo

Trigo é vendido a preço abaixo do custo

Às vésperas da colheita, os produtores de trigo do Paraná se deparam com preço abaixo do custo. O plantio foi reduzido em 13% e, com as quebras climáticas (por geada e chuva), a produção tende a cair 27%. Porém, mesmo com a redução de 920 mil toneladas – que vai limitar a safra paranaense a 2,5 milhões de toneladas, conforme a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) -, o valor pago ao produtor não alcança o mínimo estipulado pelo governo federal (R$ 28,62 por saca de 60 kg, tipo 1 pão). A cotação segue entre R$ 25 e R$ 26/saca, diante de um custo avaliado em R$ 30/saca pelo setor.
Maior produtor nacional, com 52% da colheita, o Paraná não recebe do mercado estímulo para ampliar o cultivo, apesar de o País precisar importar metade das 10,5 milhões de toneladas que consome. A influência da produção paranaense nos preços tem sido reduzida, a ponto de a comercialização ficar travada na hora da colheita, quando os moinhos se dizem abastecidos e o produtor prefere armazenar o cereal a vender pelo preço médio.

Cenário
O cenário de preço abaixo do custo, neste ano, é atribuído ao aumento da oferta mundial do produto. A tendência, segundo especialistas, é que essa pressão prevaleça até a colheita.
“A quebra do Paraná deve passar quase despercebida pelo mercado porque a maior influência dos preços vem de fora. Como a produção global está crescendo, acredito que o preço mínimo estipulado pelo governo deverá ser um bom valor de venda”, avalia Élcio Bento, analista da Safras e Mercado, de Porto Alegre (RS).
Ele considera que a colheita de 5,5 milhões de toneladas de trigo esperada para esta temporada não mudará a situação no País. “A vocação do Brasil é importar trigo”, sentencia.
A previsão de produção do País é de 5,4 milhões de toneladas e tende a ser revisada para baixo, pelas perdas registradas no Paraná. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já admite redução de 400 mil toneladas e divulgará novo levantamento nos próximos dias. O Rio Grande do Sul, segundo maior produtor, com 37% da safra, deve compensar parte da quebra paranaense. Ampliou o plantio em 7% e pode ter colheita 6% maior, de 2 milhões de toneladas. Nos dois estados líderes em produção, no entanto, ainda podem haver perdas em dois terços das lavouras – que estão em fase de floração e frutificação – pela ocorrência de geada ou chuva em excesso.
O quadro está fazendo com que os agricultores desistam do trigo. Não se trata mais só de ameaça. Depois de uma sequência de prejuízos, José Roberto Mortari, de Londrina, abandonou o cereal. “Sempre plantei com seguro, mas, mesmo assim, enquanto o custo de produção estiver acima de R$ 30 por saca e o governo pagar preço mínimo equivalente, plantar dá prejuízo.” Para garantir rotatividade de culturas na fazenda, Mortari planta milho e aveia no inverno.

Fonte: http://www.jornaldelondrina.com.br/edicaododia/conteudo.phtml?id=1155968&tit=trigo-e-vendido-a-preco-abaixo-do-custo