Trigo argentino tem qualidade pior nesta safra

05/01/2018

De acordo com a consultoria PBYagro, de Buenos Aires, os primeiros indícios mostram que a qualidade do trigo argentino está “abaixo do ano passado”: “Se bem que ainda não podemos aventurar quanto abaixo está, existe a possibilidade, pelo lado da exportação, de que os prêmios que vemos hoje sobre Bahía Blanca por mercadoria com mínimo 10,5% de proteína se estendam ao restante dos portos. Desde já que a indústria moageira também sentirá a falta de qualidade fluida, coisa que na safra passada não ocorreu”.

A Consultoria Trigo & Farinhas vai além, e analisa dados desta safra divulgados pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR). Segundo os indicadores, nada menos que 49,31% do trigo analisado até o momento pela BCR tem proteína entre 9,1% e 10,0% – não sendo muito próprio para moagem.

Do restante, outros 46,62% tem proteína entre 10% e 12% com o que serviria para fazer farinhas apenas para biscoitos e, talvez, com alguma maturação (o que exigiria vários meses) para pão. Assim, a safra atual de trigo na Argentina teria 95,93% de trigo de baixa qualidade, segundo as análises da Bolsa de Comércio de Rosário.

“Contudo, temos que perceber que a maioria das análises feitas nesta Bolsa são de amostras de trigos do norte do país, que, tradicionalmente, tem qualidade menor do que o das províncias do sul, como Buenos Aires e La Pampa. Trigos com 12% ou mais de proteína seriam, então, 4,07% da safra atual, ou algo como 700 mil toneladas, a grosso modo”, afirma o analista Luiz Fernando Pacheco.

“Certamente os moinhos locais, melhor conhecedores da situação, já reservaram para si os melhores lotes, disputando-os com os exportadores. Então, há que se definir muito bem a qualidade desejada ao se fazer um contrato com os exportadores argentinos e, principalmente, escolher bem o porto de origem”, conclui.

Fonte: Agrolink