Reprodutivo

Transferência de Embriões

A transferência de embriões (TE) é uma biotécnica que permite recolher embriões de uma fêmea doadora e transferi-los para fêmeas receptoras (barrigas de aluguel) com a finalidade de completarem o período de gestação.

Apesar dos procedimentos sofisticados necessários para sua implementação, a TE é uma biotécnica mundialmente difundida.

Com a utilização da Inseminação Artificial, houve a possibilidade da otimização no emprego de machos reprodutores considerados de alto valor genético, na medida em que com sêmen congelado aumenta o potencial de gerar descendentes desses animais, porém o processo de seleção restringia-se somente ao macho, devido à fêmea gerar apenas um descendente por ano.

Nesse intuito, a TE transpõe o conceito de que o processo de seleção genética e características fenotípicas permanecesse restrito ao macho, pois esta biotécnica possibilita a fêmea produzir um maior número de descendentes do que seria possível fisiologicamente, além de proporcionar através da congelação de embriões o transporte internacional de germoplasma sem o risco de transmissão de doenças, conservação de raças em perigo de extinção, dentre outros aspectos.

Para a seleção das doadoras a serem inclusas num programa de TE, as fêmeas devem ser observadas quanto à ausência de distúrbios reprodutivos e doenças hereditárias, presença de ciclo estral regular, conformação desejável dentro dos padrões raciais, nutrição adequada, etc. Novilhas púberes podem ser incluídas num programa de TE desde que tenham adquirido massa muscular representativa de seu peso adulto e apresentem desenvolvimento anátomo-fisiológico que permita a realização dos procedimentos necessários à coleta dos embriões.  Na avaliação da doadora devem ser efetuados os exames clínico-geral (sistemas locomotor, digestivo, urinário, etc) e ginecológico. Outro aspecto a ser considerado é o bem estar animal porque em situações de estresse os animais não respondem bem ao tratamento superovulatório (SOV).

No caso dos bovinos a vaca é uma espécie monovular, ou seja, a cada ciclo libera naturalmente apenas um óvulo. Fisiologicamente, sabe-se que o hormônio folículo estimulante (FSH), é o responsável pela estimulação nos ovários para o crescimento folicular. No processo de SOV busca-se a estimulação do maior número de folículos possíveis de uma mesma onda de crescimento folicular, garantindo, através da administração de hormônios, não só o desenvolvimento, mas a ovulação de tais folículos.

A resposta a SOV pouco se alterou durante os últimos 25 anos de pesquisa, conforme os dados compilados por um pesquisador americano (HASLER, 2004). Nos bovinos afirma que nos idos de 1979 obtinha-se média de 4,6 embriões por doadora (total de 248 doadoras) e; em 1999, dentre 1.485 doadoras foram obtidos em média 4,8 embriões/doadora. Sendo que cerca de 20% dos embriões não são recuperados.

Após a etapa da superovulação ocorre à coleta dos embriões, através de aparato próprio é feita uma espécie de lavagem intra-uterina, fazendo com que os embriões por gravidade e pelo próprio movimento hídrico sejam levados até filtros específicos, os quais por sua vez serão transportados ao laboratório para exame de avaliação morfológica, sendo selecionados apenas os embriões viáveis a serem transferidos para as receptoras.

Para os bovinos a taxa de sucesso da técnica é considerada alta, com taxas de prenhez ao redor de 70% para embriões transferidos a fresco, variando de acordo com a capacitação do veterinário que realiza o procedimento. Porém os fatores que mais influem no sucesso do procedimento são: a qualidade do embrião e capacidade da receptora em levar a gestação a termo.

Bibliografia

HASLER, J.F. Factors influencing the success of embryo transfer in cattle. In: World Buiatrics Congress, 23. Quebec. 2004.

Manual de Transferência e Micromanipulação de Embriões nas espécies Bovina e Eqüina. Embrapa – CENARGEN – Recursos Genéticos e Biotecnologia. 2003. 241p.

GONSALVES, P.B.D.; FIGUEIREDO, J.R.; FREITAS, V.J.F. Biotécnicas aplicadas à reprodução animal. São Paulo; Varela, 2002. p.127-140.


Fonte: Site Neogen genética.

http://www.cabanhainvernada.com.br/index.php?option=content&task=view&id=221&Itemid=60