Manejo

Tipos de sangria de seringueira e seus benefícios

Existem dois tipos de sangrias de seringueira bem definidos – a sangria descendente e a ascendente. A sangria ascendente, se bem feita, produz de 20 a 30% mais que a sangria descendente.

A sangria descendente, mais conhecida e mais aplicada, é feita em meio espiral. Para isso, é medido o perímetro do tronco e dividido ao meio. Se uma árvore tem 45 cm de perímetro, por exemplo, é utilizado para o painel de sangria 22,5 cm do perímetro da mesma. O painel da sangria descendente é feito a partir de 1,4 m de altura da árvore da seringueira para baixo, onde o sangrador começa a tirar a casca para realizar a sangria.

Já a sangria ascendente é realizada quando toda a casca virgem da planta acabou na sangria descendente. Permite um descanso maior para a casca, geralmente usada nos 12 primeiros anos de vida da árvore. O engenheiro agrônomo da fazenda Santa Helena, Marcos Roberto Murbach, explica que sangria ascendente é feita no mínimo por seis anos, para depois voltar a sangrar a casca de forma descendente, com a casca já regenerada. “Só é possível fazer essa sangria caso haja painel a essa altura, o que exige pelo menos 3 m de altura do tronco”, justifica.

ASCENDENTE x DESCENDENTE

Há algumas diferenças entre as sangrias. Uma delas é o ângulo, que na descendente é de 33 a 35 graus, enquanto na sangria ascendente é de 45 a 47 graus. Além disso, na primeira o látex vem pendurado, pois como o corte na árvore sobe, o látex vem de ponta.

Quando a sangria é descendente o látex desce dentro da canaleta. Mas na sangria ascendente a canaleta é de ponta cabeça, e por isso é importante um painel com declividade superior a 45º, provocando um efeito de atração de gota atrás de gota do látex escorrendo para a bica.

Há duas modalidades da sangria ascendente:

• 1/4 de espiral remutante, que sangra igualmente para cima e para baixo;

• 1/3 de espiral, em que é feita a sangria ascendente.

Com cuidado e tecnologia é possível sangrar uma seringueira por 20 anos somente em casca virgem. Somando esse período aos sete anos que levou para a formação da seringueira, o produtor só começa a extrair o látex de casca regenerada a partir do 27° ano da planta. Marcos Roberto lembrando que isso só acontece se for feito um manejo adequado da seringueira, que inclui um bom plantio, condução da tora a 3 m para obtenção de grande painel de extração, sistema de sangria descendente e em seguida o sistema de sangria ascendente. Esses cuidados permitirão uma longevidade da sangria de no mínimo 50 anos.

A primeira sangria é realizada aos sete anos da seringueira. São sangrados em torno de 12 a 15 cm anuais, consumindo todo o painel descendente da árvore em 12 anos. A partir daí, caso não seja adotado o sistema de sangria ascendente, no 13° ano o produtor voltará a sangrar uma casca regenerada, a qual muitas vezes não está totalmente recuperada. Optando pela sangria ascendente, a casca regenerada descansa por mais seis anos.

EXPERIMENTO QUE DEU CERTO

Na fazenda Santa Helena realizaram a sangria ascendente por seis anos e agora estão voltando a sangrar na casca regenerada. “Estamos tendo um ganho de produtividade grande, pois a casca ficou seis anos a mais descansando, o que permitiu uma recuperação total da árvore”, declara Marcos Roberto.

Ele não mensura ganho de produtividade direto com o sistema ascendente de sangria visto que o plantio de seringueira tem evoluído a cada ano, melhorando a técnica com produtos estimulantes de adubos. Além disso, há o ganho em produtividade a cada ano com o controle de ervas daninhas, de pragas, moscas e ácaros.

MÃO-DE-OBRA QUALIFICADA

Marcos Murbach salienta que ainda há muito a fazer para melhoria da produtividade dos seringais, como a mão-de-obra, que deve ser qualificada. Na opinião do agrônomo, este é um dos fatores mais importantes para a produção. “Toda a vida da seringueira está na mão do sangrador, por isso, ele deve ser treinado para realização de sangria ascendente e descendente. Se ele ferir a árvore ou o câmbio, dificultará a recuperação de casca, que virá cheia de caroço e prejudicará a sangria futura”, alerta.

O horário que o sangrador chega ao seringal também é importante, já que a fiscalização do trabalho alheio vai onerar ainda mais o custo de produção.

 

Fonte: http://www.seringueira.com/br/