Produtivo

Tipos de Mudas de Seringueira

A seringueira é uma planta que permite, com êxito, a sua implantação utilizando mudas de raízes nuas. Estas mudas geralmente são produzidas em viveiros implantados no campo, mediante enxertia seguida de arranquio e por último o plantio em local definitivo. Temos os seguintes tipos:

TOCO ENXERTADO CONVENCIONAL – É a muda obtida a partir de enxertia madura ou verde e plantada no local definitivo com a gema do enxerto dormente ou ligeiramente intumescida, tendo a raiz principal (pivotante) decepada com 45 cm de comprimento e as laterais com 5 cm. Este tipo de muda é o mais utilizado no Brasil, cerca de 90% dos plantios de nossos seringais, apesar de ter como inconveniente o alto índice de replantio (20 a 50%) quando plantados em épocas sujeitas a estiagens ocasionais após o plantio ou no início do desenvolvimento. Para reduzir as perdas, PEREIRA e DURÃES, 1983, fizeram a decapitação da parte aérea do toco a apenas 1,0 cm acima do escudo de enxertia seguido da impermeabilização até abaixo da borbulha com parafina derretida (85 a 90ºC) em “banho maria”, promovendo antecipação e uniformização da brotação do enxerto (PEREIRA,1986). As áreas implantadas com mudas convencionais entrarão em sangria 6 a 7 anos após o plantio, excluindo-se as perdas e os replantios.
MINI TOCO – É um tipo de muda usado para replantio, sendo inicialmente formado a partir de enxertia verde em viveiro de campo no espaçamento de 1,0 m x 0,50 m, em seguida de decapitação da haste do porta enxerto. Após 7 a 10 meses, a haste brotada do enxerto é podada em tecido maduro à altura de 0,60 m a 1,0 m do nível do solo e, após 10 dias, a muda é arrancada e transplantada com raiz nua para o local definitivo, quando as gemas, abaixo do ponto de decapitação da haste se apresentam ligeiramente intumescidas. (RRRIM 1975). A haste do mini toco deve ser pincelada com calda de cal em toda a sua extensão para melhor refletir os raios solares e diminuir a temperatura e transpiração. A raiz principal deve ser decepada a 45 cm de comprimento do “colo” do toco e as laterais a 5 cm da raiz principal (PEREIRA,1986.)
TOCO ALTO – Possui a técnica inicial de produção idêntica à descrita para mini toco, sendo ambos conduzidos em viveiros de campo, já estabelecidos no espaçamento de 0,90 m x 0,90 m com o “stand” conduzido até 18 meses quando será feita a decapitação da haste do porta enxerto. Este tipo de muda também pode ser conduzida em viveiros destinados a mudas convencionais. Após a enxertia verde e a verificação do pegamento, algumas são selecionadas e decapitadas para formação do “toco alto” num espaçamento 1,0m x 0,80 m, permanecendo as demais plantas enxertadas aguardando a época própria para serem decapitadas, arrancadas e plantadas em local definitivo, como muda convencional de raiz nua ou em sacos plásticos com dois lançamentos maduros. As plantas quando apresentarem a casca madura e diâmetro entre 9 cm e 14 cm, deverão ser separadas por classe e estarão em condições de serem levadas para o local definitivo. Seis ou sete semanas antes do transplantio, abre-se uma valeta de um dos lados da planta a fim de se fazer o corte da raiz pivotante a 45 cm a 50 cm de profundidade, em seguida a valeta deverá ser parcialmente reenchida. A decapitação da haste para o toco alto deverá ser feita 10 a 14 dias antes do transplantio para o local definitivo no local de casca madura a 2,40 m a 2,50 m de altura do solo, abaixo de um lançamento de gemas dormentes. A impermeabilização do corte terminal deverá ser feita com parafina líquida e o toco deve ser imediatamente pincelado com calda de cal hidratada em toda sua extensão (PEREIRA, 1986). O toco deve ser arrancado quando apresentar as gemas intumescidas e em início de brotação até 0,5 cm de comprimento. O transplantio realizado neste estágio, mais corte antecipado da raiz, tem a vantagem de induzir certo grau de endurecimento a muda, dando um alto grau de pegamento (95 a 100%), salvo condições adversas de clima. A muda de toco alto é considerada um tipo avançado, usado no replantio de falhas ou substituição de plantas em campo quando aos doze meses não apresentarem um desenvolvimento satisfatório. Caso se forme em área contínua, o período de sangria é antecipado para 4 a 4,5 anos após o plantio (PEREIRA, 1986).
TOCO ALTO ENXERADO DE COPA – Também chamado de tricomposto, é a muda originada de um viveiro de campo no qual foi utilizado o espaçamento de 1,0 m x 1,0 m e o porta enxerto recebe a enxertia verde com o clone desejado para painel (normalmente clones de alta produção). Após a enxertia de base e decapitada a haste do porta enxerto, as plantas crescerão até uma altura de 3,0 m a ,60 m, antes porém receberão outra enxertia verde a altura de 2,50 m acima do solo com o clone de copa (enxertia de copa). Uma vez estabelecido o tricomposto, poda-se o enxerto quando está crescido e maduro e o transplantio é feito tanto em raiz nua, quanto em saco plástico, seguindo a mesma técnica do toco alto.
ARRANQUIO DAS MUDAS

O arranquio das mudas pode ser manual com uso do enxadete ou mecânico pelo emprego do “quiau”. Se for utilizar o método de arranquio manual, cavar uma valeta lateral à linha das plantas enxertadas e a 0,50 m de profundidade. Arrancar as mudas através de movimentos para cima e para o lado da valeta com o devido cuidado para não danifica-las. Quando a raiz pivotante ultrapassar 0,50 m, decapita-la com o enxadete à essa profundidade.

Se o solo for de textura média a leve, o uso do “quiau” proporciona melhor rendimento e economia de mão de obra. Deve-se adotar os cuidados necessários para evitar o rompimento dos tecidos à altura do coleto. Dois homens com um “quiau”, arrancam de 800 a 1.000 mudas por dia.

Prepara-se essas mudas serrando a parte aérea não decapitada, através de corte em bisei, ficando o lado mais alto voltado para o enxerto; posteriormente, aplicar parafina derretida ou tinta a óleo no local seccionado. Aparar a raiz pivotante para 0,40 a 0,50 m de comprimento e as laterais para 0,10m.

Para transporte e plantio em locais distantes, procurar embalar as mudas em feixes de 30 a 35 plantas enroladas com ramagens ou sacos de aniagem, amarradas com fio de barbante, procurando evitar ao máximo traumas no enxerto.

PREPARO DA ÁREA

No estabelecimento de um seringal, o primeiro passo é a divisão da área em blocos, seguida das operações de preparo de área que pode ser manual ou mecanizada, e por fim complementa-se com as práticas conservacionistas de solo.

Esses blocos são definidos a partir da área a ser plantada com um clone e a quantidade de clones a serem utilizados no plantio é que irá definir o tamanho dos blocos ou talhões do seringal, que em grandes áreas não devera ultrapassar 25 ha. (EMBRATER, 1981) e se possível dever ser múltiplo inteiro da área de uma tarefa (área sangrada em um dia por um seringueiro).

Quando fizer a divisão da área em blocos, a distribuição das estradas terá que ser levada em consideração, pois pode ou não coincidir com a divisão, dependendo apenas do relevo. De qualquer modo nenhum “ponto” no interior do seringal deve ficar a mais de 450 m de uma estrada em condições de tráfego o ano todo (ABDULLAH, 1978). A idéia básica da divisão da área em blocos e a construção de estradas e/ou acessos está na facilidade de coleta de látex, realização de práticas agrícolas mecanizadas, de administração, acompanhamento e outras atividades que necessitam transporte. A direção e a forma dos blocos dependerão do relevo, direção e intensidade dos ventos, bem como a necessidade de se plantar um sistema de quebra ventos.

Selecionar a área para implantação do seringal com topografia plana ou suave ondulada, solo de textura média, não sujeita a inundações, profundidade mínima de 2,0 m, ausência de lençol freático neste nível, inexistência de camadas compactas e cobertura vegetal de mata ou capoeirão. Procurar utilizar áreas com culturas abandonadas ou improdutivas, evitando o máximo à derrubada de vegetação de recuperação florestal. Ao fazer a derruba de restos de culturas, procurar evitar a queima do material, preservando assim, a fauna e a flora microbiológica do solo.

Em terrenos declivosos, demarcar as curvas de nível com aparelhos de precisão ou níveis rústicos, obedecendo a distância inicial de 7,0 m ou 8,0 m entre linhas, abertura máxima nas entrelinhas de 11,0 m e mínima de 5,50 m. nos terrenos panos, estabelecer as linhas básicas distanciadas de 7,0 m ou 8,0 m uma da outra. Se a área for de capoeira rala, abrir faixas com largura de 2,0 m, tendo-se as linhas básicas como centro, distanciadas uma da outra de acordo com espaçamento escolhido, e rebaixar os tocos encontrados dentro da faixa.

Durante esse procedimento, deve-se efetuar a coleta de amostras de solo para verificação do pH e teores de alumínio trocável e basesCa++ eMg++. Caso seja necessário fazer a correção do solo, aplica-se calcário dolomítico na quantidade indicada pela análise do solo, inicialmente na faixa de 3,0 m tendo como centro a linha de plantio, e as aplicações subseqüentes de 2 em 2 anos ocorrerão até completar a área entre as linhas básicas, o que deverá acontecer no máximo no 6º ano após plantio. Se houver exploração de cultivos intercalares, a calagem deverá ser a lanço cobrindo toda a superfície do solo.

A calagem em uma área de seringueiras só deverá ocorrer até antes de iniciar a sangria devido a prováveis mudanças no látex provocada pelo aumento de concentração das bases circulando na seiva das plantas. No caso de solos com teores muito baixos de Ca++ eMg++ a aplicação de fosfato de rocha ou termofosfato magnesiano além de acrescentar estes elementos, ainda fornece fósforo às plantas.

COVEAMENTO

A prática da abertura de covas tem por objetivo dar condições para plantio da muda e melhorar o solo do local do plantio, para um desenvolvimento do sistema radicular. A maneira como a cova deve ser aberta vai depender do tipo de material de plantio a ser utilizado, seja semente, muda de raiz nua ou torrão. Em áreas de plantio que permitem a mecanização, a abertura das covas poderá ser feita com brocas nas dimensões exigidas o que dará uma redução nos custos desta prática, além do rendimento diário ser excelente.

Em áreas de relevo declivoso ou naqueles que foram preparadas manualmente, o coveamento é feito com auxílio de cavador boca de lobo, nas dimensões de 0,40 m X 0,40 m X 0,60 m, separando o solo retirado da camada superficial que deve retornar ao fundo da cova no momento do plantio, a camada inferior deverá ser misturada com a adubação de cova (100 g de superfosfato simples) e complementar o reenchimento da cova. A abertura das covas deverá preceder no mínimo 30 antes do plantio, a fim de que possa se evitar a formação de bolsões de ar que irão prejudicar as mudas implantadas dificultando a aeração.

TERRACEAMENTO

Em áreas de relevo acidentado (mais de 8% de declividade) é necessário se fazer um controle da erosão, o caminho para se realizar os tratos culturais e posteriormente a sangria, e para resolver de uma vez de uma vez as situações faz-se o terraceamento.O terraceamento quando feito com uso de tratores equipados com lâminas deve-se deixar uma declividade de 1,5% de fora para dentro e a cada 30 m de terraços fazer lombada transversal para evitar erosão dentro do terraço.

Em locais não possíveis de mecanização ou que não haja disponibilidade de máquinas, a opção é a construção manual de banquetas individuais para as plantas e a interligação das banquetas para o terraceamento é feita associada às capinas.

Em qualquer dos métodos utilizados, a cova deve ser localizada na margem externa do terraço ou das banquetas para que a muda quando plantada desenvolva seu sistema radicular no solo superficial de origem.

Fonte: http://pt.scribd.com/doc/14730767/34/PRAGAS-DA-SERINGUEIRA

REFERÊNCIAS
BRASIL. Superintendência da Borracha. Anais: Encontro Nacional sobre Explotação e Organização de
Seringais de Cultivo. Brasília, SUDHEVEA, 1986. 97 p.
CEPLAC/ EMBRAPA. Sistema de Produção de Seringueira Para a Região Sul da Bahia. Ilhéus – Bahia, 1983.
48 p.
FUNDAÇÃO CARGILL. Simpósio Sobre a Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo, I. Piracicaba,
1986. 334 p.
MORAES, Jonildo G.L. et DUARTE, Jodelse D. Cultura da Seringueira. COOPEMARC.
Valença – Bahia, 1987.102 p