Tempo bom para os cafés especiais

03/06/2014

Demanda é crescente, mesmo com alta nos preços motivada pela seca; expectativa é colher grão mais adocicado

O aumento significativo registrado nos preços do café – após a confirmação de perdas elevadas devido à seca que atingiu os cafezais ao longo do primeiro trimestre – não está interferindo na demanda pelos grãos especiais. Somente entre janeiro e maio, o preço pago subiu 43%. E, de acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla em inglês), a demanda é crescente e as expectativas em relação ao mercado para o restante do ano são positivas. Além disso, a estiagem também não comprometeu a qualidade do grão especial, que, inclusive, está mais adocicado por conta do estresse com a seca.

Segundo a diretora-executiva da BSCA, Vanusia Nogueira, a demanda pelo produto vem crescendo ao longo dos últimos anos, tanto no mercado interno como no externo. Este é um dos fatores que tem contribuído para a sustentação dos preços em patamares lucrativos.

Em relação às negociações da safra 2014, devido ao início da colheita em maio, as vendas estão lentas e devem ser aceleradas quando as primeiras sacas da safra chegarem ao mercado.

“Neste momento temos poucas efetivações no mercado, estão travando os preços para negociação futura. Por estar em início de colheita, os grãos da safra ainda não chegaram ao mercado, já que se leva cerca de um mês para que o produto seja finalizado”.

Neste início de mês, a saca de café especial é comercializada entre R$ 550 e R$ 600, ante os cerca de R$ 400 do produto convencional. Os números representam um ganho entre 37% e 50%, respectivamente, sobre o valor da commoditie. No mesmo período do ano passado, o café especial era negociado entre R$ 450 a R$ 500 a saca, enquanto o grão tradicional era negociado em torno de R$ 200.

Diante dos preços diferenciados, os cafeicultores têm investido cada vez mais na melhoria da produção.

“O nível tecnológico, de manejo e de capacitação dos produtores tem contribuído para uma melhora contínua da qualidade do café produzido em Minas Gerais e demais regiões produtoras do país. O retorno são os preços mais elevados e uma demanda crescente pelos cafés especiais”, afirmou Vanusia.

Em relação à safra 2014, as expectativas são favoráveis. Apesar da estiagem atípica, a produção de café especial, no que se refere à qualidade, não foi comprometida. Ainda existem dúvidas em relação ao volume colhido e ao tamanho da peneira dos grãos. “Os primeiros relatos e testes mostraram que o café da safra atual, apesar de grãos menores, estão com a qualidade muito boa. A bebida está mais adocicada, devido ao período de estresse que os cafezais passaram com a estiagem. O efeito é a formação de grãos com alto índice de açúcar”, explicou.

Exportação – De acordo com os últimos dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), as exportações brasileiras de cafés diferenciados, que incluem os grãos verdes certificados, orgânicos e especiais, totalizaram 2,545 milhão de sacas entre janeiro e abril deste ano, elevação de 61,2% sobre igual intervalo de 2013. A receita desses produtos no período foi de US$ 523,8 milhões.

O preço médio dos arábicas diferenciados ficou em US$ 205,79 por saca no primeiro quadrimestre do ano, ante US$ 173,30 do valor médio geral de todos os cafés exportados no período. O ágio do café especial (em grão verde) é de 53,5% sobre o valor dos arábicas naturais.

Fonte: Diário do Comércio
Autor: Michele Valverde