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Tecnologia de aplicação de químicos em citros reduz calda em 5 vezes

Um dos maiores desafios da agricultura é saber lidar com a água de maneira eficiente. Usando antigas práticas, os produtores ainda desperdiçam bastante o recurso natural mais disputado pela humanidade. Estudos indicam que a agricultura seja responsável pelo uso de 70% da água consumida no Brasil, o que mostra que os agricultores precisam usar as novas tecnologias disponíveis no mercado. A aplicação de produtos fitossanitários na citricultura é um bom exemplo de como o consumo exagerado de água pode ser reduzido. Usando bicos de pulverização adequados, calibrando os volumes corretos para cada tipo de equipamento e treinando o operador da máquina para seguir os novos padrões é possível reduzir o volume de calda em mais de cinco vezes. Para atingir esta redução significativa, o conceito de aplicação de produtos precisa mudar.

Hoje, muitas lavouras de citros têm um gasto muito grande de água e a eficiência na aplicação dos produtos cai, porque o conceito que o pessoal tem é de justamente lavar a planta. Na realidade, tecnologia de aplicação não é lavagem de planta, mas sim colocar o produto adequadamente distribuído, para que o controle dos problemas biológicos seja o melhor possível e baixe o custo do produtor. A principal novidade é que nós trabalhamos com a redução do volume de calda para ter maior eficiência dos defensivos agrícolas e reverter isso para o lucro do produtor rural — explica o engenheiro agrônomo José Maria Fernandes dos Santos, pesquisador científico do Instituto Biológico de São Paulo.

A base da tecnologia é reduzir significativamente a quantidade de água existente na mistura e depois fazer a aplicação de forma mais racional e precisa. O pesquisador José Maria já encontrou lavouras em que o produtor chegava a aplicar 16 litros de calda por planta, quando o ideal não passa de 1,5 litro. Na média, o que muitos produtores usam são 5 mil litros de calda por hectare e o especialista acredita que esse número não deva ultrapassar os 800 litros por hectare. Segundo José Maria, o excesso de calda não só é um desperdício, como não significa maior eficiência de aplicação porque a mistura escorre pela planta e vai direto para o solo.

Outro grande benefício da tecnologia de aplicação precisa é o impacto econômico significativo para o produtor. Não é apenas a quantidade de água que é reduzida. Como a aplicação é feita por bicos regulados, de forma mais precisa e com conceito diferenciado, a quantidade de produto aplicado por planta pode ser reduzido de 20% a 30%. Apesar da quantidade de químicos ser menor, a eficiência da aplicação é maior do que o conceito antigo de lavagem. Isto, porque, com o direcionamento correto e a preocupação de ajustar a aplicação de acordo com cada máquina, os defensivos chegam nos lugares certos e não ficam perdidos no solo ou em lugares onde não são necessários. Os benefícios são a redução de custos, de tempo de máquina em operação, a economia de uma matéria prima essencial como a água e o aumento de eficiência.

 

Fonte: http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Newsletter.asp?id=21773&secao=Pacotes%20Tecnol%F3gicos