Manejo

Tecnicas de Manejo Geral

DESFOLHAMENTO ARTIFICIAL

A técnica consta em se provocar a desfolha das plantas nas épocas desfavoráveis a ocorrência do fungo. Esta prática ajuda a reduzir e uniformizar a fase de perda das folhas e reenfolhamento, facilitando a programação de controle do M. ulei através de fungicidas e reduzindo as pulverizações. Apesar da técnica ainda estar em fase experimental no Brasil, a Bahia já testou os produtos DROP, FOLEX, MSMA e o ÀCIDO CACODÍLICO, porém sem resultados definitivos.

PLANTIOS EM “ÁREAS DE ESCAPE”

Uma área é considerada de “escape” quando apresenta condições desfavoráveis à proliferação do M. ulei, embora a seringueira possa ter desenvolvimento e produção econômica. A EMBRAPA considerou como área de escape a região apresenta “déficit” hídrico anual de 200 a 350 mm distribuídos de quatro a seis meses, com a desfolha da seringueira ocorrendo preferencialmente nos três meses intermediários desse período.

As áreas litorâneas que estão sempre sob ação do vento, margens de rios largos, onde normalmente a umidade relativa do ar é baixa e localidades em que a duração do orvalho nos folíolos não é muito demorada, contrariando as exigências do fungo que requer umidade relativa do ar alta por período prolongado, são consideradas de “escape” para plantio da He ve a. Mesmo considerando uma “área de escape”, devemos escolher para o plantio, clones que apresentem troca de folhas num período curto e uma só vez no ano, a fim de não favorecer o mal das folhas.

CONTROLE CULTURAL
Antes e após a implantação de um seringal e objetivando reduzir a incidência de doenças e facilitar o controle químico, devem ser seguidos
os seguintes critérios:
Evitar o plantio em áreas de baixadas, pois nestes locais a umidade é maior e favorece a incidência de M. ulei.

Dispor as linhas de plantio no sentido dos ventos dominantes, pois uma melhor aeração do seringal propiciará uma redução no período de permanência do orvalho, não esquecendo de verificar também os problemas de erosão.

Plantar blocos monoclonais, pois a mistura de clones determinará maior numero de aplicações de fungicidas, devido a troca de folhas ocorrer normalmente em épocas diferentes.

Criar uma infra-estrutura viária dentro do seringal de maneira que facilite o deslocamento de máquinas e equipamentos nas épocas das pulverizações.

Manter o plantio com vigor, realizando os tratos culturas adequados e nas épocas recomendadas, pois assim as plantas se tornam mais tolerantes às doenças.

CONTROLE QUÍMICO
O mal das folhas, dentro do possível, deve ser evitado para não precisar de aplicação de defensivos no seu controle, haja vista que o custo é alto. O uso de fungicidas quando associado à época adequada de pulverização e pique da doença, tem trazido bons resultados (no quadro a seguir, recomendações de defensivos).

Mistura de fungicidas, no caso da ocorrência de mais de uma doença, são aconselháveis, pois reduzem os custos de aplicação. Recomenda-se mistura de Tiofanato metílico (Cercobin a 0,15%) + Clorotalonil (Bravonil a 0,3% ou Daconil a 0,2%), para controle do M. ulei do Colletrotrichum gloeosporioides, agente causal da Antracnose. Em viveiros e jardim clonal, as aplicações devem ser feitas semanalmente, durante o período chuvoso, e quinzenalmente, durante o período seco. Em plantios definitivos, devem ser feitas em torno de seis pulverizações durante o reenfolhamento (GASPAROTTO. 1985).

ANTRACNOSE

A ocorrência desta doença na maioria das vezes vem associada ao mal das folhas. A desfolha das plantas em certas épocas é mais intensa em decorrência da antracnose, pois muitos folíolos que não cairiam com o ataque do M. ulei, mais tarde desprendem-se com a incidência desta doença.

ETIOLOGIA E EPIDEMOLOGIA
O agente causal da antracnose é o fungo Colletrotrichum gloeosporioides, chama na fase imperfeita de Glomerella cingulata.
Plantas deficientes, sem condução técnica e o ambiente com umidade relativa superior a 90%, são condições mais favoráveis para a ocorrência
da infecção.
SINTOMAS

Aparece nas folhas imaturas, ramos e frutos. A penetração do fungo nas folhas ocorre através de lesões provocadas por outros patógenos, insetos ou aberturas naturais. A identificação da doença pode ser feita observando lesões escurecidas, circundadas por área cloróticas e secamento dos folíolos, começando geralmente pelos bordos. Em plantios novos e jardim clonal, a doença causa o secamento do último lançamento. Nos ramos o sintoma pode ser confundido com o ataque de Phyt o pht ho r a, porém a antracnose não provoca escorrimento de látex no local afetado. Nos frutos aparecem rachaduras e apodrecimento da casca. A antracnose também pode ser identificada pela massa de esporos de coloração rósea na região necrosada.

CONTROLE

As plantas conduzidas tecnicamente e em bom estado nutricional, se tornam menos susceptíveis à antracnose. O controle químico deve ser feito com fungicidas, e as pulverizações devem ser feitas por semana na época de maior incidência e a cada quinze dias em outras ocasiões. O controle deverá acontecer na fase de lançamentos novos ou reenfolhamento até os folíolos estarem maduros.

REQUEIMA

Na Bahia é considerada como doença de maior importância no cultivo da seringueira. Em certas ocasiões o ataque é tão intenso que traz prejuízos superiores aos causados pelo mal das folhas.

ETIOLOGIA E EPIDEMIOLOGIA

O patógeno Phytophthora capisici foi isolado como agente causal desta doença em seringais baianos. Este afeta também, na região, a pimenta do reino e o cacaueiro. A ocorrência acentuada do ataque desta doença coincide com o aumento da umidade relativa do ar e queda da temperatura. Os plantios de Hevea que se encontram em fase de frutificação ou próximos de cacauais, têm apresentado maior incidência da enfermidade.

Os frutos apodrecidos pelo fungo e que ficam nas plantas de um período para o outro, ainda se constituem na maior fonte de inoculo da doença. Quando as condições de tempo são favoráveis, ocorre por parte do fungo uma produção acentuada de esporângios, que germinam ou passam a produzir zoósporos e daí ocorre a disseminação, principalmente pela água da chuva (ROCHA,1973).

SINTOMAS

A doença aparece em toda a parte aérea da planta, como também nos frutos. Inicia pelos ramos mais baixos da planta e a partir daí ocorre a distribuição para a copa. A infecção inicial nos frutos verdes apresenta uma mancha aquosa e descolorida. À proporção que aumenta a lesão verifica-se a presença de gotas de látex, negras e brilhantes. O desenvolvimento do micélio branco do patógeno ocorre quando o tempo apresenta umidade relativa alta. As plantas podem manter frutos doentes presos em seus ramos de um ano para o outro.

A concentração da infecção ocorre nos pecíolos, embora os folíolos também apresentem lesões. Nos pecíolos as lesões são aquosas, marrons escuras e com gotas de látex coagulados. As folhas contaminadas normalmente caem com os folíolos verdes e intactos. Quando a doença aparece nos folíolos, encontramos também lesões aquosas. Em condições de tempo favoráveis a doença pode provocar o desfolhamento total em 14 dias (RAMAKRISHNAN e PILLAI, 1961).

O ataque severo da requeima em clones susceptíveis, pode provocar destruição parcial da copa das plantas pela morte dos ponteiros e ramos inferiores. A requeima em viveiros e jardim clonal apresenta nas plantas atacadas, o aparecimento de látex exsudado na extremidade do último lançamento, causando a morte do broto terminal. Isto provoca o estímulo da brotação de gemas laterais.

CONTROLE

O controle preventivo seria a melhor opção. Como se torna difícil fazer uma previsão do surgimento da doença, o melhor é manter uma observação constante no seringal e, logo que apareçam os primeiros sintomas da enfermidade, fazer aplicações quinzenais, com os fungicidas recomendados.

Fonte: http://pt.scribd.com/doc/14730767/34/PRAGAS-DA-SERINGUEIRA

REFERÊNCIAS
BRASIL. Superintendência da Borracha. Anais: Encontro Nacional sobre Explotação e Organização de
Seringais de Cultivo. Brasília, SUDHEVEA, 1986. 97 p.
CEPLAC/ EMBRAPA. Sistema de Produção de Seringueira Para a Região Sul da Bahia. Ilhéus – Bahia, 1983.
48 p.
FUNDAÇÃO CARGILL. Simpósio Sobre a Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo, I. Piracicaba,
1986. 334 p.
MORAES, Jonildo G.L. et DUARTE, Jodelse D. Cultura da Seringueira. COOPEMARC.
Valença – Bahia, 1987.102 p