Variedades

Tangerinas

Os citros são plantas perenes, com 4 a 6m de altura, da família Rutaceae, nativas do Sudeste Asiático, vegetam e produzem satisfatoriamente em regiões com as mais variadas condições de clima e solo. Os frutos podem ser utilizados para consumo ao natural e para industrialização, de onde são obtidos diferentes produtos processados, como sucos, óleos essenciais, pectina e rações. Tangerinas (C. reticulata Blanco), Tangor (C. sinensis Osbeck x C. reticulata Blanco).

As tangerinas, ou mandarinas, constituem o segundo grupo de frutas cítricas pela importância em áreas plantada. Entre os híbridos de tangerina de maior interesse comercial tem-se o tangor Murcote.

Cultivares de tangerinas e tangor: Cravo, Poncã, Mexerica e Murcote.

Época de plantio: períodos das chuvas ou fora deste, com irrigação.

Espaçamento: tangerinas e tangor – 7 x 4m; limas ácidas e limões verdadeiros – 8 x 6m.

Mudas necessárias: o número de mudas a ser utilizado por hectare varia de acordo com o espaçamento empregado para cada variedade. Devem ser plantadas mudas vigorosas adquiridas de viveiros registrados na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Procurar diversificar os porta-enxertos através da utilização de limão Cravo, tangerinas Sunki e Cleópatra, laranja Caipira, citrumelo Swingle ou tangelo Orlando. Não utilizar o citrumelo Swingle como porta-enxerto para laranja Pêra, tangor Murcote, e limões Siciliano e Eureca.

Controle da erosão: utilizar plantio em nível e cultivo em ruas alternadas nos maiores declives. Usar roçadeira no período mais chuvoso para controle do mato, evitando manter o solo descoberto.

Calagem: Aplicar calcário para elevar o índice de saturação por bases (V%) a 70%, o qual é obtido com a análise de solo.

Adubação: a adubação também é recomendada de acordo com a análise de solo, e depende da idade da planta.

Adubação de plantio: aplicar no sulco de plantio 250g de calcário dolomítico e 20 a 80 g/m linear de P2O5 misturados dentro do sulco com o auxílio de equipamento apropriado.

Adubação de formação: (1 a 5 anos de idade): aplicar por planta, no 1º ano, 80g N, e 20g de k2O somente em solos com baixo teor de potássio; no 2º ano, 160g de N, 50 a 160g de P2O5 e 60 a 80g de K2O; no 3º ano; 200g de N, 70 a 200g de P2O5 e 50 a 150g de K2O; no 4º ano, 300g de N, 100 a 300g de P2O5 e 70 a 200g de K2O; e no 5º ano, 400g de N, 140 a 400g de P2O5 e 100 a 300g de K2O. As doses de P2O5 e K2O dependem dos teores de P e K no solo.

Adubação de produção: (pomar com mais de 5 anos de idade): considerar as variedades cultivadas, os teores de nutrientes no solo e nas folhas determinados através da análise química, e a produtividade. Contudo, para pequenos pomares que não compõem uma atividade lucrativa, pode-se simplificar a recomendação de adubação, aplicando por planta e para cada caixa de 40,8kg de frutos a ser produzida: para tangerinas e Murcote – 140 a 180g de n, 60 a 120g de K2O e 60 a 180g de P2O5. Para tangerinas e Murcote, a faixa de adubação deve ficar pelo menos 0,5m distante do tronco das plantas para que não haja prejuízos devido à salinidade dos adubos. As deficiências de micronutrientes (B, Mn e Zn) devem ser corrigidas com adubações foliares no período de vegetação das plantas, durante a primavera-verão, fazendo 3 a 4 aplicações no período de formação e 2 aplicações para os pomares em produção. Pulverizar as plantas com uma solução contendo 0,1% de ácido bórico, 0,2% de sulfato de manganês, 0,3% de sulfato de zinco, 0,5% de uréia e 0,25% de cloreto de potássio.

Irrigação: no plantio, até o pegamento, e suplementar quando possível.

Outros tratos culturais: coroação manual das plantas ou uso de herbicidas na linha, e uso de roçadeira na entrelinha de plantio para controle do mato. Poda de ramos secos e afetados por pragas e doenças. Para as tangerinas e tangor Murcote, há a necessidade de se fazer desbaste quando os frutos estiverem com diâmetro aproximadamente de 2cm, eliminando-se 30 a 60% dos frutos, dependendo do número de frutos que cada planta apresenta.

Colheita de tangerinas e tangor: março a julho – Cravo, Poncã e Mexerica; julho a outubro – Murcote. Para as laranjas e tangerinas, o número de meses necessários para o completo desenvolvimento e maturação dos frutos depende dos diferentes cultivares: Efetuar a colheita manualmente 6 a 13 meses a partir do florescimento.

Produtividade: para tangerinas e tangor – 200 a 250 kg/planta.

Principais pragas: ácaro da leprose, ácaro da ferrugem, cochonilhas, mosca-das-frutas, brocas, pulgões e formigas cortadeiras.

Principais doenças: tristeza, cancro-cítrico, declínio, clorose variegada dos citros (CVC) gomose, verrugose, rubelose, melanose, antracnose e queda anormal de frutos.

Defensivos registrados para citros: acaricidas – acephate, dicofol, dinocope, tetradifon, dimethoate, ethion, parathion methyl, fenbutatin óxido, azinphos ethyl, cyhexatin, vamidothion, carbosulfan, fenpropathrin, quinomethionate, bromopropylate, propargite, enxofre, azocyclotin, hexythiazox, aldicarb e abamectin; inseticidas – Bacillus thuringiensis, óleo vegetal, óleo mineral, chlorenapyr, deltamethrin, acephate, triazophos, diazinon, dimethoate, trichlorfon, ethion, parathion methyl, diflurbenzuron, azinphos ethyl, vamidothion, enxofre, fenthion, fenpropathrin, tebufenozide, carbendazin, methidathion, quinomethionate, carbaryl, aldicarb e abamectin; fungicidas – fosetyl-Al, benomyl, calda bordalesa, captan, hidróxido de cobre, oxicloreto de cobre, óxido cuproso, mancozeb, difeconazole, chlorothalonil, metalaxyl, thiophanate methyl, enxofre, ziram e thiabendazole; herbicidas – diurin, napropamide, ghyphosate, oxyfluorfen, paraquat, bromacil, simazin, trifluralin, ametrin + simazin e sulfosate; regulador de crescimento – ácido giberélico.

Fonte: Boletim, IAC, 200, 1998.