Suinos

Uso do triticale na alimentação de suínos

Uso do triticale na alimentação de suínos

O triticale apresenta as mesmas vantagens do trigo, em relação às condições de produção nas propriedades suinícolas, como forma de baratear os custos com a produção de alimentos, e potencializar o uso dos fatores produtivos, especialmente a terra, mão de obra e maquinários. Também pode integrar um sistema de produção com milho e suínos. Na utilização do triticale, os seguintes aspectos devem ser observados:

1. Colheita e armazenagem
A colheita deve ser realizada o mais cedo possível para evitar perdas, principalmente em relação à qualidade do produto. Recomenda-se a colheita mecânica com  20% de umidade para o grão duro e de 25 a 35% para o grão destinado à silagem. Se não for possível a secagem, o grão duro deve ser colhido com menos de 14% de umidade. Na colheita manual, o corte deve ser feito com  25% de umidade e a trilha após a secagem da palha e com umidade dos grãos abaixo de 14%. A armazenagem deve ser feita com o produto limpo e com umidade de, no máximo, 13%.

2. Aspectos nutricionais
Comparado com o milho, que é a fonte tradicional de energia nas dietas de suínos e aves, o triticale possue maior concentração de proteína e menor concentração de energia. O valor de energia bruta, digestível e metabolizável do triticale é semelhante à do trigo, porém inferior à do milho. O teor de proteína bruta pode variar em função da cultivar e condições de cultivo. O grão de triticale apresenta melhor balanceamento de aminoácidos do que o milho e o sorgo, incluindo maior teor de lisina e metionina. Em relação ao trigo os resultados de desempenho demonstram que a qualidade da proteína é um pouco inferior. Os aminoácidos mais limitantes no triticale para dietas de suínos, são a lisina e a treonina, seguidos da metionina e cisteína.
Nos cultivares recomendados para o Brasil, o peso do hectolitro (PH) geralmente varia entre 65 e 80 kg/hl. Um PH baixo indica deficiente enchimento do grão, associado a um menor valor energético e maior concentração de proteína.

3. Fatores antinutricionais
Os grãos de triticale podem ser contaminados com ergotamina, substância tóxica formada na presença do fungo Ergot. A giberela, doença causada por espécies do fungo Fusaruim, em sua forma sexuada, também pode causar problemas de toxidez aos animais. Outros fatores antinutricionais observados no triticale são inibidores de proteases, da tripsina e da quimotripsina, que reduzem a digestibilidade da proteína ao se ligarem às enzimas digestivas tripsina e quimotripsina. As cultivares de triticale desenvolvidas mais recentemente apresentam níveis aceitáveis destes inibidores, comparáveis com os observados no milho, e possuem resistência ao ataque de fungos.

4. Granulometria
Em relação à granulometria do triticale, são válidas as recomendações feitas anteriormente para o trigo. Diâmetro médio de partículas menores que 0,85 mm causam redução no consumo da ração, e o uso de grão integral reduz a digestibilidade e o desempenho dos suínos.

5. Silagem de grão
O processo de ensilagem do grão úmido de triticale é semelhante ao do trigo. A observação do teor de umidade ideal, a correta compactação e vedação do silo, são os pontos fundamentais a serem observados.
No uso da silagem, deve-se retirar diariamente uma camada que abranja toda a superfície exposta do produto, e a ração deve ser fornecida no mesmo dia da elaboração. Este procedimento evita que haja aquecimento e contaminação por fungos produtores de micotoxinas.
O consumo de ração com silagem de grão de trigo deve ser superior ao consumo de ração de grão seco, devido ao maior teor de umidade. Este maior consumo deve ser levado em conta na formulação e balanceamento da ração. A forma de proceder ao cálculo é semelhante ao demonstrado na silagem de milho.

Fonte: http://www.suinoculturaindustrial.com.br/PortalGessulli/AppFile/Material/Tecnico/alimentosuino.pdf