Suinos

Uso do sorgo na alimentação dos suínos

Uso do sorgo na alimentação de suínos
O sorgo pode substituir parcial ou totalmente o milho como fonte energética para nutrição de suínos, desde que sejam ajustados os teores nutricionais com os outros ingredientes, e considerados os fatores antinutricionais e suas implicações no balanceamento da ração. Para o uso do sorgo são importantes as seguintes considerações:

1. Colheita e armazenagem
O sorgo deve ser colhido com uma umidade próxima a 18% e armazenado com uma umidade abaixo de 14%. As boas condições de colheita e armazenagem são importantes para manter a qualidade do sorgo, evitando a proliferação de fungos, como o Claviceps purpúrea, ou Ergot, que pode produzir a micotoxina ergotamina.

2. Aspectos nutricionais
O sorgo é muito semelhante ao milho. Possui o endosperma formado principalmente por amido, sendo 27% amilose e 73% amilopectina. A diferença entre os dois grãos está no tipo de proteína que envolve o amido. No sorgo, a proteína e o amido estão mais aderidos, o que diminui a digestibilidade do grão e da ração que utiliza este nutriente. Linhagens híbridas têm melhorado o tipo de amido do sorgo e melhorado a digestibilidade da matéria prima, como é o caso do sorgo ceroso, que apresenta 100% de amilopectina no amido. Entretanto o aumento do valor nutricional no sorgo ceroso deve-se à combinação de maior concentração de amido e à alteração na estrutura do endosperma.

Como fonte energética o sorgo é, em geral, um pouco inferior ao milho. A energia digestível e metabolizável para suínos é cerca de 6% menor que a do milho.
O teor de proteína do sorgo varia de 8 a 9% e, em média, é superior ao do milho. Entretanto, os níveis maiores de proteína no sorgo não mantém a mesma proporção de aminoácidos essenciais críticos à nutrição de suínos e aves. Esta variação na composição do sorgo é causada principalmente pelas condições climáticas e de solo onde é plantado.

3. Fatores antinutricionais
O valor nutritivo do sorgo é marcadamente influenciado pela presença de taninos. Estas substâncias constituem um complexo de polímeros fenólicos, cuja função nas plantas não está bem definida, mas acredita-se que tenha relação com a resistência às condições adversas do ambiente, como o ataque de fungos, pragas e pássaros. O teor de tanino afeta diretamente a digestibilidade dos nutrientes presentes no sorgo. Estes efeitos podem ser observados pela redução na digestibilidade da matéria seca e dos aminoácidos, e na redução dos valores energéticos do sorgo. Nos animais observa-se um menor ganho de peso e uma menor conversão alimentar.

Através do melhoramento genético tem sido desenvolvidos cultivares com baixos teores de tanino, menos de 0,7%, eliminando os efeitos negativos do ponto de vista nutricional. O uso destas cultivares é fundamental para que o sorgo tenha maior importância como cultura econômica e ganhe maior participação no mercado de rações.
Há uma tendência em se considerar o sorgo com ou sem tanino, e não mais sorgo com baixo, médio e alto tanino. Assim sorgo que apresente teor menor que 0,6% de tanino, em análise pelo Método Azul da Prússia, é considerado sem tanino.

4. Granulometria
Os estudos realizados em relação ao efeito da granulometria do sorgo sobre a digestibilidade dos nutrientes e desempenho dos animais, mostraram que a redução do diâmetro das partículas tem efeito positivo sobre estes fatores. Este comportamento é semelhante ao obtido em estudos com o milho, o que sugere o uso das mesmas recomendações de granulometria para os dois ingredientes.

Soro de leite
Importância econômica
O soro de leite é o produto resultante da fabricação de queijo. É um subproduto de lacticínios, podendo causar problemas quanto ao destino e tornar-se uma fonte de poluição ambiental.
O soro de leite pode ser usado na forma integral para a alimentação animal, processado para extração da lactose ou desidratado para a obtenção do soro de leite em pó.

Composição e características químicas
O soro de leite apresenta baixo teor de energia em função do elevado volume de água. A principal fonte energética é a lactose que está presente em aproximadamente 5% de sua composição.
A proteína do soro de leite é composta de 60 a 70% de albuminas e de 30 a 40% de globulinas. Apesar do baixo teor de proteína, os aminoácidos presentes têm alta digestibilidade. O teor de lipídios varia muito em função do sistema de produção de queijo. Pode estar entre 0,03 e 0,5% do produto. O conteúdo de cinzas é elevado, principalmente as frações de cálcio, fósforo e sódio. O soro de leite tem baixo teor de vitaminas lipossolúveis que ficam retidas no queijo e alto teor de vitaminas do complexo B.

Normas para a alimentação animal
• Soro de leite em pó – É o produto resultante da desidratação do soro de leite.

Uso do soro de leite na alimentação de suínos
O soro de leite para alimentação dos suínos pode ser utilizado na forma integral, desidratado (resultando no soro de leite em pó), parcialmente desidratado (soro de leite condensado), ou ainda sofrer a extração da lactose, destinada principalmente ao consumo humano.
O soro de leite em pó é utilizado principalmente na alimentação de leitões ao desmame. Apresenta excelente valor nutritivo nesta fase, pois é constituído de no mínimo 70% de lactose e 11% de proteína de alta qualidade, ambos com alta digestibilidade.
O soro de leite condensado contém no máximo 36% de matéria seca, apresentando assim menor volume do que o soro integral e podendo ser usado principalmente para suínos em crescimento e terminação.
O soro de leite integral pode ser uma alternativa para reduzir o custo da alimentação dos suínos. Sua composição é muito variável, dependendo das características do leite e do tipo de beneficiamento realizado. Pela grande quantidade de água presente apresenta limitações de consumo, sendo recomendado para animais nas fases de crescimento, terminação e para porcas em gestação. Para suínos
em crescimento e terminação o soro de leite pode substituir até 30% da ração sem prejuízo no desempenho. Para estimular o consumo de soro, fornecido à vontade, recomenda-se restringir o acesso à água.

Para porcas em gestação o soro pode substituir em até 50% a ração fornecido, sendo fornecido à vontade, e restringindo-se o acesso à água. Próximo aos cem dias de gestação deve-se retirar gradativamente o soro de leite da dieta. Apartir dos cem dias de gestação e na fase de lactação o soro pode ser utilizado para molhar a ração em substituição à água, não sendo recomendado em maiores quantidades.
O uso do soro exige conhecimento da sua composição química e o correto balanceamento de nutrientes na dieta. Importante também o adequado armazenamento e manuseio do produto, para que tenha sua qualidade preservada, além de uma avaliação econômica do custo/benefício.
No armazenamento pode ocorrer acidificação por fermentação microbiana, que altera as características químicas do soro, principalmente pela redução do teor de matéria seca e de lactose, que é transformada em ácido lático. Recomenda-se um tempo de armazenamento inferior a quatro dias.

Fonte: http://www.suinoculturaindustrial.com.br/PortalGessulli/AppFile/Material/Tecnico/alimentosuino.pdf