Suinos

Uso da soja na alimentação dos suínos

Uso de soja na alimentação de suínos

Na alimentação de suínos a soja participa como fonte protéica, na forma de farelo, que é o subproduto da extração do óleo. Na forma integral o uso encontra restrições, principalmente pela presença de fatores antinutricionais. Os produtores de soja normalmente vendem a produção para as indústrias, e estas vendem o farelo de soja para as propriedades suinícolas.
Existem vários tratamentos à base de calor para controlar os fatores antinutricionais da soja, possibilitando o emprego do grão integral, melhorando o valor energético da ração e barateando o seu custo. Entretanto, a escassez de equipamentos para uso nas propriedades e a necessidade de um bom controle da temperatura no processo, dificultam o uso destes tratamentos pelos produtores rurais.

1. Aspectos nutricionais
O grão integral tem de 36 a 38% de proteína bruta, 16 a 20% de óleo. A proteína da soja é de grande valor nutricional por conter todos os aminoácidos essenciais, sendo limitantes, a metionina e a treonina. A sua digestibilidade depende da presença ou não dos fatores antinutricionais, sendo que quanto melhor o controle destes, maior será a digestibilidade da proteína da dieta.

O óleo da soja é formado principalmente por ácidos graxos não saturados, especialmente o ácido linoleico, o qual pode interferir na qualidade das carcaças dando-lhe menor consistência do toicinho.
O farelo de soja tem de 42 a 48% de proteína bruta e 2% óleo. No processamento da soja, aproximadamente 82% é transformada em farelo e 18% em óleo bruto.
A proteína do farelo de soja é altamente digestível, atingindo as exigências dos suínos em lisina, triptofano, isoleucina, valina e treonina. Entretanto, o farelo de soja é deficiente quanto ao conteúdo de aminoácidos sulfurados, especialmente a metionina.

2. Fatores antinutricionais
A soja possui vários fatores antinutricionais que prejudicam ou impedem a absorção dos nutrientes pelos animais, como os inibidores de tripsina e quimiotripsina, as lectinas, os taninos, os alcalóides, as saponinas e os glicosídios, que são compostos termolábeis, ou seja, inativados mediante tratamento térmico.
Os inibidores da tripsina são compostos protéicos que atuam sobre a tripsina, enzima pancreática, prejudicando a digestão das proteínas alimentares. São os que tem maior importância, uma vez que quando controlados pelos tratamentos térmicos, indicam que os outros fatores antinutricionais termolábeis também estarão controlados.

3. Controle dos fatores antinutricionais
A destruição dos fatores antinutricionais da soja é feita com o uso do calor, com correta duração e intensidade, desnaturando ou destruindo os fatores.
Entretanto, a qualidade da proteína pode ser afetada por um sub-aquecimento, como também por um super-aquecimento. O tratamento com calor é mais efetivo quando a umidade é elevada. Existem muitas combinações entre temperatura e tempo de processamento possíveis de serem utilizadas, visando maximizar a qualidade do grão de soja e minimizar os custos com energia. Entre os métodos
de processamento disponíveis, tem-se a tostagem por tambor rotativo, tostagem por calor úmido, tostagem por calor seco, jet splorer, micronização, extrusão úmida ou seca e cozimento. Os mais utilizados são a extrusão, seca ou úmida e a tostagem.

• Tostagem por tambor rotativo – foi o primeiro método utilizado no país e consiste em colocar os grãos de soja dentro de um tambor rotativo que recebe calor direto, gerado pela queima de gás de cozinha. É muito difícil acertar o ponto de tostagem pois este varia com o grão (tamanho e umidade). Soma-se a isso o elevado tempo necessário para atingir a temperatura de inativação dos fatores antinutricionais causando danos à qualidade da proteína da soja. Esse método, processa pequenas quantidades, não apresenta fluxo contínuo e é pouco automatizado. Além disso, é o processo que apresenta menor padronização, com sérios problemas de homogeneização do produto final, devendo deixar de ser utilizado com o aparecimento de novos equipamentos.

• Tostagem por calor úmido – consiste em uma ou mais tubulações com uma rosca transportadora em seu interior que movimenta a soja enquanto a submete diretamente ao vapor, com baixa pressão de trabalho. São máquinas que processam de 1.500 a 3.000 kg de grãos/h, sendo necessária uma caldeira para a produção de vapor, com o uso de óleo combustível ou lenha. Os grãos são processados inteiros e em seguida submetidos a secagem, reduzindo a umidade a 10–12%. É um método de boa aplicação industrial, com custo de processamento em torno de US$ 8,00/t, sem contar os custos com o investimento.

• Tostagem por calor seco – pode-se utilizar um método misto composto por cilindros, sendo que no primeiro cilindro a soja é submetida diretamente ao vapor úmido e nos outros quatro fica dentro de camisas. Portanto, há um aquecimento sem que a soja entre em contato direto com a fonte de vapor. Os cilindros são colocados verticalmente um sobre o outro.
Operando em fluxo contínuo, a soja é colocada no primeiro cilindro superior e depois transportada para os cilindros seguintes até sair no último cilindro, já processada, necessitando passar por um resfriador.

• Jet-sploder – o grão de soja entra em um tubo onde é submetido a um jato de ar aquecido (315oC). Ao sair do tubo o ar se encontra a 120–200oC e esse gradiente de temperatura provoca, em 1 minuto, a elevação da temperatura do grão acima do ponto de ebulição da água, sendo aquecido a 140–150oC e submetido a pressão, o que provoca uma ruptura na estrutura do grão. Ao sair do tubo é laminado por dois compressores e então moído, após ser resfriado. È um processo contínuo que produz 80 kg/min com um custo de processamento de cerca de US$ 8,00/t, sem considerarmos os
gastos de compra do equipamento.

• Extrusão – há quatro tipos de extrusores, STHT (short time/high temperature) de rosca única e de rosca dupla, extrusores de cozimento por pressão e extrusores de cozimento a seco. Os três primeiros utilizam vapor e energia elétrica, enquanto que o quarto utiliza somente energia elétrica.

Na extrusão a seco o grão de soja é empurrado pelo cilindro condicionador para dentro da rosca extrusora que é composta por roscas sem fim com obstáculos, ultrapassando-os um a um e atingindo em 30 a 40 segundos a temperatura de 130- -135oC e uma pressão de 30 a 60 atmosferas. Com essa pressão não há perdas de água, visto que a pressão de evaporação da água é inferior a pressão interna do tubo, à temperatura de 130 a 140oC.

Porém, logo ao sair do tubo da extrusora a pressão é subitamente aliviada, causando imediata expansão da soja e intensa evaporação de água. Essa perda de água faz com que a temperatura do grão caia de 130oC para 80oC em segundos e a gordura que estava efervescente e fora da célula seja rapidamente reabsorvida. O custo de produção é próximo de US$ 38 12,00/t. Há máquinas que produzem de 600 a 1.200 kg/h em extrusão à seco, podendo-se dobrar essa produção se houver injeção de vapor. Há a necessidade de se realizar a moagem do produto extrusado, uma vez que há formação de aglomerados após sair do extrusor.

• Micronização – o grão de soja passa por um processo de limpeza, entra por uma moega dosadora e vai a uma esteira vibratória de ladrilhos que estão sob queimadores de gás que produzem raios infravermelhos como fonte de calor. Durante 5 minutos de passagem pela esteira os raios infravermelhos penetram no grão movimentando as moléculas que vibrarão de 60 a 150 mil megaciclos por segundo, aquecendo o grão e vaporizando a água. O grão fica inchado e com fissuras internas e passa por um cilindro que lamina o produto, após ter passado por um tanque redondo com agitador onde
ocorre o resfriamento do produto. O produto laminado deve ser moído para posterior uso em rações.

• Cozimento – consiste em adicionar os grãos de soja à um volume de água, na proporção de 1:2, quando esta se encontra em ebulição (100oC) por um período de 30 minutos. Passado este período os grãos são retirados da água e postos para esfriar e secar sobre papel impermeável ou então secos em estufas, para posteriormente serem moídos.
Para medir a inativação dos fatores antinutricionais o método mais usado é o da atividade ureática. A urease é uma enzima que atua sobre compostos nitrogenados não protéicos. A determinação da urease na soja mede, de maneira eficaz, o grau de inativação dos fatores antinutricionais. Sua aferição se faz pela variação do pH. O grão crú tem atividade ureática de 2,0 a 3,0. O grão inativado deve ter no máximo 0,3 e , preferencialmente, valores próximos de zero. A qualidade da proteína após o processamento, pode ser medida pelo método da determinação da proteína solúvel em solução de hidróxido de potássio a 0,2%, ento. A solubilidade entre 75 e 80% indica que a qualidade da proteína foi mantida.

Fonte: http://www.suinoculturaindustrial.com.br/PortalGessulli/AppFile/Material/Tecnico/alimentosuino.pdf

Uso de soja na alimentação de suínos
Na alimentação de suínos a soja participa como fonte protéica, na forma de
farelo, que é o subproduto da extração do óleo. Na forma integral o uso encontra
restrições, principalmente pela presença de fatores antinutricionais. Os produtores de
soja normalmente vendem a produção para as indústrias, e estas vendem o farelo de
soja para as propriedades suinícolas.
Existem vários tratamentos à base de calor para controlar os fatores antinutricionais
da soja, possibilitando o emprego do grão integral, melhorando o valor energético
da ração e barateando o seu custo. Entretanto, a escassez de equipamentos para uso
nas propriedades e a necessidade de um bom controle da temperatura no processo,
dificultam o uso destes tratamentos pelos produtores rurais.
1. Aspectos nutricionais
O grão integral tem de 36 a 38% de proteína bruta, 16 a 20% de óleo. A proteína
da soja é de grande valor nutricional por conter todos os aminoácidos essenciais,
sendo limitantes, a metionina e a treonina. A sua digestibilidade depende da
presença ou não dos fatores antinutricionais, sendo que quanto melhor o controle
destes, maior será a digestibilidade da proteína da dieta.
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O óleo da soja é formado principalmente por ácidos graxos não saturados,
especialmente o ácido linoleico, o qual pode interferir na qualidade das carcaças
dando-lhe menor consistência do toicinho.
O farelo de soja tem de 42 a 48% de proteína bruta e 2% óleo. No processamento
da soja, aproximadamente 82% é transformada em farelo e 18% em óleo bruto.
A proteína do farelo de soja é altamente digestível, atingindo as exigências dos
suínos em lisina, triptofano, isoleucina, valina e treonina. Entretanto, o farelo de
soja é deficiente quanto ao conteúdo de aminoácidos sulfurados, especialmente
a metionina.
2. Fatores antinutricionais
A soja possui vários fatores antinutricionais que prejudicam ou impedem a
absorção dos nutrientes pelos animais, como os inibidores de tripsina e
quimiotripsina, as lectinas, os taninos, os alcalóides, as saponinas e os
glicosídios, que são compostos termolábeis, ou seja, inativados mediante
tratamento térmico.
Os inibidores da tripsina são compostos protéicos que atuam sobre a tripsina,
enzima pancreática, prejudicando a digestão das proteínas alimentares. São os
que tem maior importância, uma vez que quando controlados pelos tratamentos
térmicos, indicam que os outros fatores antinutricionais termolábeis também
estarão controlados.
3. Controle dos fatores antinutricionais
A destruição dos fatores antinutricionais da soja é feita com o uso do calor,
com correta duração e intensidade, desnaturando ou destruindo os fatores.
Entretanto, a qualidade da proteína pode ser afetada por um sub-aquecimento,
como também por um super-aquecimento. O tratamento com calor é mais efetivo
quando a umidade é elevada. Existem muitas combinações entre temperatura
e tempo de processamento possíveis de serem utilizadas, visando maximizar a
qualidade do grão de soja e minimizar os custos com energia. Entre os métodos
de processamento disponíveis, tem-se a tostagem por tambor rotativo, tostagem
por calor úmido, tostagem por calor seco, jet splorer, micronização, extrusão
úmida ou seca e cozimento. Os mais utilizados são a extrusão, seca ou úmida e
a tostagem.
• Tostagem por tambor rotativo – foi o primeiro método utilizado no país
e consiste em colocar os grãos de soja dentro de um tambor rotativo
que recebe calor direto, gerado pela queima de gás de cozinha. É muito
difícil acertar o ponto de tostagem pois este varia com o grão (tamanho
e umidade). Soma-se a isso o elevado tempo necessário para atingir
a temperatura de inativação dos fatores antinutricionais causando danos
à qualidade da proteína da soja. Esse método, processa pequenas
quantidades, não apresenta fluxo contínuo e é pouco automatizado. Além
disso, é o processo que apresenta menor padronização, com sérios
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problemas de homogeneização do produto final, devendo deixar de ser
utilizado com o aparecimento de novos equipamentos.
• Tostagem por calor úmido – consiste em uma ou mais tubulações com
uma rosca transportadora em seu interior que movimenta a soja enquanto
a submete diretamente ao vapor, com baixa pressão de trabalho. São
máquinas que processam de 1.500 a 3.000 kg de grãos/h, sendo necessária
uma caldeira para a produção de vapor, com o uso de óleo combustível
ou lenha. Os grãos são processados inteiros e em seguida submetidos a
secagem, reduzindo a umidade a 10–12%. É um método de boa aplicação
industrial, com custo de processamento em torno de US$ 8,00/t, sem contar
os custos com o investimento.
• Tostagem por calor seco – pode-se utilizar um método misto composto
por cilindros, sendo que no primeiro cilindro a soja é submetida diretamente
ao vapor úmido e nos outros quatro fica dentro de camisas. Portanto,
há um aquecimento sem que a soja entre em contato direto com a fonte
de vapor. Os cilindros são colocados verticalmente um sobre o outro.
Operando em fluxo contínuo, a soja é colocada no primeiro cilindro superior
e depois transportada para os cilindros seguintes até sair no último cilindro,
já processada, necessitando passar por um resfriador.
• Jet-sploder – o grão de soja entra em um tubo onde é submetido a um jato
de ar aquecido (315oC). Ao sair do tubo o ar se encontra a 120–200oC
e esse gradiente de temperatura provoca, em 1 minuto, a elevação da
temperatura do grão acima do ponto de ebulição da água, sendo aquecido a
140–150oC e submetido a pressão, o que provoca uma ruptura na estrutura
do grão. Ao sair do tubo é laminado por dois compressores e então moído,
após ser resfriado. È um processo contínuo que produz 80 kg/min com um
custo de processamento de cerca de US$ 8,00/t, sem considerarmos os
gastos de compra do equipamento.
• Extrusão – há quatro tipos de extrusores, STHT (short time/high temperature)
de rosca única e de rosca dupla, extrusores de cozimento por pressão
e extrusores de cozimento a seco. Os três primeiros utilizam vapor e
energia elétrica, enquanto que o quarto utiliza somente energia elétrica.
Na extrusão a seco o grão de soja é empurrado pelo cilindro condicionador
para dentro da rosca extrusora que é composta por roscas sem fim com
obstáculos, ultrapassando-os um a um e atingindo em 30 a 40 segundos a
temperatura de 130- -135oC e uma pressão de 30 a 60 atmosferas. Com
essa pressão não há perdas de água, visto que a pressão de evaporação
da água é inferior a pressão interna do tubo, à temperatura de 130 a 140oC.
Porém, logo ao sair do tubo da extrusora a pressão é subitamente aliviada,
causando imediata expansão da soja e intensa evaporação de água. Essa
perda de água faz com que a temperatura do grão caia de 130oC para
80oC em segundos e a gordura que estava efervescente e fora da célula
seja rapidamente reabsorvida. O custo de produção é próximo de US$
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12,00/t. Há máquinas que produzem de 600 a 1.200 kg/h em extrusão à
seco, podendo-se dobrar essa produção se houver injeção de vapor. Há a
necessidade de se realizar a moagem do produto extrusado, uma vez que
há formação de aglomerados após sair do extrusor.
• Micronização – o grão de soja passa por um processo de limpeza, entra por
uma moega dosadora e vai a uma esteira vibratória de ladrilhos que estão
sob queimadores de gás que produzem raios infravermelhos como fonte de
calor. Durante 5 minutos de passagem pela esteira os raios infravermelhos
penetram no grão movimentando as moléculas que vibrarão de 60 a 150 mil
megaciclos por segundo, aquecendo o grão e vaporizando a água. O grão
fica inchado e com fissuras internas e passa por um cilindro que lamina
o produto, após ter passado por um tanque redondo com agitador onde
ocorre o resfriamento do produto. O produto laminado deve ser moído para
posterior uso em rações.
• Cozimento – consiste em adicionar os grãos de soja à um volume de água,
na proporção de 1:2, quando esta se encontra em ebulição (100oC) por
um período de 30 minutos. Passado este período os grãos são retirados da
água e postos para esfriar e secar sobre papel impermeável ou então secos
em estufas, para posteriormente serem moídos.
Para medir a inativação dos fatores antinutricionais o método mais usado é
o da atividade ureática. A urease é uma enzima que atua sobre compostos
nitrogenados não protéicos. A determinação da urease na soja mede,
de maneira eficaz, o grau de inativação dos fatores antinutricionais. Sua
aferição se faz pela variação do pH. O grão crú tem atividade ureática de
2,0 a 3,0. O grão inativado deve ter no máximo 0,3 e , preferencialmente,
valores próximos de zero. A qualidade da proteína após o processamento,
pode ser medida pelo método da determinação da proteína solúvel em
solução de hidróxido de potássio a 0,2%, ento. A solubilidade entre 75 e
80% indica que a qualidade da proteína foi mantida.
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