Suinos

Uso do milho na alimentação dos suínos

Uso do milho na alimentação de suínos
O milho é utilizado como fonte de energia na formulação de rações. Participa em até 90% da composição das dietas. Sua maior limitação como fonte de nutrientes é o baixo teor dos aminoácidos lisina e triptofano. A qualidade do milho é fator importante a ser observado na nutrição de suínos, para assegurar os teores de nutrientes e a ausência de substâncias tóxicas.

1. Colheita
A colheita na época oportuna, tão logo o milho atinja os teores de umidade adequados (20 a 24% para a colheita mecânica e 18 a 22% para colheita em espiga), reduz significativamente as perdas pelo ataque de roedores, insetos e fungos, e diminui os problemas de pós – colheita, pela melhor qualidade do produto e menor grau de infestação inicial.

2. Pós – colheita
O milho colhido deve ser secado imediatamente. Umidade elevada dá condições ao desenvolvimento de microorganismos e aumenta as perdas de peso devido ao aceleramento do processo respiratório dos grãos, causando elevação da temperatura e deterioração do produto. Recomenda – se utilizar uma temperatura de secagem de 90oC . Com esta temperatura o grão atinge um aquecimento em torno de 45oC, o que não causa nenhum dano à sua integridade. Temperaturas mais elevadas (até 140oC), usadas industrialmente, podem causar injúrias como quebras e fissuras nos grãos, prejudicando a
qualidade de estocagem. A umidade recomendada para o armazenamento é de 13 a 14% quando a granel. Para sacarias pode-se ter umidade de 0,5 a 1,0% maiores, e quando em espigas até 2% maiores.

3. Micotoxinas
O desenvolvimento de fungos no milho armazenado depende principalmente das condições de umidade, temperatura, nível inicial de contaminação e condições físicas dos grãos. A atividade fúngica pode estar associada à produção de micotoxinas. As mais frequentes no milho são a Aflatoxina e a Zearalenona.
A aflatoxina é produzida pelos fungos do gênero Aspergillus, e normalmente aparecem no meses de janeiro a abril, em condições de alta temperatura e umidade. Tem efeito cancerígeno, causando principalmente lesões hepáticas.
A zearalenona é produzida pelos fungos do gênero Fusarium, tem maior incidência nos meses de abril a julho quando ocorrem oscilações de temperatura, uma vez que o fungo necessita de altas temperaturas para se desenvolver e baixas para produzir a toxina. Tem efeito estrogênico nos animais causando problemas reprodutivos.

Os lotes de grãos com suspeita de contaminação devem ser analisados e se houver contaminação por micotoxinas, recomenda-se consultar um nutricionista para ver qual é o melhor destino para o produto. O uso de grãos contaminados pode trazer prejuízos econômicos significativos na atividade suinícola, além de cusar problemas à saúde humana pela possibilidade de resíduos nos alimentos.
A dureza do grão, ou tipo de grão, não tem relação com resistência ao ataque de fungos. Geralmente, grãos duros, acarretam maiores custos na moagem, pelos gastos com tempo e energia.

4. Granulometria
O tamanho das partículas de milho após a moagem é um dos fatores determinantes do melhor desempenho dos suínos. Partículas muito grossas dificultam a digestão e o aproveitamento dos nutrientes. Quando muito finas, podem contribuir para a incidência de úlcera gástrica nos suínos. O milho moído deve ser usado com um tamanho médio das partículas ou diâmetro geométrico médio (DGM), entre 0,5 e 0,65 mm. Além do DGM, deve-se levar em conta o grau de uniformidade das partículas, ou seja, a amplitude de variação do tamanho das partículas em relação à média, que é determinado pelo desvio padrão geométrico (DPG). Quanto menor esta variação, melhor será a qualidade da moagem.

Entre os fatores que influenciam a granulometria no processo de moagem, em moinhos a martelo, usados na maioria das propriedades suinícolas, citam-se: diâmetro dos furos da peneira, área de abertura da peneira, velocidade de rotação e número de martelos, distância entre martelos e peneira, fluxo de moagem, teor de umidade do ingrediente e desgaste do equipamento.

5. Silagem de grãos
O uso de silagem de grãos úmidos na alimentação de suínos é uma alternativa para se produzir grãos na propriedade, reduzindo os problemas e as perdas verificadas no pré e pós colheita do produto seco, bem como diminuindo o período de ocupação da terra. Além disso, a silagem de grãos úmidos, pela fermentação anaeróbica, apresenta melhor digestibilidade, proporcionando melhor desempenho dos animais.
Para a ensilagem, a colheita é realizada com 35 a 40% de umidade. Os grãos são quebrados, triturados ou amassados, e distribuídos no silo. Em moinhos a martelo, recomenda-se a trituração com o uso de peneiras de 13 mm, quando a umidade for de 35% ou mais, e de 8 mm, quando o umidade for menor de 35%.
A compactação é feita em camadas de 20 cm. Após a compactação o silo é vedado com o objetivo de eliminar o contato do produto com o oxigênio do ar.
O tempo entre a colheita e a ensilagem deve ser curto, para evitar o aquecimento do material e a possível contaminação por fungos. Não se recomenda deixar o produto exposto no silo, sem vedação, por mais de 12 horas. Este problema também pode ocorrer com a ração, e por isso se recomenda fornecê-la aos animais no mesmo dia da elaboração.
O consumo de uma ração com silagem de grãos deve ser superior ao de uma ração com grão seco por causa do maior teor de umidade. Para a formulação, considera-se o teor de matéria seca. Por exemplo, numa fórmula para 100 kg, que inclua 80 kg de milho (87% de matéria seca), 16 kg de farelo de soja e 4kg de núcleo, para substituir o milho por silagem de grãos (62% de matéria seca),
deve-se usar mais silagem em relação ao milho e manter os mesmos níveis dos outros ingredientes. Esta quantidade a mais de silagem usada é para compensar o maior teor de umidade, e é obtida por regra de três, como segue:
80% milho ………………. 87% matéria seca
X% de silagem……………. 62% matéria seca X = 80 x 87 / 62 = 112,3%
A fórmula obtida incluiria 112,3 kg de silagem de grão, 16 kg de farelo de soja e 4 kg de núcleo, num total de 132,3 kg, e os animais deveriam consumir 30% a mais de ração em relação à ração com milho seco.

Fonte: http://www.suinoculturaindustrial.com.br/PortalGessulli/AppFile/Material/Tecnico/alimentosuino.pdf