Pecuária

Soro do leite pode reduzir efeitos da hipertensão

03/09/2015

Pesquisadores já pensam em adicionar peptídeos do leite em sobremesas de chocolate para agradar o consumidor

Pesquisadores descobriram que partes de proteínas do soro do leite, um subproduto da fabricação de queijos e derivados, pode minimizar os efeitos da hipertensão. Pesquisadores da Embrapa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) analisaram pequenas partes da proteína (peptídeos) e chegaram à conclusão que elas podem vasodilatar as artérias em 80% a 100%, de acordo co testes em cobaias.

“O resultado é promissor, com efeito bastante similar aquele obtido com medicamentos”, afirma o professor José Eduardo da Silva Santos, do Laboratório de Farmacologia Cardiovascular da UFSC. Ele explica que o diferencial da pesquisa é o processo tecnológico de preparo e fracionamento do soro de leite desenvolvido na Embrapa, que gerou um ingrediente de alto valor agregado a produtos e pode vir a ser utilizado como auxiliar no controle da hipertensão.

O estudo analisou o efeito em aorta de cobaias, e agora deve avançar para análises in vivo, inclusive com humanos. “A ideia é conhecer melhor os mecanismos da atividade anti-hipertensiva para validar o modelo em doentes com um grau de segurança no uso de substância”, revela.

Para alcançar esse índice de relaxamento das artérias, os pesquisadores testaram mais de 10 amostras até chegar a uma composição ideal. “Validamos 25 peptídeos, cinco com características similares. Tais descobertas proporcionam um aumento no interesse industrial, que poderá incorporar o soro ou frações dele a diversos produtos alimentícios ou nutracêuticos”, conta Luísa Rosa, do Programa de Ciências de Alimentos da UFRJ.

Novos produtos funcionais A par das comprovações dos benefícios do novo ingrediente para a saúde e seu potencial de utilização na indústria, ainda resta aos pesquisadores um desafio tecnológico: retirar o amargor dos peptídeos .

Para avaliar a aceitação do consumidor, as pesquisadoras realizaram uma análise sensorial do produto em pó adicionado a uma sobremesa láctea comercial sabor chocolate branco.

100 provadores participaram do teste em que foram oferecidas duas amostras sem identificação , uma com e outra sem o ingrediente funcional: 81 atribuíram notas maiores que 7 à sobremesa adicionada de peptídeos e 78% relataram que a comprariam. Em relação à sobremesa comum, 71 pessoas atribuíram nota maior que 7 e 66% delas a compraria.

A preferência do consumidor se mostrou maior pela sobremesa com ingrediente funcional. “Continuaremos os testes desse ingrediente em outros produtos. Vamos trabalhar no desenvolvimento de um produto salgado”, relata Luísa Rosa.

Fonte: Globo Rural