Soja

Soja: Preços no interior do MT fecham semana com quase 20% de alta; oferta é ajustada

Publicado em 08/01/2016

A semana que começou morna para os preços da soja no Brasil ganhou um pouco mais de ritmo nos últimos dias e fechou com boas altas para os valores praticados nos principais portos de exportação do país. O dólar, que acumulou alta de 2,34% no primeiro balanço semanal de 2016, segue favorecendo a formação dos preços internamente e atuando como um diferencial para os produtores nacionais.

Assim, com a moeda norte-americana cotada a R$ 4,04 nesta sexta-feira (8), a soja disponível no porto de Rio Grande fechou com R$ 85,00 por saca e alta de 2,41% na semana, enquanto em Paranaguá o preço manteve os R$ 83,00. No caso da soja da nova safra, ganho de 1,25% para R$ 81,00 no terminal gaúcho e de 1,95% para R$ 78,50 por saca no paranaense.

No interior do Brasil, as altas foram ainda mais fortes. Somente nas praças de Mato Grosso, Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra, os ganhos quase bateram em 20% nestes primeiros dias úteis de 2016. Respectivamente, os valores saltaram, de segunda (4) para sexta-feira (8), de R$ 58,00 para R$ 69,50 e R$ 69,50 por saca. Nas demais praças de comercialização, as altas variam de 2%  a 4%, com os preços voltando a buscar a casa dos R$ 70,00 e se consolidar nesse patamar.

Entre o suporte e outro dos principais fatores de estímulo às cotações no mercado brasileiro estão as vendas travadas no país. As incertezas sobre os resultados da safra 2015/16 ainda são grandes e continuam rondando os produtores das principais regiões de produção do país. Os índices vendidos antecipadamente são elevados e os sojicultores se voltam para o acompanhamento, em algumas áreas, aos trabalhos de colheita e, em outras, ainda ao plantio e acompanhamento das lavouras.

E os analistas e consultores internacionais seguem atentos ao desenrolar da nova safra brasileira. “Desde que os preços das commodities são formados em dólares, mas pagos na moeda local e esta está mais fraca, os produtores brasileiros ganham mais por cada saca de soja ou milho vendida”, disse Michael Cordonnier em uma análise em seu site.

Por outro lado, os compradores seguem presentes e ávidos pela soja brasileira, que já não conta nem mais com o remanescente da temporada 2014/15. A China, maior consumidor e importador mundial de alimentos, deverá continuar aumentando suas importações agora em 2016 e nos próximos anos.

Um levantamento do governo local divulgado nesta sexta-feira (2) fala em um incremento de 2 milhões de toneladas nas compras de soja do ano comercial 2015/16, levando o volume a chegar aos 80 milhões de toneladas. Ainda de acordo com as informações oficiais, a demanda maior pela oleaginosa no processamento se mostrou maior do que as expectativas, impulsionada, principalmente pelo elevado consumo do farelo. O CNGOIC (Centro Nacional de Informações Sobre Grãos e Óleos da China) informou que, na temporada anterior, as compras de soja foram de 78,36 milhões de toneladas.

Assim, os prêmios também subiram e de forma expressiva. Fevereiro/16 tem 50 centavos de dólar sobre as cotações em Chicago, março/16 com 35 e abril e maio/16 têm 25 cents. Os valores, segundo explicam analistas, é essa confirmação do consumo aquecido e da oferta, ao menos momentaneamente, mais ajustada. Nos Estados Unidos, afinal, os produtores também não realizam grandes vendas neste momento.

Mercado Internacional

Na Bolsa de Chicago, nesta sexta-feira (8), o mercado fechou com estabilidade, porém, em campo positivo, terminando a sessão com pequenos ganhos de 0,75 a 2 pontos nos principais vencimentos. A exceção ficou por conta do contrato março/16, que recuou 0,25 ponto e terminou o dia valendo US$ 8,65 por bushel.

Para o mercado internacional, a primeira semana de 2016 foi de ajustes e de um mercado de lado, absorvendo as novidades que, segundo explicam analistas, ainda são insuficientes para provocar um rally nas cotações. Ainda assim, as posições mais negociadas subiram entre 0,81% e 1,74%.

Como exemplo, está a “não oficialização” das perdas na safra brasileira ou a pouca movimentação de vendas na Argentina, esperada para ser muito maior após uma redução nas “retenciones” no país.

Ao mesmo tempo, o mercado é inundado por especulações que vão do clima no Brasil aos estoques norte-americanos culminando nos quatro novos – e importantes – boletins que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta próxima terça-feira, 12 de janeiro. As primeiras definições para a safra 2016/17 no país também vêm ganhando mais força, mesmo não estando muito claras.

Fonte: Notícias Agrícolas