Soja: No mercado interno, preços para exportação seguem batendo recordes

Os preços da soja para exportação continuam em alta e, nesta terça-feira (12), atingiu o recorde de R$ 68,10. O valor é R$ 12 maior do que o registrado no mesmo período de 2011. O preço mais alto até ontem era o de R$ 55, quando o mercado foi impulsionado por uma quebra da safra nos Estados Unidos em 2004 em função da seca.
Esse bom momento da soja brasileira reflete o cenário mundial positivo para os preços. Na safra 2011/12 a safra brasileira sofreu uma severa redução por conta da estiagem causada pelo La Niña, o dólar supera os R$ 2,00 e na Bolsa de Chicago os patamares de preços também são bastante interessantes. Os fatores  contribuem para a alta dos prêmios e refletem positivamente na formação dos preços finais.
No entanto, toda essa euforia exige cautela, como os analistas já vêm sinalizando há algum tempo. Apesar dos fundamentos favoráveis, da já conhecida e preocupante falta de soja pelo  mundo, o cenário externo ainda pode influenciar os preços não só a oleaginosa, mas de todas as commodities agrícolas.
Os preços para a exportação oscilam de acordo com os movimentos na Bolsa de Chicago e os traders que atuam no mercado internacional têm dado bastante atenção ao andamento da crise financeira e ao futuro da economia global, principalmente na Zona do Euro. “Há fatores externos, como a crise na União Europeia, e internos, como a quebra da safra. Se a próxima safra for cheia, tudo pode mudar”, disse o coordenador da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário da Unijuí, Argemiro Brum.
No mercado futuro, os preços deverão continuar sendo formados com base na safra nova dos Estados Unidos. O analista de mercado Pedro Dejneka, da PHDerivativos, de Chicago, ratificou ontem a importância de se acompanhar os mapas climáticos norte-americanos e o andamento do ciclo 2012/13. No entanto, já se sabe também que mesmo que o clima seja “perfeito” e que o resultado seja uma safra perfeita, o volume não será suficiente para reabastecer os estoques adequadamente.
Nesta terça-feira (12), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu relatório mensal de oferta e demanda reduzindo, novamente, suas projeções para os estoques finais norte-americanos. Porém, alguns analistas não acreditam nesses números e acham que podem ser ainda mais baixos.
Com informações do Correio do Povo.

Fonte: Notícias Agrícolas // Carla Mendes