Soja

Soja: Mercado brasileiro tem semana negativa e queda nas referências limita negócios

Publicado em 01/04/2016

Os preços da soja registraram uma nova semana de baixas no Brasil. Com a pressão principal vindo da expressiva queda do câmbio nos últimos dias, as baixas nas principais praças de comercialização variaram entre 0,04% e 2,78% e terminaram a semana com as referências entre R$ 57,00 e R$ 70,00 por saca.

Em Cascavel/PR, por exemplo, o último valor foi de R$ 62,50, em Sorriso/MT, de R$ 58,00 e Não-Me-Toque/RS, com R$ 67,00 por saca.

Nos portos de exportação, porém, as baixas foram um pouco mais intensas. A soja disponível terminou a semana com R$ 76,00 por saca em Paranaguá, caindo 1,94%, e com R$ 75,00 em Rio Grande, perdendo 2,85% Já no mercado a futuro, baixa de 2,56% no terminal paranaense, para R$ 76,00, e no gaúcho, de 2,56% também, para os mesmos R$ 76,00 por saca.

Nesse cenário, os negócios seguiam acontecendo pontualmente e em baixos volumes, como relatou Vlamir Brandalizze, com os produtores sem interesse de venda nesse momento. “Os produtores participam quando os preços alcançam algo entre os R$ 77,00 / R$ 77,50 nos portos, e depois deixam o mercado quando ele perde esses valores. E isso acontece também porque ele já negociou bastante, temos mais de 60% da safra de soja 2015/16 já comercializada”, explica o consultor de mercado da Brandalizze Consulting.

Dólar

Nesta sexta-feira (1), o dólar terminou o dia com 0,93% de baixa a R$ 3,5627, registrando seu menor nível fe fechamento desde 27 de agsoto de 2015, segundo informou a agência de notícias Reuters.

A semana foi de volatilidade para a moeda norte-americana e as incertezas políticas que seguem marcando o dia a dia de Brasília permanecem no foco central dos investidores. “O mercado está sensibilizado pelo noticiário político e um fluxo mais relevante acaba fazendo estrago”, disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho à Reuters.

Bolsa de Chicago

Já no mercado internacional, a semana foi positiva. Os futuros da soja fecharam com ganhos de 0,85% a 0,98% entre as principais posições, com os preços conseguindo se consolidar acima dos US$ 9,10 por bushel. Segundo analistas, a proximidade da nova safra norte-americana faz com que as cotações comecem a se estabelecer em um novo cenário, voltando-se novamente para seus fundamentos e dando menos peso a fatores externos como o petróleo e o dólar, embora eles ainda influenciem.

O contrato maio/16, referência para a safra braileira, fechou valendo US$ 9,18 por bushel, enquanto o julho/16 ficou com US$ 9,26 os contratos agosto e setembro/16 fecharam a semana valendo US$ 9,28 por bushel.

O mercado internacional da soja parece não ter sofrido um impacto tão severo dos últimos números trazidos pelo boletins do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quinta-feira, 31 de março, e acabou até mesmo reagindo bem às projeções para a área da safra 2016/17.

“Os números foram considerados de neutro a altistas para a soja”, explicam os analistas da Labhoro Corretora, sobre a projeção para a área de plantio indicada em 33,28 milhões de hectares. O número ficou abaixo do registrado na safra 2015/16, quando foram cultivados 33,45 milhões hectares com a oleaginosa. O número também ficou abaixo da estimativa média, que era de 33,55 milhões de hectares. As expectativas do mercado variavam de 33,02 e 34,08 milhões.

E disseram ainda que, “ainda que essa área não seja imutável e esteja passível de mudança nos próximos 60 dias, a marca de 82,5 milhões de acres (33,39 milhões de hectares) antecipada em fevereiro (no Agricultural Outlook Forum) já havia sido absorvida como uma área ideal para manter equilibrada a tabela de oferta e demanda nos EUA da próxima temporada”.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas