Soja

Soja: menos adubo e mais grãos

Às vésperas do início da semeadura da safra de verão de soja, ainda dá tempo de o produtor adotar uma prática simples e barata que traz ganhos de produtividade à lavoura: a inoculação de sementes. A tecnologia, explica o pesquisador Fábio Martins Mercante, da Embrapa Agropecuária Oeste, consiste na introdução de bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico (rizóbios) nas sementes. “A inoculação funciona da mesma maneira que o tratamento de sementes com fungicidas ou com micronutrientes”, afirma Mercante. Segundo ele, os ganhos de produtividade variam entre 4,5% e 8% e são comprovados tanto em plantio convencional como em sistema de plantio direto.

Além do aumento comprovado no rendimento dos grãos, a prática torna-se ainda mais atraente em época de insumos em alta – principalmente de fertilizantes -, já que o tratamento substitui, totalmente, a aplicação de adubos nitrogenados, que custam caro e são altamente poluentes. “É uma tecnologia limpa e barata que dispensa a adubação mineral nitrogenada. Hoje, para lavouras de soja, esse tipo de adubação química não é nem sequer recomendado, pois só o inoculante supre as necessidades da planta”, garante.

Com o adubo custando praticamente o dobro em relação ao ano passado, a adubação com uréia dos 21 milhões de hectares cultivados na safra passada custaria US$ 6 bilhões, calcula o pesquisador da Embrapa. A uréia, junto com o sulfato de amônia, é o principal adubo nitrogenado usado nas lavouras de soja. Para se ter idéia, para uma lavoura produzir 3 mil quilos de soja/hectare seriam necessários 1 tonelada de uréia e 240 quilos de nitrogênio. Na região de Itapeva, a tonelada de uréia passou de R$ 900 para R$ 1.550 este ano. “Além disso, a substituição da adubação nitrogenada reduz, significativamente, os impactos ambientais provocados pelo efeito poluidor do nitrato, que é lixiviado no solo e que pode atingir o lençol freático”, alerta.

A recomendação da pesquisa é a de que a inoculação seja feita anualmente, mesmo em lavouras cultivadas tradicionalmente com a leguminosa, e o ideal é fazer a semeadura no mesmo dia em que as sementes forem inoculadas. “Deve-se fazer a semeadura logo após o tratamento para aproveitar a bactéria em seu estágio fisiológico mais ativo, o que se converte em maior rendimento das plantas”, explica.

Fonte: Truman Broker

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