Soja

Soja disponível vai a R$ 88,50 em Rio Grande com nova alta do dólar e pregão positivo em Chicago

Publicado em 29/09/2015

Ao lado de um mercado com leves altas na Bolsa de Chicago para os futuros da soja na sessão desta terça-feira (29), o dólar volta a subir frente ao real e a puxar as cotações da oleaginosa no Brasil. Assim, em Rio Grande, o produto disponível registrava um ganho de 1,72% passando a R$ 88,50 por saca, enquanto para a safra nova – entrega maio/16 – avançava 0,58% – para R$ 86,50.
Já em Paranaguá, por outro lado, ligeira baixa de 0,58% para o disponível, que valia R$ 85,50, e estabilidade nos negócios a futuro com R$ 84,00/saca.

Perto de meio-dia (horário de Brasília), a moeda norte-americana operava bem próxima da estabilidade e cotada a R$ 4,1112 na venda. Ao longo dos negócios desta terça, porém, a divisa chegou a bater, novamente, nos R$ 4,14. No mesmo momento, os principais vencimentos da soja na CBOT Subiam entre 3,75 e 5,25 pontos, levando o maio/16, referência para a safra 2015/16, a US$ 8,92 por bushel.

Os ganhos no dólar, apesar de tímidos, são reflexo ainda de uma maior aversão ao risco no quadro internacional e também das turbulentas cenas política e econômica do Brasil, além das elevadas preocupações com a possibilidade de um novo rebaixamento do Brasil pelas agências de classificação de risco.

Por outro lado, as intervenções do Banco Central acabam limitando esse avanço, como os leilões de swap que vem sendo realizados nos últimos dias. “É um cabo de guerra. Ou o mercado se cansa de bater ou o BC desiste de proteger as reservas”, resumiu o gestor de um banco internacional, sob condição de anonimato em entrevista ao G1.

Diante deste quadro, onde a incerteza cambial se intensifica a cada dia, os negócios no Brasil se mantêm bastante limitados.

“O produtor já vendeu bem. Na soja disponível, já passamos dos 90%, e os negócios têm fluído com valores que se destacam acima dos potenciais de Chicago. Então, regionalmente tem se negociado mais do que nos portos (…) Já começa a haver uma redução da pressão das vendas, é pouca gente falando em negócios. Todos estão tirando o pé do acelerador, muita gente só de olho no dólar”, explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting.

Negócios em Chicago

Segundo explicaram analistas, apesar da pressão da boa evolução da colheita nos Estados Unidos persistir sobre os negócios no quadro internacional, o mercado busca uma recuperação técnica depois das baixas registradas na sessão anterior, quando perdeu mais de 11 pontos nos principais vencimentos.

“Os futuros dos grãos estão evitando mais um dia negativo nesta terça-feira. A pressão da colheita e as incertezas sobre o final do mês, além da espera pelo novo boletim de estoques trimestrais do USDA (que sai nesta quarta-feira, 30), acabam limitando os ganhos e rallies muito expressivos de alta”, disse Bryce Knorr, analista de mercado e editor do portal internacional Farm Futures.

Ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualizou seu relatório semanal de acompanhamento de safras e trouxe um número expressivo para a colheita da soja no país. Até o último domingo (27), 21% da área já havia sido colhida, contra 7% da semana anterior. O número ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, que estava em, aproximadamente, 20%. Por outro lado, o departamento reduziu o índice de lavouras em boas ou excelentes condições no país na semana de 63% para 62%.

Paralelamente, ainda de acordo com analistas internacionais, o mercado internacional da soja segue atento às informações que vêm da demanda, as quais têm sido importantes fatores de suporte para as cotações nas últimas sessões. Ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) voltou a anunciar vendas de soja e informou a aquisição de 1 milhão de toneladas da safra 2016/17 pela China e 260 mil toneladas da temporada 2015/16 por destinos desconhecidos.

Fonte: Notícias Agrícolas