Pecuária

Sob várias formas, cana é opção na seca

Para a nutrição bovina, ela pode ser usada na forma fresca, em corte direto, através de silagem ou após processo de hidrólise, com a adição de uma calda de cal ao alimento

Juliana Royo
20/08/2010

A época da seca é crítica para os produtores de bovinos porque os pastos não são suficientes e os animais precisam de suplementos alimentares vindos de outras fontes de nutrição. A cana-de-açúcar é uma das alternativas que os produtores podem oferecer ao rebanho nesta época do ano. Uma vantagem é que ela pode reforçar a alimentação dos animais de três diferentes maneiras, que se adaptam melhor a cada tipo de produtor. A forma mais tradicional é a cana fresca, que é cortada diariamente e dada diretamente aos animais. A silagem da cana, apesar de não ser tão conhecida, também é viável e serve para guardar os excedentes da produção. A novidade no mercado é o uso de cana hidrolisada na alimentação de bovinos, em que é adicionada uma calda de cal para conservar o alimento por um pouco mais de tempo sem perder a qualidade nutricional.

Juliana Royo
20/08/2010

A época da seca é crítica para os produtores de bovinos porque os pastos não são suficientes e os animais precisam de suplementos alimentares vindos de outras fontes de nutrição. A cana-de-açúcar é uma das alternativas que os produtores podem oferecer ao rebanho nesta época do ano. Uma vantagem é que ela pode reforçar a alimentação dos animais de três diferentes maneiras, que se adaptam melhor a cada tipo de produtor. A forma mais tradicional é a cana fresca, que é cortada diariamente e dada diretamente aos animais. A silagem da cana, apesar de não ser tão conhecida, também é viável e serve para guardar os excedentes da produção. A novidade no mercado é o uso de cana hidrolisada na alimentação de bovinos, em que é adicionada uma calda de cal para conservar o alimento por um pouco mais de tempo sem perder a qualidade nutricional.

O engenheiro agrônomo e doutor em ciência animal e pastagem pela USP, André de Faria Pedroso, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste explica que cada uma das três opções tem benefícios e desvantagens. No caso do uso da cana fresca direta, em que o produtor deve se lembrar de aplicar uréia para fazer a correção de proteína do material, o grande problema é a exigência constante de mão-de-obra e maquinário operando diariamente. Além disso, o manejo da plantação também fica mais difícil com áreas de cana cortadas e outras em crescimento. No entanto, o corte diário oferece maior qualidade do produto sem as perdas que são inevitáveis no processo de conservação e armazenamento da cana.

A silagem de cana já está começando a ser bem utilizada por produtores de bovinos de diversas regiões do país, principalmente, pela necessidade de estocar a produção de cana excedente de uma safra. O armazenamento precisa ser feito nestes casos porque se a chamada cana pisada for deixada no campo, no momento do próximo corte ela vai ter uma qualidade inferior e desenvolve mais possibilidades de sofrer com o acamamento e tombamento da cana.

— Outro uso muito comum da silagem é quando o produtor colhe muita cana e decide diminuir o risco no caso de chuva ou de quebra de equipamento, então ele coincide a silagem no período da seca, que facilita muito e tem também uma janela de corte da cana que é muito grande porque dura meses. Outro caso de opção por uso da silagem é quando o produtor quer facilitar o manejo da oferta de alimentos aos animais. O grande problema é que ela apresenta uma fermentação alcoólica muito intensa porque tem um teor alto de açúcares insolúveis e uma população natural muito alta de leveduras. Quando a forragem é colocada no silo, naturalmente ela atinge uma fermentação alcoólica muito elevada e o teor de etanol pode atingir até 20% da matéria seca, se não houver nenhum controle, e nesse processo pode haver consumo de até 70% dos açúcares da cana. Outra dificuldade também que a gente precisa considerar é a compra dos equipamento necessários que são caros para os pequenos produtores — destaca.

Já a alternativa da cana hidrolisada na alimentação serve para casos de falta de mão-de-obra temporária e em um curto de período de tempo como um feriado ou fim de semana em que os funcionários da propriedade não vão trabalhar, mas a cana precisa ser colhida. Neste caso, a cana fresca recebe uma aplicação de calda e sofre um processo de hidrólise parcial da fibra. Ocorre também uma pequena melhora na digestibilidade, mas a grande finalidade desta opção é poder estocar o alimento por alguns dias, que pode ficar guardado nestas condições por até 3 dias sem ter nenhuma perda de qualidade nutritiva, segundo o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste.

— O que a cana tem de diferente para ser ensilada é a necessidade de uso de aditivos porque se eles não forem usados as perdas são muito altas e podem chegar até 30% de matéria seca colocada no silo. Temos basicamente três tipos de aditivos que têm sido avaliados pela pesquisa. Um deles são os inoculantes bacterianos, mas precisa ter uma bactéria específica produtora de ácido acético, que é a lactobacilus bulkenin. Os inoculantes comuns usados para silagem de milho e capim podem ter um efeito negativo na silagem da cana. A ureia também aplicada na ensilagem na proporção de 0,5% a 1% tem um efeito razoável no controle desta produção de etanol com a vantagem de já corrigir o teor de proteína da cana. Os resultados também têm sido muito bons com o uso da calda, que é utilizada para a hidrólise da cana. Se ela for utilizada para silagem, na proporção de 1% de cal, ela promove um controle bom da fermentação alcoólica e melhora a digestibilidade da cana. Além disso, tem a facilidade de aplicação da cal com equipamentos já disponíveis no mercado — ensina Pedroso.

Clique aqui, ouça a íntegra da entrevista concedida com exclusividade ao Portal Dia de Campo e saiba mais detalhes da tecnologia.

Fonte: http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=22497&secao=Pacotes%20Tecnol%F3gicos&c2=Cana-de-a%E7%FAcar