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Sistemas de cultivos integrados ajudam a incrementar carbono ao solo

04/07/2017

Os sistemas de cultivos que aliam grãos, forrageiras e árvores na região de transição cerrado-amazônia podem armazenar, no primeiro 1 metro de camada do solo, 16% a mais de carbono que áreas onde apenas a pecuária extensiva está presente. Isso representa 18 toneladas a mais de carbono por hectare, retidas no solo na forma de matéria orgânica. Esse é o resultado de pesquisa realizada pela Embrapa que aponta uma função importante da integração lavoura, pecuária e floresta (sistema ILPF) para minimizar a mudança global do clima e contribuir para os serviços ambientais da produção.

O estudo da Embrapa foi conduzido na Fazenda Gamada, em Nova Canaã do Norte (MT), e envolveu áreas de consórcio entre eucalipto e rotação soja, arroz de terras altas e braquiária em comparação com ambiente onde só havia pasto em estado de degradação. Os resultados mostraram que o sistema ILPF pode ser uma estratégia eficiente para acumular carbono no solo e assim contribuir para a recuperação de pastagens degradadas. A matéria orgânica é fundamental para a manutenção da produtividade de sistemas agropecuários.

“As árvores no sistema ILPF sobre solos sem restrição de fertilidade, como o baixo teor de nitrogênio, podem proporcionar aumento de carbono em camadas mais profundas do solo (abaixo de 30 cm), de modo relativamente rápido, em três anos”, disse a pesquisadora Beáta Madari, coordenadora do estudo. Isso é resultado do acúmulo de matéria orgânica sob as fileiras de árvores, no caso eucalipto, e mostra, de um lado, a importância do componente arbóreo nesses sistemas para acumular carbono, que foi removido da atmosfera, no solo, e, por outro lado, a possibilidade e importância do manejo do carbono no solo em profundidade.

A pesquisa sobre o maior armazenamento de carbono no solo, devido ao sistema ILPF, faz parte dos projetos Carbioma e Fluxus e contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). O trabalho foi publicado na revista científica Regional Environmental Change.

De acordo com Beáta Madari, esses resultados devem ser agora completados por outros estudos para medir a estabilidade da matéria orgânica acumulada e o balanço de carbono do sistema de produção, levando em conta também itens como o aporte e a aplicação de insumos e o componente animal, criação de gado bovino. Desse modo, poderá ser avaliado o total de emissão e de retenção de carbono pelo sistema produtivo, uma vez que a perda de carbono está ligada a gases de efeito estufa: metano (CH4), produzido pela fermentação entérica, e óxido nitroso (N2O), oriundo da aplicação de adubos nitrogenados, além do próprio dióxido de carbono (CO2).

Fonte: Embrapa