Trigo

Sindustrigo faz levantamento sobre produção e comercialização do trigo em SP

29/02/2016

O Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) realizou um levantamento sobre a triticultura do Estado, no ano de 2015. O objetivo principal do projeto foi identificar os desafios da produção, comercialização e consumo do trigo cultivado em São Paulo.  Participaram da pesquisa moinhos e cooperativas.

Uma das principais constatações é a confirmação do interesse sobre o trigo paulista por parte dos moinhos do Estado. Segundo o presidente do Sindustrigo, Christian Saigh, o trigo produzido em São Paulo é uma boa alternativa, principalmente no que se refere à logística e tributação.  “O Sindicato vem trabalhando para dirimir os gargalos do setor e considera importante que o produtor invista em cultivares de qualidade, adaptadas ao solo paulista e intemperes climáticas. Ofertando trigo com as características adequadas à indústria, o produtor poderá atingir a liquidez e rentabilidade desejada”, conclui.

Atualmente, o grão cultivado em São Paulo supre apenas 30% da necessidade da indústria moageira local, sendo necessário comprar trigo de outros estados e países.

O estudo também analisou a operação das cooperativas atuantes no cultivo e comercialização do trigo paulista. Em 2015, elas foram responsáveis por 90% do volume colhido e 83% da área tritícola (400 triticultores). O obstáculo, porém, ainda é a qualidade do grão ofertado que varia em função das características das sementes, manejo agrícola, eventos climáticos e segregação adequada.

Com base nas informações apresentadas pelos representantes da cadeia produtiva nos encontros da Câmara Setorial do Trigo, uma iniciativa do Sindustrigo em parceria com o Governo do Estado, um passo importante foi dado pelas cooperativas, já que nos últimos anos houve uma redução das variedades de trigo plantadas. De 62 cultivares recomendadas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento foram plantadas apenas 13, na safra 2015/2016.

Por outro lado, o estudo aponta também que cada cooperativa possui formas próprias de padronização e classificação do trigo causando divergência de informações no comércio do grão e demonstrando que a Instrução Normativa 38, que classifica o trigo, não atende às necessidades do setor. Justificando, no futuro, uma ação coordenada entre indústria e produtores para padronizar a norma e facilitar o diálogo entre as partes.

O levantamento mensurou que o Estado de São Paulo tem potencial para ampliar sua produção de trigo de sequeiro em mais de 80 mil hectares. Baseado em um rendimento médio de 3.200ton/ha, esta área representaria uma produção adicional de cerca de 256.000 toneladas de trigo anuais. Nesta projeção, 20% deste crescimento estariam baseados no aumento de cooperados e área cultivada na região de Itapetininga e Avaré e 80% na substituição de culturas anuais por trigo na região do Vale do Paranapanema.

Com base nas informações levantadas pelo estudo e o trabalho em conjunto realizado pela indústria, cooperativas, governo estadual e câmara setorial, a triticultura paulista tem um potencial de crescimento a ser explorado. Um exemplo é o aumento da produção de 2013 para 2015, em 72% e a área em 40%.

Fonte: Agrolink