Silagem de milho

Na época da seca, a baixa temperatura e ou os baixos níveis pluviométricos são fatores limitantes na produção de forragens, sendo, portanto, necessário utilizar meios alternativos para alimentação do rebanho, como milho para silagem. O alimento deverá substituir a forrageira e atender às necessidades nutricionais dos animais.

Dentre as várias culturas utilizadas na produção de silagem destaca-se a cultura do milho para silagem, devido a suas características de alto rendimento, boa qualidade, facilidade de fermentação no silo e por ser uma planta bem adaptada a vários climas e regiões do Brasil.

O milho para silagem é uma planta da ordem poales pertecente à familia poaceae. Suas principais características são: raízes fasciculadas, folhas paralilenervea, sementes com um cotilédone, flores trímeras e crescimento primário. A planta do milho tem altura aproximada de 2,3 metros, podendo variar de acordo com o híbrido e condições do plantio. A espiga é cilíndrica e os grãos estão dispostos em fileiras regulares, eles têm dimensões, peso e textura variáveis.

O milho para silagem é um fonte de fibras, carboidratos, proteínas e vitaminas do complexo B, além de possuir um bom potencial calórico, contendo grandes quantidades de açúcares. No milho, também encontram-se vários minerais como ferro, fósforo, potássio e zinco, sendo considerado uma execelente fonte de nutrientes para os animais.

Na escolha de um híbrido de milho para produção de silagem de milho, este deve apresentar alta porcentagem de grãos na massa verde. Além dessa característica, a porcentagem de proteína, o valor nutritivo da porção haste + folhas e a digestibilidade da matéria seca devem ser considerados.

Embora não haja dados oficiais recentes, a área cultivada de milho, anualmente, para a produção de silagem de milho no Brasil varia entre 700 mil e 1,1 milhões de hectares. A maior parte está concentrada nas regiões de produção leiteira e a variação se deve, principalmente, ao preço do leite. Algumas empresas produtoras de sementes têm lançado mais esforços para o desenvolvimento de híbridos de milho direcionados para silagem.

Em geral, o ponto de colheita ocorre 30 dias após o ponto de pamonha (grãos leitosos), quando as palhas da espiga estiverem externamente amarelecidas, e os grãos com uma linha do leite entre 1/3 e 2/3. Este é um ponto crítico a ser considerado na hora da colheita, pois influencia diretamente no valor nutritivo da silagem.

Plantas com baixo teor de matéria seca, ou seja, mais úmidas, produzem muito chorume quando ensiladas. Este, ao escorrer para fora do silo, leva consigo nutrientes, diminuindo o valor nutritivo da silagem de milho, e favorece o aparecimento de microrganismos indesejáveis, os quais irão produzir substâncias nocivas à saúde dos ruminantes.

Plantas com alto teor de matéria seca, além de exigirem mais trabalho das máquinas para serem picadas, dificultam a compactação, permitindo maior presença de oxigênio no interior da massa ensilada. Isso associado à baixa umidade compromete o valor nutritivo da silagem e favorece o aparecimento de fungos.

Como fazer silagem de milho?

A colheita é feita com máquinas específicas de ensilar, que cortam a planta em pedaços entre 1 e 2 cm. O corte facilita a compactação do material dentro do silo e aumenta a área de exposição dos carboidratos solúveis, facilitando a ação dos microorganismos fermentadores.

Após sua colheita e picagem, a planta do milho não deverá ficar exposta ao ar por muito tempo, pois servirá de substrato para bactérias aeróbias e sofrerá fermentações indesejáveis, comprometendo o valor nutritivo do material ensilado. A retirada do oxigênio de dentro do silo é de fundamental importância para que ocorra a fermentação ácido-lática. Ela é feita com a ajuda de tratores que compacta o material à medida que ele é colocado dentro do silo.

Após o processo de ensilagem é necessário que o silo seja vedado para impedir a entrada de oxigênio. A colocação de lonas plásticas é o método mais prático e econômico utilizado pelos pecuaristas. Nas bordas dos silos são feitas pequenas valetas para impedir a entrada de água; também se coloca terra sobre a lona para protegê-la do sol e evitar a formação de bolsas de ar entre ela e a silagem. Quando necessário, o silo deve ser cercado com arame para evitar a entrada de animais.

Após o fechamento do silo, ainda haverá oxigênio residual dentro do silo e, portanto, haverá respiração das células. O consumo de oxigênio por estas células poderá interferir na fermentação da silagem, pois esse processo consome os açúcares solúveis e produz CO2, H2O e calor. Por isso, quanto mais rápido o silo for feito e quanto mais bem feita a compactação menor será o oxigênio residual dentro do silo. Isso preserva os carboidratos e evita o superaquecimento da silagem.

À medida que os ácidos orgânicos vão sendo produzidos pelas bactérias anaeróbias, o pH é reduzido a valores próximos a 3,5 e 4,0. Quando este patamar é atingindo, as atividades dos microrganismos e as fermentações cessam e a silagem de milho se estabiliza.

Na prática, uma boa silagem de milho é caracterizada por possuir uma textura firme, coloração clara com tons variando entre o amarelo e o verde claro, um leve cheiro de vinagre e ausência de mofos. Uma silagem bem feita é sempre bem consumida pelos animais.

Valor nutritivo da silagem – importância de algumas análises

A composição bromatológica da silagem varia em função de vários fatores, dentre eles a idade da planta e as fermentações que ocorreram durante o processo de ensilagem. As análises da proteína bruta, da fibra em detergente neutro, da fibra em detergente ácido e da matéria seca são importantes para calcular a necessidade de suplementação alimentar dos animais.

A proteína bruta se baseia no nitrogênio total presente, que pode estar na forma de amônia, aminas, aminoácidos e uréia. Conhecer a porcentagem de proteína bruta na silagem é importante, já que essa proteína atenderá parte da demanda dos animais.

A FDN (fibra em detergente neutro) informa a quantidade de parede celular presente na silagem. Para fazer essa análise, é necessário separar e quantificar o conteúdo celular (proteínas, gorduras, carboidratos, e outros constituintes solúveis em detergente neutro). A parte restante é constituída de parede celular, contendo, basicamente, celulose, hemicelulose, pectina, lignina, proteína danificada pelo calor e minerais (cinzas). Parte dos componentes da parede celular é digerida pelos microrganismos do rúmen. Alguns com mais facilidade, como as pectinas, e outros com certa dificuldade. A FDN tem uma relação inversa com o consumo de silagem: quanto maior a porcentagem de FDN menor o consumo da silagem pelos animais.

A FDA (fibra em detergente ácido) indica a porção da parede celular não digestível, já que esta contém a maior proporção de lignina. A FDA é um indicador da digestibilidade e do valor energético da silagem. Quanto menor a porcentagem de FDA, maior a digestibilidade e o valor energético da silagem.

Microorganismos presentes na silagem – benéficos e maléficos

A fermentação anaeróbia que ocorre na silagem é realizada pelos microrganismos, especialmente as bactérias e fungos. As bactérias são organismos procariotos, unicelulares e heterotróficos pertences ao reino Monera, que podem ser encontradas na forma isolada ou em colônias. Os grupos encontrados nas silagens são das ácido-láticas, enterobactérias, clostrídeos e bacilos. Já os fungos são organismos eucariontes, heterotróficos e aclorofilados pertencentes ao reino Fungi. Nas silagens, os grupos de fungos encontrados são os leveduriformes e os filamentosos. Para uma boa fermentação, nem todos os grupos de bactérias e fungos são desejáveis.

As bactérias ácido-láticas fermentam os açúcares, transformando-o em ácido lático. Estas são dividas, de acordo com seu metabolismo fermentativo, em homofermentativas e heterofermentativas. Esses dois grupos de bactérias são altamente desejáveis, pois transformam a glicose em ácido lático e com isso diminuem o pH, inibindo o desenvolvimento de microrganismo patógenos.

As enterobactérias são bacilos pequenos. Sua presença é indesejável, porque, além de os consumirem nutrientes que seriam utilizados pelas bactérias ácido-láticas, produzem e liberam amônia durante sua ação fermentativa.

Os Clostrideos são bactérias gram-positivas, esporulantes, normalmente móveis, estritamente anaeróbios e fermentam os açúcares, ácidos orgânicos e proteínas, produzindo ácido butírico e aminas. A fermentação por este grupo, além da produzir toxinas, aumenta a perda de matéria seca. Estes compostos reduzem a palatabilidade das silagens, promovendo um decréscimo no consumo do alimento pelos animais.

Bacilo é o nome dado às bactérias do gênero Bacillus. Elas são gram-positivas, esporuladas, normalmente móveis, aeróbias ou anaeróbias facultativas. Sua presença na fermentação também é indesejável, pelos mesmos motivos dos clostrideos, pois degradam os aminoácidos e produzem toxinas.

Outra ação indesejável é a dos fungos filamentosos e leveduriformes no processo de fermentação. A contaminação por fungos filamentosos ocorre devido à vedação inadequada do silo. Em sua ação, eles consomem açúcares e ácido lático, além de produzirem micotoxinas.

Os fungos leveduriformes são células únicas que apresentam características semelhantes ao reino Fungi. Sua ação é deteriorar o material ensilado e competir com as bactérias ácido-láticas, o que não é desejável para uma boa silagem.

O artigo teve como objetivo descrever o processo de ensilagem feito a partir do milho para silagem (Zea mays), uma gramínea de fácil cultivo e muito bem adaptada a várias regiões do Brasil, como alternativa para a alimentação do rebanho. A partir disso, mostrar como ocorrem os processos de fermentação na silagem.

Hélio Carlos Lopes – Estagiário da Embrapa Gado de Leite/ Estudante de Ciências Biológicas – 7º período / Universidade Presidente Antônio Carlos – Unipac Juiz de Fora

fonte: Embrapa Gado de Leite

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