Setor sucroalcooleiro sofre pressão do mercado internacional

20/06/13
As quedas sucessivas e dólar forte impactam diretamente nos preços de açúcar

A moagem do Centro-Sul atinge, de acordo com divulgação da UNICA, um volume de 116 milhões de toneladas moídas. A média percentual de moagem das cinco últimas safras no acumulado do mesmo período comparativamente ao volume final de produção dos respectivos anos foi de 18,67%. Desse modo, o volume final da 2013/2014 seria de 620 milhões de toneladas. No entanto, o consenso de mercado aponta para 590, mas o número estimado pela Archer Consulting – empresa de assessoria em mercado de futuros, opções e derivativos agrícolas – está 2% abaixo do mercado.

“As vendas de etanol no mercado interno atingiram até o início da safra 3,382 bilhões de litros, um volume 3,5% superior à média dos últimos cinco anos no mesmo período. As vendas totais (incluindo exportação) estão 2% acima dessa média”, menciona Arnaldo Corrêa, gestor de riscos e diretor da Archer Consulting.

Por outro lado, o mercado interno de açúcar continua bastante calmo, um reflexo da desaceleração da economia. Mas o setor tem segurado bem. Se o peso da desvalorização do dólar fosse passado integralmente aos preços, as quedas teriam sido maiores. “Alguns especialistas de mercado acreditam que o pior já passou e que os preços devem se estabilizar. O que corrobora essa ideia é o fato de que o mix de produção pró-etanol pode zerar o superávit de açúcar no mundo, diminuindo o impacto que ele teria nos preços já refletido nesse sentimento baixista generalizado”, comenta Arnaldo.

Mas não é somente de notícias de quedas que vive o mercado. Numa semana em que mais de um milhão de contratos futuros foram negociados, o mercado de açúcar em NY encerrou com alta de 35 pontos em relação ao fechamento da semana anterior. “A última vez que tivemos um volume semanal dessa magnitude foi em fevereiro de 2011. E em apenas seis ocasiões desde 1961, o mercado de açúcar negociou mais de um milhão de contratos futuros numa semana – todas elas depois de 2008. Apenas uma dessas seis vezes, esse volume indicou mercado para baixo”, revela o gestor.

A subida repentina de preços, após uma baixa acentuada, para alguns não tem explicação fundamentalista, pode ser apenas uma tomada de lucros por parte dos fundos. “Também pode ser um fator propulsor em relação aos volumes negociados ou apenas uma pitada de desespero pode ter ocorrido”, sugere Arnaldo.