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Setor sucroalcooleiro quer marco regulatório contra crise

03/09/13
Representantes de entidades ligadas ao setor sucroalcooleiro elaboraram uma carta de reivindicações ao governo federal nesta sexta-feira (30) no encerramento da 21ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), realizada em Sertãozinho, interior de São Paulo. Os grupos pedem a elaboração de um marco regulatório do setor para tentar encerrar uma crise que se estende por cinco anos.

O documento foi elaborado durante o “Ato Público em Defesa do Setor Sucroenergético”, no Teatro Municipal de Sertãozinho, em resposta a uma queda de desempenho que resultou no fechamento de 40 usinas e que pode vir a fechar ao menos mais dez, caso as condições de comercialização do combustível permaneçam as mesmas.

Para as entidades do setor, a União precisa criar instrumentos que garantam isonomia no tratamento do etanol com relação à gasolina, bem como proporcionar incentivos para atrair investimentos na área. “O investidor precisa de segurança. Ele não é especulador. Essa situação de indefinição fez com que houvesse essa estagnação e afetou toda a cadeia produtiva”, afirmou Sebastião Macedo, diretor executivo do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br).

Mesmo com bons resultados esperados para a safra 2013/2014 – 584,82 milhões de toneladas de cana-de-açúcar processada, segundo a consultoria Datagro -, o segmento não terá recursos suficientes para investir no próprio crescimento. “Vai ter um pequeno aumento agora porque tem aumento de cana no pé, mas não é suficiente nem para pagar o que está de inadimplência dos últimos anos. O que precisa mesmo é de um marco regulatório para o setor. Esperamos que haja essa solução para que a gente retome o crescimento”, segundo Macedo.

Além das usinas, a crise do etanol também gera reflexos na economia da região, segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho, Valdir Barão. Nas indústrias de Sertãozinho e municípios próximos, de acordo com ele, cinco mil empregos foram perdidos por conta da queda nos últimos cinco anos. “Desde 2008 estamos vivenciando essa crise, sempre na expectativa de que no ano seguinte se reverta e isso não tem acontecido”, disse.

Na oportunidade, assinaram a carta as seguintes entidades:

Associação Brasileira de Maquinas e Equipamentos (Abimaq), União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Associação dos Municípios Canavieiros do Estado de São Paulo (Amcesp), Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br), Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho e Região, Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul (Orgaplana ), Sociedade Rural Brasileira (SRB), Sindicato da Indústria de Máquinas de Piracicaba (Simespi ), Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Sertãozinho, Sindicato Rural de Sertãozinho, Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio), Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (Sincomerciários),

Varejista e Atacadista de Sertãozinho e Pontal, Associação Comercial e industrial de Sertãozinho (Acis), Sindicato dos Motoristas de Sertãozinho, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Prefeitura Municipal de Sertãozinho.

Os 320 municípios que têm áreas de plantios de cana-de-açúcar acima de dez mil hectares foram representados por Murilo Zauith, prefeito de Dourados do Mato Grosso do Sul.

A data para entrega do documento com reivindicações ao governo federal não foi divulgada. Participaram do ato deputados federais e estaduais, secretários estaduais de São Paulo, prefeitos de várias cidades brasileiras e representantes do setor sucroenergético.