Pecuária

Setor lácteo saiu fortalecido do Simpósio do Leite de Erechim

18/08/2015

Informar, levar conhecimento, apresentar novidades, fazer o setor lácteo brasileiro se tornar uma atividade ainda mais importante na economia nacional. Estas foram algumas das metas alcançadas pelo Simpósio do Leite de Erechim, evento que teve sua 12ª edição em 2015 e encerrou na cidade do Norte do Rio Grande do Sul, em 25 de julho.

Para o coordenador geral do evento, Walmor Vanz, a meta foi mais uma vez conquistada. “Tivemos palestras do mais alto nível, proferidas por profissionais experientes, conhecedores em seus assuntos, todos professores e doutores. Além disso a participação do público nos surpreendeu positivamente nesta edição”, salientou.

Mais de 1,1 mil pessoas participaram do Simpósio, formado por três importantes eixos: Mostra de Trabalhos Científicos, Fórum Nacional de Lácteos e o Simpósio, este formado por seis palestras técnicas. Na plateia, produtores, técnicos e estudantes aproveitaram os dois dias de qualificação para ampliar seu conhecimento na área. Walmor Vanz explica ainda que este foi o melhor de todos os eventos realizados até hoje. “Isso pela qualidade das nossas palestras, pela participação do público e parceiros e também com uma Mostra de Trabalhos Científicos que apresentou pesquisas ainda mais aprofundadas, qualificadas”, acrescentou.

Walmor Vanz também anunciou a data da 13ª edição do Simpósio. Será entre os dias 8 e 9 de junho de 2016. “Já estamos trabalhando no próximo evento, buscando os palestrantes e vamos em busca de novidades. Algumas ações devem acontecer de maneira diferente e passaremos a ter seis palestras ao longo do Simpósio”, anunciou.

Trabalhos de pesquisa foram premiados
A Mostra de Trabalhos Científicos chegou a sua quarta edição em 2015. Este ano, diferente dos demais, cinco trabalhos foram premiados. A “Ensilagem do Bagaço de Azeitona com Farelo de Arroz”, apresentado por estudantes da Unipampa, de Uruguaiana foi o grande vencedor da Mostra. Os autores receberam R$ 700,00 de premiação.

O segundo lugar ficou com estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM), do Paraná. Eles apresentaram estudo sobre o suplemento proteíco produzido a partir do soro de leite adoçado com “Rebaudíosideo A” na redução da hiperglicemia e colesterol em ratos diabéticos. O prêmio foi de R$ 500,00.

O terceiro lugar ficou na região norte do RS. Estudantes da Faculdade Ideau, de Getúlio Vargas conquistaram a terceira posição com o trabalho intitulado de “Relevância do Monitoramento de Corpos Cetônicos através da mensuração de Betahdroxibutirato em rebanhos leiteiros”. O prêmio foi de R$ 300,00.

A novidade na Mostra foi a premiação de mais duas categorias. Em quarto lugar e como Destaque de Melhor Apresentação Poster, ficou o trabalho sobre fraudes do leite e imagem do setor: quais agentes o consumidor responsabiliza e em quem ele confia, apresentado por estudantes do Instituto Federal de Sertão. O trabalho “qualidade nutricional de gramíneas e leguminosas cultivadas na fronteira oeste durante o vazio forrageiro primaveril”, de estudantes da Unipampa, de Uruguaiana, ficou com a quinta colocação e sendo Destaque em Relevância Regional. Cada um destes dois trabalhos recebeu R$ 100,00 em prêmios, mais brindes de patrocinadores.

Ao final da premiação, a coordenadora da Mostra, Daniela Oliveira já anunciou a realização da quinta edição, em 2016.

Palestras destacaram produção com eficiência
Seis importantes palestras foram realizadas durante o Simpósio do Leite de Erechim. O assunto de todas foi diferente, mas a relação principal foi o fato de todos os palestrantes mostrarem caminhos para produtores buscarem uma produção mais eficiente e com mais ganhos na propriedade.

O professor e doutor Marcos da Veiga falou sobre estratégias de tratamento de mastite na lactação e secagem. Destacou a importância de um acompanhamento correto da vaca contaminada para que haja a correta solução do problema e se evite com isso perdas na produção. Um dos principais especialistas do país em mastite, salientou ainda a importância de os produtores criarem protocolos na propriedade. “Buscar saber o histórico da vaca contaminada, saber quais são os agentes causadores e identificar a gravidade da infestação. É importante saber identificar se houveram casos anteriores, buscar uma correta aplicação de antibióticos, e antes da aplicação da medicação, buscar coletar amostra e trabalhar com prazos mínimos de tratamento ideais para que haja a correta solução do caso”, apontou.

As vantagens zootécnicas e econômicas em ter gado leiteiro da raça Girolando na propriedade, foi outro tema no Simpósio. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Jônadan Hsuan Min Ma, foi quem destacou o assunto. De acordo com ele, atualmente a raça ganha importância e consistência, reconhecida mundialmente. “O Girolando é muito mais do que um mero cruzamento de duas raças. É importante conhecer a solidez do seu Programa de Melhoramento Genético e as conquistas alcançadas ao longo dos mais de 25 anos da maior associação dentre as raças leiteiras do país. Uma raça consolidada que tem uma base e estrutura científica que dão suporte tecnológico do mais alto nível, equivalente as mais antigas raças do mundo, mas com tempero brasileiro da adaptabilidade às diversas condições ambientais e de manejo, da flexibilidade proporcionada pelos diversos graus de sangue e pela produtividade associada com rentabilidade, que tem mantido principalmente os pequenos produtores na atividade, aliás, a grande maioria da agricultura familiar, graças ao Girolando”, apontou.

Outro assunto apresentado no Simpósio foi sobre a importância do volumoso na dieta de vacas leiteiras. “Durante os períodos de transição de inverno/verão e verão/inverno não temos pastagens em quantidade e qualidade suficientes para manter a produção leiteira e os frequentes períodos de estiagem severa têm agravado esse cenário. Dessa forma, conservar forragem é uma obrigação na atividade leiteira. Os volumosos conservados são a única forma de se ter alimento de boa qualidade e na quantidade correta nesse período. Outro fator importante é que a valorização das terras determina que tenhamos produtividades cada vez maiores e mais constantes para remunerar o capital investido na propriedade”, destacou o palestrante doutor e professor João Ricardo Pereira.

Planejamento e case de sucesso
Planejar para se ter sucesso. Esta foi a abordagem do palestrante é o especialista Régis Ferreira, coordenador de Pós Graduação da Rehagro. De acordo com ele, a falta de um adequado planejamento tem levado o pecuarista a administrar inadequadamente sua empresa, a propriedade. “Uma das principais causas dessa má administração provém de uma falta de objetivos claros por parte do produtor e de uma falta de conhecimento de como planejar, definindo o que produzir e quanto produzir. Na palestra em Erechim, vamos focar nas vantagens e formas de planejamento para a pecuária leiteira”, destacou.

Ele cita um importante dado sobre a pecuária de leite nacional: “grande parte das propriedades que começamos a trabalhar, não sabe nem a quantidade de animais que existirão na empresa no próximo ano, uma condição básica para qualquer planejamento. Falta então um gerenciamento mais voltado ao atingir metas do que o apagar fogo, gerenciamento este que só é possível quando há um entrosamento entre proprietário e técnico”.

De sucesso na propriedade leiteira, o produtor Nivaldo Michetti entende bem. Ele apresentou um case de sucesso durante o Simpósio do Leite. A produção leiteira mudou sua vida, assim como era o título da palestra, mais motivacional do que propriamente técnica. “A intenção foi de levar aos presentes, ânimo, considerando que tendo saído do “nada” consegui, com minha família, grande mudança de vida, inclusive e principalmente, resgate da dignidade de homem do campo, que passou a entender a sua importância dentro da sociedade”, apontou Michetti.
Hoje sua vida é completamente diferente e produzir leite se tornou uma maneira de garantir subsistência com equilíbrio e sustentabilidade. Para Michetti, há bons motivos para se investir na produção de leite no Brasil. “O principal fator pró é me permitir certa autonomia, fato que nem sempre ocorre em várias outras atividades. Um outro pró que vejo, é que por ser uma atividade que exige pertinácia não se encaixa muito no espírito do nosso povo que é muito dado ao modismo e em enriquecer rápido, por isso vemos tanta gente saindo da atividade. Mais um outro é o fato de saber que o produto leite sempre faltou no mercado brasileiro, haja visto que não conseguimos a auto suficiência na produção. Isso fica absolutamente claro toda vez que explodem os preços, nas entressafras, numa tentativa bem sucedida de conter o consumo e não acontecer o desabastecimento total, o que seria caótico”, definiu.

Fonte: Agrolink