Seringueira e borracha natural

Uma das explorações mais importantes, que o Brasil já teve, foi a extração de látex da seringueira ao tempo que toda a borracha era natural. Era uma “indústria extrativa”, pois o “gaúcho”, nome dado ao seringueiro, retirava o látex das árvores nativas da mata. O Brasil não tinha cultivo da seringueira como exploração racional. Mesmo como indústria extrativa, rendeu grandes riquezas ao Brasil, especialmente, na região norte. Muitas cidades tiveram seu auge econômico ao tempo da produção e exportação da borracha, movida pela indústria automobilística.

Com o surgimento da indústria petroquímica, na década de cinqüenta do século passado, ao tempo dos baixos custos do petróleo, derivados deste começaram a ser utilizados na fabricação da borracha. Com a elevação paulatina dos preços do petróleo, esse deixou de ser uma matéria prima barata. Por isso, as grandes indústrias de borracha, principalmente, de pneus, voltam-se novamente a borracha natural. Então, o cultivo da seringueira voltou a ter importância. Além do Brasil, alguns outros países da América do Sul, da região amazônica, também estão aumentando o cultivo de seringueira. O mesmo está sendo observado em alguns países africanos, através de investimentos de grandes empresas internacionais.

Ainda no final da década 80, o Brasil criou o Programa Nacional da Borracha – Probor, para incentivar o cultivo da seringueira. Também, a Embrapa criou um Centro de Pesquisa da Seringueira e Dendê, atual Embrapa Amazônia Ocidental, com sede em Manaus, que aliado ao trabalho de várias universidades brasileiras, começou a serem desenvolvidos novos cultivares e tecnologias de manejo das árvores, visando a produção mais precoce de látex e com maior quantidade. Através de técnicas biotecnológicas, é realizada a multiplicação de plantas a partir de tecidos vegetais (meristemas ou gemas), a cultura de tecidos. Esses clones tem inúmeras vantagens em relação à seringueira nativa. Cresce mais rapidamente e por isso já produz látex a partir de 4-5 anos, enquanto na planta nativa a colheita inicia a partir de 10-12 anos. Também, a utilização de tecnologias como adubação, distribuição espacial de plantas na área, podas, dentre outras práticas, são responsáveis pela maior capacidade produtiva da seringueira..

De cada 100 kg de látex extraído da seringueira são obtidos 60kg de borracha natural. No processo de extração também houve grande evolução. Na indústria extrativa, o seringueiro fazia cortes freqüentes no caule da arvore para continuar a secreção da látex. Esses cortes, juntamente com a contaminação, reduzem a capacidade produtiva da arvore. Atualmente, além dos primeiros cortes serem realizados mais precocemente, periodicamente, são aplicados produtos que liberam etileno sobre o painel de extração. Esse etileno promove a abertura dos vasos que exsudam a seiva. Dessa maneira, além da maior extração de látex por árvore, a planta produz por mais tempo.

Por essa razão, grandes empresas internacionais de pneus, adquiriram, nos últimos anos, grandes áreas de terras no Centro-norte brasileiro, para cultivo de seringueiras. Mesmo em São Paulo, o cultivo da seringueira está sendo realizado em substituição ao café, banana e outras culturas. Trata-se de um investimento de médio a longo prazo, mas, com altos rendimentos por área cultivada. O único investimento que compete com a seringueira como cultura permanente, atualmente, é a cana de açúcar, visando a produção de álcool.

Na última semana, observei grandes áreas cultivadas de seringueira também no Mato Grosso do Sul, ao lado de grandes áreas de integração silvo-pastoril. Nessa integração são cultivadas duas ou três fileiras de eucalipto, espaçadas de um metro e são deixados de 15 a 20 m com pastagem. Nessas áreas é produzida carne até o momento de corte da madeira. É uma forma de aumentar a renda por área, bem como a redução dos riscos de mercado.

O bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro não está apenas na produção de grãos.

Fonte: Elmar Luiz Floss – O Nacional

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