Reprodutivo

Seleção Genômica

31/03/11 – 14:24
Felipe Escobar*
A Seleção do reprodutor a ser utilizado no rebanho é um momento crucial dentro da atividade leiteira e terá uma influência determinante no Tipo e nível de produção do animal que estará produzindo na propriedade nos próximos anos. Devido a essa importância, um dos assuntos que mais desperta o interesse dos produtores é a Seleção Genômica. Embora já esteja presente desde o início de 2009, muitas são as dúvidas sobre como funciona este tipo de seleção, qual influência ela terá no rebanho do produtor e qual é a melhor forma de utilizá-la.
Antes do ano de 2009, o Mérito Genético de um reprodutor que não tivesse dados de produção das filhas (touros Jovens) era calculado pelo Pedigree (média dos seus pais). Atualmente, além da informação obtida pelo Pedigree, temos a informação Genômica do animal, o que praticamente dobrou a confiabilidade das provas dos touros jovens, conforme indica a tabela abaixo:
Tabela 1 – Alteração da confiabilidade para touros jovens após as provas genômicas
Este incremento na confiabilidade possibilita uma acurácia muito maior no momento de selecionar os touros que serão amostrados nos testes de progênie. Antes das avaliações genômicas o mérito genético de dois irmãos inteiros (filhos de mesmo touro e mesma vaca) era igual até o momento da primeira prova, assim, estes irmãos deveriam ser amostrados no programa de teste de progênie para se identificar qual deles seria o reprodutor com mérito genético superior. Atualmente, alguns dias após o nascimento destes terneiros é possível identificar, com uma boa margem de segurança, qual dos irmãos é geneticamente superior. Embora a utilização do genoma para seleção de reprodutores seja uma realidade, não elimina a necessidade da realização dos testes de progênie. Estes programas continuam sendo a “cereja do bolo” no momento de seleção de reprodutores. A Select Sires mantém o seu programa (PGA) ativo e a intenção é continuar amostrando mais de 300 touros da raça holandesa anualmente. A grande diferença é que estas informações permitem um maior critério e um nível de acerto maior no momento da seleção de touros para o teste de progênie.
O produtor deve estabelecer, ainda, qual é o objetivo no seu rebanho e quais as características que ele deseja melhorar. Uma comparação que exemplifica o que está acontecendo, nesse momento do melhoramento genético, é a utilização de um automóvel Fusca ou uma Ferrari. Antes das avaliações genômicas estávamos dirigindo um Fusca, então, qualquer desvio de rota não nos levava a um ponto muito distante, e correções de rota eram fáceis (ou não tão difíceis) de se realizar. Hoje em dia, estamos dirigindo uma Ferrari e qualquer erro na rota pode nos levar a um extremo que não será fácil de corrigir. Portanto, é importante que todo o produtor que deseja utilizar touros com prova genômica tenha objetivos bem definidos e sigam estes objetivos com determinação, caso contrário o resultado pode ser o inverso do esperado.
A utilização de até 20% de touros jovens na Inseminação Artificial (IA) era recomendado antes das avaliações genômicas. Com o aumento da confiabilidade, alguns produtores mais ousados podem utilizar até 40% de touros jovens na IA, mas, isso exige alguns cuidados. Além da utilização criteriosa, é recomendado o uso de um grande número de touros jovens e não de apenas dois ou três touros e os 60% restantes do rebanho devem ser inseminados com um número pequeno de touros bem provados (alta confiabilidade), reduzindo riscos no momento da seleção genética.
*Gerente Técnico da Select Sires do Brasil

 

Agrolink
http://www.agrolink.com.br/saudeanimal/artigo/selecao-genomica_127938.html