Pecuária

Seleção de gado de corte com Promebo

Leonardo T. Campos

Aumentar a eficiência de produção do gado de corte no Brasil é de vital importância para que nossa indústria bovina se torne mais competitiva. O nível de aplicação da tecnologia disponível é muito mais baixo, se comparado com outras espécies, como frangos de corte e suínos.

O necessário melhoramento genético da eficiência total de produção de carne bovina fundamenta-se em dois princípios: seleção e sistemas de acasalamento. Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo), executado pela Associação Nacional de Criadores (ANC) desde seu desenvolvimento, lida com a seleção e visa aumentar a precisão das tomadas de decisão em características herdáveis e de importância econômica, a partir de um sistema de controle de produção e de avaliação genética dos reprodutores.

Sistema de seleção

O Promebo é um sistema de seleção massal dentro e/ou entre rebanhos, aberto para animais puros de origem, puros por cruza e gado comercial, inclusive cruzamentos.

Outras características adicionais do programa são:

/ Todos os animais do rebanho participam, sem pré-seleção;
/ Os animais são selecionados em condições normais de criação, com práticas nutricionais e de manejo comparáveis aquelas onde se espera que suas progênies produzam;
/ Todos os animais de mesmo sexo e grupo de manejo (mesmo grupo contemporâneo) recebem oportunidades iguais;
/ É um programa de melhoramento rentável.

Implantação

Para a implantação do programa deve-se adotar no rebanho um sistema eficaz de identificação dos animais (vacas e produtos) e efetuar o controle ( dia exato) dos nascimentos. Apesar de aberto também para animais sem pai conhecido (progênie de reprodutores múltiplos), o controle reprodutivo é fundamental para o processo de avaliação genética. Outra recomendação a adotar é a padronização da produção, definindo-se estações de monta e nascimento.

Avaliação

Além do peso ao nascer (opcional) coletado nas primeiras 48 horas de vida do animal, o Promebo exige apenas duas pesagens (precedidas de jejum total) em momentos estratégicos: um à desmama e outra, variável de acordo com o manejo do rebanho, no período pós-desmama. Outras características, além das ponderais, também podem ser avaliadas através de escores visuais, como conformação, precocidade, musculatura e tamanho. Adicionalmente, as vacas com produção nos dois últimos anos (consideradas como ativas), são avaliadas quanto à idade ao primeiro parto (em meses), eficiência (em peso metabólico) intervalo médio entre partos (em dias), habilidade de produção esperada (ou capacidade real de produção) e índice maternal do Promebo. Este último item permite uma seleção conjunta para a habilidade materna e eficiência reprodutiva. Finalmente, estão em implantação no programa a avaliação da circunstância escrotal e a estimação do mérito maternal de touros a partir da produção de suas filhas.

Metodologia

A Metodologia usada para avaliações genéticas é a Metodologia de Modelos Mistos (MMM). Com advento da MMM entramos em uma nova era no melhoramento de gado de corte. A Diferença Esperada na Progênie, ou simplesmente DEP, produzida pelas avaliações genéticas que utilizam a MMM reduz em muito a incerteza presente nas decisões de seleção. É um poderoso instrumento para alterar de modo efetivo a genética de um rebanho na direção desejada.

DEP

A DEP consiste no desempenho médio esperado dos futuros filhos de um determinado reprodutor, em relação ao desempenho médio esperado dos futuros filhos de qualquer outro reprodutor presente na análise, para uma determinada característica sob avaliação, desde que acasalados com animais comparáveis. Normalmente, é apresentada na mesma unidade de medida da característica. Também pode ser expressa na forma padronizada, ou seja, em unidades de desvio de padrão.

Os procedimentos adotados no Promebo para se obter as soluções do modelo animal reduzido (ou gamético), usando o método interativo-robusto desenvolvido pela GenSys Consultores Associados, podem ser assim resumidos:

/ Consistência e edição dos dados coletados;
/ Ajuste, através de fatores de correção, das características para efeitos ambientais considerados como conhecidos (2,4);
/ Obtenção, por retro-substituição, de uma solução para animais sem progênie (inclui uma estimativa de segregação mendeliana, componente genético do modelo que explica as diferenças observadas entre irmãos inteiros).

Avaliação Genética

Originalmente, usando relações e desvios (I), o programa possibilita comparações válidas apenas entre animais contemporâneos. A partir de 1990, com a adoção da MMM, as análises estatísticas conduzidas pelo Promebo podem ser subdivididas, quanto a sua abrangência, em avaliações genéticas a nível de rebanho (AGDR), que permitem comparações válidas para animais de diferentes gerações de um mesmo rebanho e em avaliações genéticas entre rebanhos (AGER), que oportunizam efetuar comparações válidas entre toda a população ou raça, constituída por uma rede de rebanhos conectados, através de touros usados em comum, via inseminação artificial (IA).

Nas AGDR, os usuários recebem a cada produção controlada, os Relatórios de Desmama e Final , incluindo Deps, índices e decas dos produtos e touros avaliados. Já, no caso das vacas em atividade, o relatório de ventres é emitido na ocasião de desmama da produção.

Rebanhos conectados

Nas AGER são efetuadas análises centralizadas envolvendo a totalidade dos rebanhos conectados de uma raça, grupamento racial, grupos (ou pool) de criadores ou programas independentes de melhoramento genético (AGER para emissão de CEIP). Nessas AGER um conceito importante é o da conectabilidade. Na verdade existe uma sinergia entre a MMM e a IA: quanto mais intenso for o uso da IA na população, melhor é a conectabilidade no conjunto de dados e mais preciso é o método na estimação do valor genético dos reprodutores. Sem dúvida o principal produto das AGER conduzidas pelo Promebo é o Sumário de Touros, um relatório de periodicidade anual contendo as DEPs dos principais reprodutores de raças taurinas controladas e/ou registradas pela ANC.

Situação anual

Na produção de reprodutores, cada vez mais, os produtos comerciais, solicitam de seus fornecedores registros de desempenho. Essa prática está eliminando (ou convertendo) de forma rápida os produtores que absorvem a tecnologia existente muito lentamente. Pelo menos em parte, essa demanda por especificações de performances (DEPs) explica o ritmo de crescimento do programa entre 20 e 25 % ao ano, no período de 1987/95, com o número de animais controlados passando de 8 para 34 mil, entre raças britânicas, continentais, sintéticas e bubalinas, com 140 selecionadores e 193 rebanhos controlados.

Fonte: http://www.charoles.org.br/melhoramento_genetico/selecao.php