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Segundo a Embrapa 40 mil toneladas de alimentos são jogadas fora diariamente

17/11/14 – 10:12
Só no Brasil, 40 mil toneladas de alimentos são jogadas fora diariamente, segundo a Embrapa; falta de planejamento é a principal causa
Os restos de comida que você joga fora todos os dias podem estar fazendo falta no prato de alguém. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), enquanto 805 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são jogadas fora anualmente em todas as etapas da cadeia produtiva, o que corresponde a um terço da produção mundial.

Esta realidade não está distante do dia a dia dos brasileiros. No País, conforme pesquisa da Embrapa citada pela nutricionista Ana Paula Hemer, do programa Sesi Cozinha Brasil em Curitiba, são jogadas fora diariamente 40 mil toneladas de alimentos. No Paraná, a Central de Abastecimento (Ceasa) tem tomado medidas para reduzir a quantidade de legumes, verduras e frutas que vão para o lixo antes mesmo de chegar à mesa do consumidor.

Conforme Luiz Gusi, diretor-presidente da Ceasa Paraná, pesquisas da Embrapa indicam que 42% dos hortifrutis colhidos no Brasil são perdidos, sendo que 30% das perdas ocorrem dentro das unidades da Ceasa. Com medidas que incluem capacitação de produtores e atacadistas sobre o melhor jeito de colher, embalar, transportar e conservar os produtos, além do controle integrado de pragas urbanas, como ratos que danificam os alimentos, foi possível reduzir o índice de perdas para 12%. O avanço é significativo, diante de um volume de 1,1 milhão de toneladas de produtos movimentados anualmente nos entrepostos do Estado.

Os produtos descartados também recebem atenção especial. Conforme Gusi, os alimentos que podem ser consumidos, apesar de estarem fora do padrão de comercialização, são doados para bancos de alimentos. Em Curitiba, pelos menos metade dos alimentos que não estão em condição de consumo são transformados em compostagem.

Estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que, do total dos alimentos não utilizados, pelo menos 10% se perdem nas plantações. Do que sobra, 50% são perdidos na distribuição, no transporte e no abastecimento. E do restante, 40% se perdem na cadeia do consumo.

Apesar de grande parte das perdas ocorrer no processo de produção, comerciantes e consumidores também possuem responsabilidade sobre o problema. Grandes quantidades de comida são descartadas simplesmente por estarem fora dos padrões de aparência devido a práticas ineficientes e pela expiração das datas adequadas para consumo. O desperdício está, também, no hábito de adquirir mais do que pode ser consumido e no preparo de grandes quantidades.

O pesquisador Murilo Freire Júnior, da área de pós-colheita da Embrapa Agroindústria de Alimentos, explica que não existe metodologia padronizada para quantificar perdas de alimentos, mas enfatiza que o tema é preocupante. “É um problema sério que atinge todas as etapas da cadeia produtiva”, constata.

Ele esclareceu que são chamadas “perdas” todos os alimentos não aproveitados devido ao manuseio inadequado, desde a produção até chegar ao consumidor, passando por transporte e comercialização. Já o “desperdício” refere-se a todos os alimentos já preparados para consumo que vão para o lixo, como costuma acontecer nas residências e restaurantes. “É o que se joga fora porque ninguém comeu”, diz.

A falta de planejamento, segundo ele, é a maior causa do desperdício. “As pessoas compram mais do que vão precisar e também cozinham quantias que superam a necessidade”, critica. Além disso, o tratamento inadequado, como deixar comida pronta fora da geladeira ou guardar alimentos misturados, acaba levando comida ao lixo. “Ao reduzir o desperdício, é possível garantir mais comida à população com o mesmo volume de energia, água e solo. Os beneficiados serão os mais pobres”, acredita.

Iniciativas para conter o desperdício parecem não ter sido suficientes para minimizar o problema. Por isso, a FAO publicou uma nota direcionada aos governos da América Latina para sensibilizar os gestores sobre o tema. “Conter o desperdício também depende de boas estradas, infraestrutura adequada. No Brasil, por exemplo, a Lei do Bom Samaritano ainda não foi aprovada”, disse, referindo a projeto que isenta indústrias de se responsabilizarem com relação a alimentos doados. “Em tempos de escassez de água, conter as perdas de alimentos deve ser prioridade.”

Fonte: Folha Web