Cadeia Produtiva

Secretário defende eficiência em seringal

Os heveicultores devem aproveitar o bom momento vivido pelo setor para fortalecer os elos da cadeia produtiva de borracha natural e buscar, por meio de gestão das propriedades e tecnologia, aumentar a eficiência dos seringais, preparando-se para situações que não sejam tão favoráveis à atividade.

A opinião é do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João de Almeida Sampaio, que fez palestra ontem durante o “7º Ciclo de Palestras sobre a Heveicultura Paulista”, realizado no Ipê Park Hotel. “Isso não quer dizer que os preços vão cair no ano que vem”, destacou. O secretário afirmou que, em outros períodos, o custo da matéria-prima respondia por 65% da produção de borracha mas que, atualmente, o coágulo ou látex atingem patamares de até 90% e isso deveria ser revisto pelos heveicultores para não causar desequilíbrio na cadeia produtiva.

Atualmente, a heveicultura paulista ocupa entre 85 mil e 90 mil hectares (ha) dos 25 milhões de ha dedicados à agricutura no Estado, contra 9 milhões de hectares (ha) de pastagens e entre 6 milhões e 7 milhões de ha destinados à produção de cana-de-açúcar. O plantio de novos pés de seringueiras em São Paulo está fazendo com que a cultura avance cerca de 6,5% ao ano e já é responsável pela geração de R$ 400 milhões, ficando em 18º lugar dentro do agronegócio paulista. “Já está na frente da suinocultura e na produção de leite tipo B”, afirmou.

Segundo o secretário, neste ano a produção de coágulo no Estado de São Paulo deve totalizar entre 130 mil e 135 mil toneladas. A produção paulista corresponde a 54,5% da produção nacional, seguida pelo Mato Grosso, que detém 14,4%. O crescimento dos BRICs (grupo que reúne Brasil, China, Rússia e China) acima da média das demais nações e também da oferta de borracha natural são fatores que deve manter o consumo de borracha aquecido com preços acima das médias históricas.

Exemplo disso, cita João Sampaio, são os investimentos de R$ 350 bilhões pela Petrobrás no pré-sal. Somente com mangueiras e outros equipamentos que utilizam borracha, a empresa deve gastar R$ 18 bilhões. A cadeia produtiva deve se organizar para financiar a pesquisa para desenvolvimento de novos clones precoces e com maior produtividade, além de desenvolver clones mais resistentes às pragas e doenças que o aumento de plantio e de concentração de seringueiras tendem a provocar.

O presidente em exercício da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), Marcos Santim, afirmou que o momento favorável vai permitir que o setor discuta a criação de um fundo para a borracha natural para pesquisa e desenvolvimento da heveicultura. O ciclo de palestras continua hoje, a partir das 8 horas, no Ipê Park Hotel.
Fonte: Diário da Região

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